23 de junho de 2017

Conversa de trampa

Diogo Mateus dixit: O PSD está a ficar purificado.
Vox populi: e ainda vai ficar mais purificado depois das eleições.

Mal por mal, antes Pombal


Uma das coisas boas que temos: o festival Sete Sóis Sete Luas. Uma obra de Zed1, da Toscana, ficará para sempre na encosta do castelo, naquele muro que era feio. Quem dera que o Marquês tivesse sido assim, um ser que se dá ao vento. Mas a arte tem essa extraordinária capacidade de transformar em beleza até o que é agreste. E sim, está um belo Pombal :) 

22 de junho de 2017

Uma tragédia colectiva

O fogo de Pedrogão-Grande foi uma verdadeira tragédia colectiva.
Tragédia porque deixou as populações de três concelhos (Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera) entregues ao enigma do destino, um destino cruel que roubou a vida a dezenas de pessoas e impôs um sofrimento imerecido a milhares. Colectiva na medida em que nela todos participaram: uns como actores/vítimas, outros como figurantes; uns com culpa inconsciente, outros consciente; uns sofrendo, outros sublimando o sofrimento.
Foi uma tragédia onde as pessoas afectadas mostraram uma serenidade e uma dignidade assinaláveis; ao contrário de outros – dos figurantes -, que se aproveitaram da desgraça alheia para capitalizar. Foi, também, uma oportunidade para os epiléticos das ideias apontarem culpados, causas e soluções - como se houvesse causas únicas e soluções fáceis e imediatas. Alguns foram ao ponto de apontar o eucalipto como o grande culpado. Coitado do eucalipto!
É já possível afirmar que a tragédia ocorreu porque, perante a conjugação de condições extremas - climatéricas, terreno e floresta –, foi dada a resposta normal. A floresta é o único factor que o Homem pode controlar - os outros não estão nas suas mãos. Convém, por isso, ganhar consciência de que é a Natureza que condiciona o Homem e não o Homem que condiciona a Natureza. O estado da floresta é resultado de escolhas individuais, de condicionantes que veem de muito longe e de formas e estilos de vida que mudaram profundamente. Mas uma coisa é evidente: se não se ordenar o território e a floresta vão ocorrer mais tragédias como esta. Muitos culpam o governo e as entidades oficiais pelo estado a que chegámos, esquecendo-se que a responsabilidade é de todos, e que a resistência à mudança, que tem que ser profunda para produzir os efeitos necessários, é geral. Naquela zona, a Natureza fez reset na floresta. É uma oportunidade para recomeçar bem e de forma mais fácil.
A tragédia serviu também para uma malta se comover, poder derramar boas lágrimas e livrar-se da culpa inconsciente e do sofrimento ao realizar actos compassivos. Desde a antiguidade que os Homens sempre situaram a compaixão num nível baixo, na hierarquia dos sentimentos morais; e com razão, mas estavam longe de imaginar o alarde que vai, na contemporaneidade, pelas redes sociais.
Para Nietzsche a compaixão (pública) não tem por objectivo o prazer do outro; pois ela abriga no mínimo dois elementos de prazer pessoal, e é, desta forma, fruição de si mesma: primeiro como prazer da emoção, e depois, quando impele à acção, como prazer da satisfação no exercício do poder.
O folclore de “solidariedade” que a tragédia de Pedrogão Grande desencadeou e o aproveitamento dela se está a fazer, repugna o ser mais cálido. Como bem refere o cálido F. Pessoa: “nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra “dever” é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos “dever cívico”, “solidariedade”, "humanitarismo", e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas”. 

20 de junho de 2017

TAP solidário


No próximo dia 23 de Junho, sexta-feira, pelas 22h00, no Teatro-Cine de Pombal, o Teatro Amador de Pombal apresenta o espectáculo «Lusíadas?», uma iniciativa de apoio de às vítimas do incêndio que assolou a região Centro, em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera. Os bilhetes de ingresso não têm valor definido - é o espectador quem define o preço do bilhete e dá o que entender, de acordo com as suas possibilidades - e a totalidade da bilheteira reverterá para a ajuda às vítimas do trágico incêndio. Parabéns pela iniciativa.

16 de junho de 2017

O toldo da Igreja Matriz

A foto é desta manhã, 16 de Junho do ano da graça de 2017. Esta é a Igreja Matriz de Pombal. Aquilo é um toldo. Onde páram os regulamentos, artigos, condicionantes que a Câmara aplica sempre que um munícipe quer colocar qualquer estrutura semelhante em edifícios da zona histórica? Que aberração é esta, senhores?

Farpas eleitorais

O Farpas vai abrir a porta do blogue à opinião de todos os candidatos autárquicos que entendam partilhar artigos originais (e não cópias de programa eleitoral), a partir de hoje e até à campanha eleitoral, em meados de setembro. Avizinha-se um verão quente e aqui na casa suportamos bem o calor, e até gostamos dele. Por isso, os interessados em partilhar com a blogosfera o que pensam sobre a terra e a gente, devem fazê-lo para farpaspombalinas@gmail.com, num máximo de 3000 caracteres (incluindo espaços) e preferencialmente ilustrados com uma fotografia alusiva. Venham daí essas farpas!

13 de junho de 2017

Obra torta

Se há área onde a igualdade de oportunidades é essencial, é na Educação. Em Pombal continuará a não o ser. Não por falta de recursos, mas por falta de vontade e de planeamento.
Às vezes, custa a perceber certas opções: se são premeditadas ou impensadas. A câmara andou a construir Centros Escolares onde não há crianças - nem vai haver nas próximas décadas - e adiou a construção de um Centro Escolar na cidade onde há crianças.
Tardiamente, a cidade vai ter um Centro Escolar no próximo ano lectivo (eleições oblige). Mas o pior, neste caso, nem é chegar tarde; é não responder às necessidades actuais e futuras. Por isso, metade das turmas do 1.º ciclo funcionará no novo Centro Escolar (que não é centro nenhum); e a outra metade funcionará na velhinha Conde Castelo Melhor – escola sem condições mínimas, que deveria ter sido encerrada no século passado. Teremos, assim, metade dos alunos numa má escola - dos meados do século passado - e outra metade numa escola dos novos tempos. Bem pode Diogo Mateus encher a boca com o sucesso escolar a 100%; mas, a trabalhar assim, só cava insucesso.
Pelo meio, a direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal lava (disto) as mãos como Pilatos; e a (nova) Associação de Pais de Pombal deu um contributozinho: propôs um sorteio para distribuir as turmas pelas duas escolas.
O problema ficaria abafado, democraticamente!

12 de junho de 2017

É uma pena

A (pré) campanha corre, em velocidade de passeio-de-domingo-depois-da-missa. No grupo dos oito anunciou-se estes dias Sidónio Santos, pelo CDS. E trouxe à liça mais um slogan fracturante: "Pombal vale a pena". É um daqueles que podia servir (alguns) meninos da Jota para fazer o que gostam - ridicularizar os outros , como fizeram com o PS e com o cartaz de Jorge Claro (contando que se pôs a jeito...) Na verdade, podemos olhar para a tirada de duas perspectivas: ou vale o sacrifício, ou o slogan encerra uma versão mais misericordiosa de quem sabe que isto é uma pena.
Em todo o caso, é penoso concluir que por aqui  contribuímos sem esforço para o trabalho dos Tesourinhos das Autárquicas, onde Narciso Mota já tem lugar de destaque, ele e o seu Pombal Humano. 
O que vale a pena é perceber onde é que isto nos vai levar.

10 de junho de 2017

Autárquicas - Junta de Vermoil

O PSD viu-se à rasca para encontrar um sucessor de Ilídio da Mota. É sabido que, nestas coisas, quem quer não pode e quem pode não quer. Não é preciso mover mais do que um pé nesta corrida para a ganhar, mas há mínimos olímpicos - e esses, a avaliar pela indecisão que reinou até há pouco tempo no partido - nenhum dos potenciais sucessores os cumpria, nomeadamente a popularidade junto do eleitorado. A escolha recaiu então no actual secretário da Junta, Carlos Santos, que parte para a corrida eleitoral com uma freguesia despovoada, mas com um pólo escolar para inaugurar. Quando for dado o tiro de partida lá estará Leonel Manuel, pelo PS, algum trabalho no insólito mundo associativo daquela freguesia e sem muito a perder, se for o caso. Também lá vai estar um ilustre (des)conhecido de Narciso Mota, de seu nome Manuel Gaspar, um engenheiro que ali goza a reforma. E falta saber se o CDS sempre consegue ir a jogo, numa altura em que se esforça por encontrar um/uma que não esteja comprometido ou lesionado.

6 de junho de 2017

Um banho de realidade

A conferência organizada pela JSD, subordinada ao tema “Desenvolvimento Económico”, teve o mérito de confrontar os participantes com a realidade local: um concelho a definhar - sem capacidade de atrair investimento, criar emprego de qualidade e fixar pessoas - e um poder autárquico insensível ao problema.
O ilustre pombalense Jorge Martins – CEO Capgemini Portugal – começou por apontar o “problema demográfico”, provocado pela “diminuição do número de habitantes” (e nascimentos) e o consequente “envelhecimento da população”, para depois dizer que o “indicador mais preocupante é a descida significativa do número de jovens a estudar em Pombal, o que … significa que vamos ter problemas a prazo de capacidade de emprego para as empresas”. Feito o diagnóstico, Jorge Martins defendeu que “no curto prazo este problema só se resolve com a captação de investimento e mão-de-obra estrangeira”. E acrescentou: “o que nós precisamos nos próximos anos é trazer uma mentalidade nos nossos autarcas que têm que andar com a mala-na-mão, …significa que têm que vender, têm que passar a vida dentro das empresas, têm que percorrer o país …, para perceberem o que é que têm que desenvolver dentro dos seus municípios; têm que funcionar como umas verdadeiras agências de investimento, têm que ser uma espécie de director comercial”. E referiu o caso de Paredes de Coura: “tem um presidente que é conhecido por todo o país por ser um vendedor, …mas a verdade, de facto, é que um conjunto de empresas têm aparecido em Pareces de Coura, e seguramente não é uma câmara que tem um conjunto de vantagens que nós temos”.
Jorge Martins não disse nada novo - já por aqui tínhamos dito o mesmo -, mas foi importante tê-lo dito aos jotas laranja e ao presidente da câmara. O Desenvolvimento Económico não é uma área onde a câmara tenha uma responsabilidade directa; mas, no longo prazo, é sempre o resultado de inação política ou de políticas erradas. Por isso, o definhamento económico e social de Pombal é, em grande parte, da responsabilidade dos executivos que estiveram na câmara nos últimos vinte anos, porque nunca se preocuparam em promover e vender Pombal, em captar empresas e novos negócios. Preocuparam-se, sim, em manter-se no poder. Os presidentes que Pombal teve nos últimos vinte anos não saem com a mala a vender Pombal, no país e no estrangeiro; saem com uma mala mas é para distribuir subsídios por um associativismo falso e por comissões fabriqueiras. Opções políticas que dizem tudo sobre pessoas que as praticam: zelam bem pelos seus interesses pessoais – manutenção no poder à custa dos recursos de todos - e pouco pelo interesse comum – crescimento económico e do nível de vida das pessoas.
De seguida interveio o ilustre pombalense Manuel Sobreiro – fundador e administrador do grupo Derovo. Começou por referir que “o Parque Industrial M. Mota esgotou a sua capacidade, necessitando de ser alargado”. Acrescentou que se “deve ampliar o espaço industrial em duas vertentes muito importantes: a captação de novas empresas e novos negócios, mas por outro lado deve estar muito atenta às empresas actuais”, … porque “as suas necessidades de investimento podem ter necessidade de (implicar) deslocalização” por falta de espaço no parque. E exemplificou dizendo que “apesar de possuir uma das principais indústrias instaladas no Parque M. Mota, pelas razões já abordadas, pode ser uma das candidatas à deslocalização, a prazo”; e recordou que “em 2010 envolvi-me directamente na preferência por instalar um complexo agro-alimentar em Pombal e, depois de múltiplos contactos, não foi possível”.
Eis um testemunho cru, na primeira pessoa, de como a CMP tem funcionado de costas voltadas para o crescimento económico, nas últimas décadas. Nada de estrutural tem sido feito e muita coisa foi mal feita, por falta de visão e vocação. Como disse Jorge Martins falta-lhes mentalidade para captar investimento industrial – não tentam sequer. Nas últimas duas décadas, a câmara não captou nenhum investimento industrial de média dimensão (mais de 10 m€ de volume de negócios ou 100 trabalhadores) e nenhum se instalou no concelho. Caso único na região, o que demonstra a falta de atractividade do concelho. Por outro lado, cometeu o erro crasso de estragar o Parque Industrial M. Mota, ao alterar os estatutos, contra a exigência expressa do benemérito que doou os terrenos, permitindo a instalação de armazéns e comércio.

Os jotas laranja devem reflectir sobre isto. E os pombalenses também.

5 de junho de 2017

Pombal Primeiro


Quando há imagens que valem mais que mil palavras (aqui sem oportunistas nem manhosos, que também por lá andaram) só a darmos nota do gesto simples e desinteressado que é jogar à bola em Pombal, e (sobretudo) treinar, com poucos meios, uma equipa vencedora. Dedo ao alto ao treinador Marco Ferreira -  parte integrante de uma geração a quem a terra deve mais do que imagina - que se despede do Sporting Clube de Pombal com um troféu: o clube ganhou ontem a Taça Distrital, frente ao Marrazes, no estádio municipal de Leiria. As fotos são gentilmente cedidas pelo Zé Paulo Oliveira.

4 de junho de 2017

Autárquicas – Abiúl

Em Abiúl os processos autárquicos estão emperrados; e, em grande parte, condicionados por Sandra Barros. Quem diria que a discreta presidente da junta - eleita pelo CDS encabeçando um grupo de independentes – seria, por esta altura, favorita e condicionaria os outros. O CDS aposta tudo nela, mas não a tem certa; e ficará com as mãos a abanar se a perder para o PSD.
O PSD quer recuperar a junta, e sabe que, para o conseguir, tem que roubar a candidata ao CDS. Por isso, continua a assediá-la de todas as formas, mostrando-lhe as vantagens da troca de uma união de facto pobre por um casamento rico. Pelo meio, (o PSD) vai resistindo às investidas de António Carrasqueira, que quer voltar.
O PS continua desencontrado com o destino: o anterior candidato quer voltar a sê-lo, mas o partido quer outro, que não encontra.
Por NMPM avança, supostamente, uma empresária da panificação desconhecida.

2 de junho de 2017

Fartura de candidatos: bom ou mau?

Há um princípio dialéctico clássico que diz: “alterações de quantidade provocam mudanças de qualidade”. Mas nada nos diz sobre o sentido da alteração.
Oito pombalenses já anunciaram a candidatura à CMP. Mesmo admitindo que nem todos chegarão a votos, bater-se-á o record de candidatos. Em teoria, a existência de mais candidatos é uma coisa boa, porque geralmente mais candidatos significa mais diversidade, mais possibilidades de escolha e melhor Democracia. Mas nem sempre, mais candidatos proporcionam mais diversidade, mais possibilidades de escolha e melhor democracia.
Nas últimas eleições autárquicas concorreram quatro candidatos à CMP, que (em conjunto) conseguiram 40,9% dos votos. A abstenção (com 55,1%) ganhou! Os candidatos não conseguiram convencer a maioria dos eleitores a votar neles. Por outro lado - e muito mais surpreendente, - o somatório dos votos “nulos” e “brancos” atingiu 8,9% (5,6 brancos e 3,3% nulos) - representaram a terceira classe/força mais votada.
O incremento de candidatos traz incremento de qualidade? Veremos. O verdadeiro teste-do-algodão à qualidade dos candidatos será dado pelo eleitorado. Se derrotarem a abstenção trouxeram mais qualidade…