29 de abril de 2017

A excursão à Guarda


Aqui na terra chega para tudo. Desta vez, D. Diogo quis dar um rebuçado aos que lhe mostram fidelidade e levou os súbditos até à Feira Ibérica de Turismo, na Guarda, numa excursão animada, a avaliar pelas poses fotográficas. Gostámos particularmente deste momento, em que os autarcas (executivos ou de corpo presente nestas ocasiões) absorvem qualquer coisita de afectos, antes de regressarem ao seu cantinho.
Manuel Serra teve oportunidade de, por um dia, de distrair das arrelias que grassam pelo Oeste.
Carlos Domingues quase parecia outra vez presidente da Ilha.
Carlos Cardoso abafa por completo o submisso sucessor, como se já fosse outra vez presidente da Redinha. 
O ar da Guarda (que chegou a ser vendido em garrafinhas) fez bem a Ana Gonçalves. Apresenta-se com muito melhor cara do que no dia anterior, na Assembleia Municipal.
E o rapaz do Carriço, ri-se. É o melhor, realmente.

Luta de galos do mesmo poleiro - round 1

Entre o falso santo e o desajeitado de espírito incorrigível.
Valha-nos a Senhora da Boa-Morte.

Saiu uma taluda a um munícipe de Abiúl

Que vai ser paga pela CMP, ou seja, pelos pombalenses. 
É o resultado de muita incompetência, muita irresponsabilidade e muita promiscuidadeMas que serve para espicaçar, agora, uma luta de galos do mesmo poleiro; com a oposição, calada, a apreciar o espectáculo.

28 de abril de 2017

O público da Assembleia Municipal

"Os últimos a falar deveriam ser os primeiros a ser ouvidos", disse Emanuel Ferreira, cidadão residente no Outeiro do Louriçal, natural da Guia, reformado, dirigente associativo, outrora entusiasta simpatizante do PPD/PSD. 
Aqui no Farpas - onde o poder não pode pôr a pata - será o caso. Este é o primeiro post que resulta da reunião de ontem, da fracturante reunião da Assembleia Municipal. O filme não mostra planos daquele munícipe, mas há males que vêm por bem: mostra os semblantes de João Coucelo, Pedro Pimpão, Pedro Brilhante, e daquela rapariga loira que não sei quem é, da bancada do CDS. Os brasileiros usam com frequência um termo que se adequa bem à expressão daquele colectivo enquanto ouvia o senhor: o deboche.  
Se mais vezes os cidadãos fossem às assembleias de freguesia e à Assembleia Municipal manifestarem-se, a democracia não tinha chegado ao estado a que chegou. Percebo que é precisa muita muita coragem para isso. E para não estar sujeito ao resto. E para aguentar as consequências.

O Pimpão (não) vai para a junta


Pedro Pimpão vai ser cabeça-de-lista do PSD à junta de Freguesia de Pombal. Com a não entrada na lista de D. Mateus e o lugar de deputado em risco na próxima legislatura - fruto da inevitável renovação profunda das listas do PSD, da sua não descolagem da imagem jota e da falta de afirmação como deputado da nação – encontra ali o seu refúgio, o palco que lhe permite contornar o esquecimento e continuar a via-sacra da auto-promoção.
Se o Pedro for eleito, não vai, com certeza, exercer o cargo de presidente da junta, porque manter-se-á, com certeza, como deputado. Por isso, convinha que no momento de apresentação da candidatura esclarecesse quem é o número dois – aquele que vai exercer a presidência da Junta – e a forma como se propõe articular com ele ao longo do mandato. A bem da Democracia.

25 de abril de 2017

Nove anos de Farpas


O Farpas comemora hoje o seu nono aniversário. A ideia de criar um weblog, um diário digital, onde pudéssemos partilhar convosco textos mordazes, irónicos, justos, nasceu no dia em que tomámos consciência de alguns contornos do perfil do nosso tempo.

Em 2008, Pombal era um concelho totalmente pintado de laranja: todas as 17 freguesias eram geridas por autarcas sociais democratas e a Câmara era liderada pelo Engenheiro Narciso Mota que, em 2005, tinha conseguido 63,08% dos votos. A avassaladora hegemonia política e eleitoral do PSD, por mais que agradasse aos sociais democratas, não era salutar para a democracia. Por todo o concelho proliferava uma classe política pouco culta onde os laços de consanguinidade e os interesses obscuros eram mais fortes que os vínculos ideológicos. O polvo cor-de-laranja era como uma doença que fragilizava a cidadania. 

Aquilo a que se acordou chamar "espaço público" era praticamente inexistente. A onde laranja foi engolindo contestações, comprando favores, mantendo uma imagem caricatural de pluralismo em rádios e jornais que se comportavam como meras caixa de ressonância do poder e recusavam o papel de despertadores de consciências. Era urgente romper com a indiferença generalizada perante esta situação, criando espaços de intervenção cívica e de aprofundamento da cidadania. Foi isso o que pretendemos fazer com o Farpas. Correndo o risco de ser pretensioso, afirmo que o Farpas veio trazer uma lufada de ar fresco ao panorama opinativo pombalense, contribuindo para a construção de uma sociedade civil mais pujante e participativa.

Desde o início que nos assumimos como um blogue político de cariz eminentemente regional. Nascemos com o intuito de farpear os interesses e os poderes instalados e, goste-se ou não, é o que temos feito ao longo destes nove anos. Perdemos muitas das batalhas. Um ano após temos surgido, o PSD aumentou a sua votação de 63,08% dos votos para uns históricos 65,79%. Ganhámos inimigos, ódios de estimação e, muitas vezes, questionámos a nossa existência. Mas enquanto os poderes instituídos se recusarem a admitir que o Farpas é também uma forma de participação cívica e os "da casa" forem vistos como "forças do mal", a nossa tarefa continua a fazer sentido. 

Obviamente que somos lidos por autarcas e políticos. Neste momento somos a voz mais crítica em Pombal, o que permite ao poder aferir o resultado da sua actuação. Mas também somos lidos por muitos pombalenses que nos vêm como fonte de informação, mesmo sabendo que não somos isentos e recusarmos o rótulo de meio de comunicação social. É por eles que prometemos continuar a cravar as nossas pequenas farpas nos oportunistas, nos manhosos, nos servis, nos obscenos. 

Quo vadis 25 Abril


Dirigi-me ao Café Concerto para assistir à Sessão Evocativa do 25 de Abril, promovida pelo município, na esperança que se cumprisse Abril, nesta terra, pelo menos neste dia.
Saí a meio, enjoado, com uma cerimónia anti-25 Abril: triste, oca, bafienta, bajuladora e sem povo (sem ninguém, sem alma).

Há pessoas que perderam, definitivamente, a noção do papel que representam e do ridículo a que se expõem, porque já não são capazes de perceber o simbolismo de alguns momentos ou datas. E quando a oposição embarca na fantochada e faz figura patética assistindo aquilo, não há esperança nenhuma de inverter isto.

21 de abril de 2017

E a transparência, Diogo? (IV)

No que se refere ao controlo interno auditoria da Inspecção Geral das Finanças (IGF) constatou muito descontrolo:
- “O Município não deu cumprimento aos deveres de informação previstos no CCP, na elaboração e remessa dos relatórios de contratação e dos relatórios finais de obra e, em alguns processos, não foi elaborada a conta final de empreitada”.
- “A Norma de Controlo Interno encontra-se desatualizada e com conteúdo pouco densificado, nomeadamente em matéria de contratação pública”.
- “Detetaram-se fragilidades no sistema de controlo interno, em especial no âmbito do acompanhamento e fiscalização das empreitadas de obras públicas, bem como na sistematização e avaliação do histórico de empreiteiros e fornecedores”.
- “O PGRCIC tinha diversas insuficiências, designadamente quanto à adequação à atual estrutura organizativa, enunciação e afetação de recursos humanos, financeiros e materiais, monitorização das medidas nele previstas, explicitação dos resultados previstos e obtidos, calendarização e modelo a aplicar na sua revisão”.

Descontrolo que já aqui e aqui tínhamos assinalado

19 de abril de 2017

Novidades na volta do correio


Uma pessoa vai à caixa de correio e depara-se com uma carta de Narciso Mota ao concelho charneira-humanista-solidário-que-vai-do-mar-à-serra. A missiva chega com uns dias de atraso, pois que nos deseja uma feliz Páscoa. Tirando isso, o que diz? Que "Pombal somos nós". Ok.

18 de abril de 2017

A revolta dos rapazes do radical


Sempre soube que um espaço  que usa o cognome de "Radical" não teria grande sucesso em Pombal. Mas bastava mudar-lhe o nome (que vem do tempo em que a Câmara abriu um espaço dedicado à Juventude e investiu numa feira temática, honras para Fernando Parrreira e Pedro Pimpão, que nessa época foram, à vez, vereadores do pelouro), não era preciso escondê-lo no canto das arrumações, como acontece desde que a feira semanal regressou ao Largo do Arnado, neste primeiro mandato de Diogo Mateus.
Basta ir à feira semanal para perceber que o argumento da mudança é falacioso. Não é preciso grandes estudos para concluir que, na verdade, a Câmara só não queria ali "aquela malta". E então mudou-se o halfpipe (já na altura degradado) para aquele canto entre a linha do comboio e o rio, junto pavilhão das actividades económicas, junto ao relvado onde as famílias levam os cães a fazer xixi. No sábado de aleluia, a comunidade de skaters, bikers e outras andanças juntou-se para manifestar o desagrado e reclamar melhores condições para a prática, como acontece nos concelhos vizinhos, para onde vão muitas vezes. À hora marcada também apareceu o vereador Renato Guardado, muito jovem, de mochila às costas e projectos lá dentro para discutir com os simpatizantes da causa, como se pode ver aqui. Por instantes achei que ia sacar de um back flip...mas afinal ficou-se por uma manobra ligeira. E mesmo sendo este o ano de todas as promessas e obras, não custa nada assinar a petição.

E a legalidade, Diogo?

No que se refere às prestações de serviços, as irregularidades são ainda mais graves. A auditoria da Inspecção Geral das Finanças (IGF) constatou o seguinte:
- “Nos contratos de prestação de serviços, cujo montante global ascendeu a 21 M€, verificou-se, na modalidade de avença, a consulta a um único prestador, em incumprimento dos princípios da concorrência e da transparência”.
- “Em diversos contratos de prestação de serviços, a fundamentação da escolha de procedimento pré-contratual ao abrigo de critérios materiais foi insuficiente, com efeitos adversos ao nível do cumprimento dos critérios da concorrência e da transparência”.
- “A generalização da emissão de parecer prévio nas prestações de serviços às situações não expressamente excecionadas, só ocorreu com a publicação da regulamentação especificamente aplicável às autarquias locais em 2015, não tendo sido, até esse ano, adotado o procedimento correto”.
- “Detetaram-se incorreções na aplicação das reduções remuneratórias previstas nas sucessivas LOE, aplicáveis às prestações de serviços, decorrentes quer de dúvidas interpretativas legais, quer de erros na aplicação e fórmulas de cálculo, que resultaram em valores materialmente pouco relevantes, os quais devem ser objeto de regularização pela entidade”.
Eis a confirmação do que por aqui, aqui, aqui e aqui, fomos dizendo. A IGF só não disse que boa parte das avenças são ilegais, talvez por que essas ilegalidades não entravam no âmbito da auditoria. Mas cabem seguramente no âmbito de actuação da ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho.

17 de abril de 2017

E a transparência, Diogo? (III)

No que se refere às obras públicas por ajuste directo as irregularidades são mais graves. A auditoria da Inspecção Geral das Finanças (IGF) constatou o seguinte:
- “O critério utilizado para verificação do cumprimento da acumulação por empreiteiro, não se encontrava devidamente densificado e não resultava dos respetivos processos qualquer documento ou outra evidência de que esse risco tenha sido acautelado”.
“Insuficiente demonstração, nos ajustes diretos, do critério utilizado e do controlo do valor acumulado por empreiteiro”.
- A diversificação de consulta/adjudicações a diferentes empresas era meramente aparente, em alguns processos de empreitadas, uma vez que foram identificadas situações em que os titulares dos órgãos sociais eram as mesmas pessoas e em que a sede social também era a mesma. Esta prática assume especial gravidade no caso dos ajustes diretos, por potenciar uma subversão à regra legal que visa limitar a adjudicação ao(s) mesmo(s) empreiteiro(s) após consulta formal a vários.”
“Consulta a diversos empreiteiros cujas empresas integram pessoas com identidade coincidente nos órgãos sociais e/ou a mesma sede.” 
Eis a confirmação daquilo que os observadores mais atentos e informados sabiam mas não podiam afirmar publicamente: relação promiscua com empreiteiros.

14 de abril de 2017

E a transparência, Diogo? (II)

No que se refere à adjudicação e execução das empreitadas, a auditoria da Inspecção Geral das Finanças (IGF) constatou o seguinte:
- “As empreitadas adjudicadas, no triénio 2013-2015, representam 34 M€ e a execução física e financeira dos respetivos contratos evidenciou desvios, o incumprimento dos prazos de execução e cronogramas financeiros e insuficiente justificação para a sua existência”.
- “Não há evidência da adoção de medidas de correção e/ou aplicação de sanções contratuais, mesmo nos casos em que eram aplicáveis”.
- “Desvios na execução física e financeira das empreitadas, sem aplicação de medidas corretivas e/ou sancionatórias”.
A informação relativa à fiscalização da execução das empreitadas, a cargo dos técnicos municipais, era insuficiente, não havendo evidência da aferição e controlo do desenvolvimento físico das obras, face ao plano aprovado”.
- “Escassa informação da fiscalização no acompanhamento da execução das empreitadas”.
A gritante falta de planeamento, acompanhamento e controlo das empreitadas advém, por um lado, da relação promiscua com os empreiteiros, por outro, da impreparação e a falta de autonomia dos principais responsáveis.

13 de abril de 2017

Fala quem sabe

E diz o que todos veem, menos os promotores da Marcha Lenta.
A demagogia tem perna curta.

O último apaga a luz

As freguesias endinheiradas são assim: fazem festas que põem as do Bodo num chinelo, não prestam contas a ninguém, e ainda se dão ao luxo de iluminar os caminhos de noite e de dia.

Louriçal, às 14h30 do dia 11 de Abril, deste ano da graça de 2017...


e...hoje, 13 de Abril, às 10 da manhã. Fotos do João Pedro Domingues, que quer ser presidente da junta dessa bela localidade. E há coisas que não é preciso ser iluminado para ver.

E a transparência, Diogo? (I)

A maquilhagem pode criar máscaras bonitas, tal como a propaganda pode iludir muita gente, conquistar simpatias e bons lugares em rankings feitos à medida. Mas tanto uma coma a outra, não mudam a realidade. Há sempre um momento em que alguém observa mais de perto, avalia, inquire, recolhe evidências, conclui. E desmascara.
A Inspecção Geral de Finanças (IGF) verificou se a “utilização de recursos públicos na área da contratação pública respeitou os princípios da legalidade, da concorrência e da transparência” e concluiu pela “inobservância das regras de transparência em procedimentos de contratação pública”, com múltiplas irregularidades, que, cada uma per-si, justificam post. As múltiplas irregularidades e ilegalidades detectadas reduzem a pó a gestão da CMP. Lá se foi a tão propalada capacidade de gestão de Diogo Mateus - a legalidade, o rigor, a transparência...

O Farpas - sem grandes meios mas com algum faro - já por aqui, aqui, aquiaqui e aqui tinha apontado várias irregularidades e ilegalidades. Mas estava longe de imaginar que a realidade fosse tão negra. 

10 de abril de 2017

Contra o povo e o resto

As obras de requalificação da sede de Abiúl avançam aos solavancos, sem plano e sem norte, contra o povo e o resto. Estiveram paradas, supostamente, para introduzir correcções e melhorias no projecto. Puro engano. Percebe-se, agora, que foi um estratagema para arrefecer os ânimos da contestação. 
Pelo meio, D. Mateus fez uma longa visita à vila, com o seu executivo e staff, para, supostamente, ouvir os Abiulenses e os seus legítimos representantes. Propaganda. Não ouviu nada. O projecto avança, com meros retoques para enganar distraídos, como o poder autista sempre quis.
Entretanto, foram encontrados alguns vestígios históricos e uma estrada antiga que ninguém conhecia, por debaixo da existente. Vai ser tudo soterrado. A obra tem que avançar. O que fica escondido não se vê; sejam velhas condutas ou património.

8 de abril de 2017

Um almoço-debate para comemorar a liberdade



O Farpas comemora 9 anos neste 25 de Abril. Antecipámos a comemoração para sábado, dia 22, num almoço-debate que promete fazer história: O deputado e bloguer João Galamba vem a Pombal debater a liberdade e a blogosfera, juntando-se aqui a Pedro Pimpão, um dos primeiros entusiastas locais do fenómeno on-line.
As inscrições são limitadas ao número de lugares disponíveis na sala, pelo que os interessados devem fazê-lo até ao dia 17 de Abril, para o e-mail farpaspombalinas@gmail.com

7 de abril de 2017

Que trata da partida do Príncipe para o retiro espiritual

O príncipe partiu para o retiro espiritual, que cumpre anualmente, em busca de paz, da expiação dos pecados e da bênção divina para as difíceis pendências que o esperam este ano. Depois, viajará para terras do Sol Nascente.
Ausência tão prolongada, em período tão crítico, levaram o Príncipe a tomar as devidas precauções. Primeiro reuniu com a duquesa Prada e delegou-lhe as formalidades e a representação. Logo de seguida, chamou o seu fiel escudeiro para lhe passar incumbências várias e instruí-lo sobre o modo como proceder na sua ausência.
- Vinde aqui Pança – ordenou o Príncipe.
Que deseja meu Amo poderoso? Aqui estou – acudiu logo o Pança.
- Ide buscar papel e caneta; que não tendes cabeça suficiente para o rol de incumbências e recados…- disse o Príncipe.
Aqui estou, pronto e às ordens de Vossa Mercê – acudiu o Pança
- Já deveis saber que vou fazer o meu retiro espiritual…- começou o Príncipe.
- Fazei bem, Alteza – concordou o Pança. Muito gostaria eu de o fazer, também…
- Estes retiros não foram feitos para gente da tua condição…- atalhou logo o Príncipe.
- Percebo Alteza – concordou o Pança.
- Para além de escudeiro, o que sabeis fazer mais? - Perguntou o Príncipe.
Sei guardar um segredo, estropiar uma história, passar uma mentira, dizer grosseiramente uma mensagem ou uma ordem. Tudo o que um homem ordinário pode fazer, e faço-o com diligência – afirmou o Pança.
- Para escudeiro estais bem equipado. Mas para as incumbências que te quero passar precisais de saber mais…- adiantou o Príncipe.
- Dai-me uma oportunidade que não vos desiludireis, Alteza – asseverou o Pança.
- Vou arriscar. Se sairdes bem das muitas incumbências que te vou atribuir, far-te-ei cavaleiro – disse o Príncipe.
- O Senhor é um santo e um modelo de virtude – retribuiu, babado, o Pança.
Podeis dizê-lo, Pança; conheceis-me bem. Mas as virtudes carregam-me muito, tenho que me libertar de algumas, preciso de me tornar mais ágil para enfrentar melhor as pendências que se aproximam – referiu o Príncipe.
- Percebo, Alteza – disse o Pança.
- Como já te disse, partirei para o retiro espiritual e depois para terras do Sol Nascente. O ministro das Obras-Tortas viajará para a Gália onde estão muitos dos nossos. A governação ficará entregue à Duquesa Prada e a ti, Pança. A duquesa ficará com as formalidades e a representação. A ti deixarei o controlo das empreitadas e dos ministros, e a vigilância dos nossos correlegionários e do inimigo – ordenou o Príncipe. 
- Esteja descansado, Senhor meu – anuiu o Pança.
- Não estou, nem ficarei, mas… – retorquiu o Príncipe.
- Com a bênção de Deus e da Nossa Sr.ª do Cardal vai tudo correr bem – garantiu o Pança.
- Não contes só com Deus e os santos; conta, também, contigo – relembrou o Príncipe. Sede cauto, Pança; não te metas em brigas, refreia a língua, considera e rumina as palavras, antes de te saírem da boca; se não, sereis ceifado antes do tempo – avisou o Príncipe.
- Não receie Vossa Mercê que eu me desmande, nem que diga coisa que não venha muito a pêlo, que eu sigo sempre os conselhos de Vossa Mercê - disse o Pança.
- Então, não andes, Pança, desapertado, que o fato descomposto é sinal de desmazelado. Sê moderado no beber - não abuses da bebida, que bebida em excesso, nem guarda segredos, nem cumpre promessas. E não te enfartes em rissóis, nem arrotes em público - disse o Príncipe.
— Em verdade, senhor — disse o Pança — um dos conselhos que hei-de levar bem de memória é o de não arrotar, por ser uma coisa que faço muito a miúdo. Mas, lá isso de os governar bem não precisa de mo recomendar, porque eu sou naturalmente caritativo e tenho compaixão dos pobres, e os bons hão-de ter de mim o que quiserem, e os maus nem uma figa.
- Bem espero, Pança, bem espero – disse o Príncipe.
E de lá saiu o Pança, inchado e pomposo; não cabia em si de contente. Da sua cabeça não saia o pensamento: “Chegou a minha vez de mandar e ser obedecido”.
                                                                                                                     Miguel Saavedra

6 de abril de 2017

A caixa de pandora das eleições


Não há fome que não dê em fartura: numa terra onde a oposição tem medo de se mostrar, onde há um quarto de século tudo se pinta a laranja, e onde a falta de independência se nota no apagão da sociedade civil, as eleições de 2017 trazem à liça um chorrilho de candidaturas: Estão definidas as de Narciso Mota (que vai a jogo como independente), PSD (Diogo Mateus), PS (Jorge Claro) e de Amilcar Malho, um economista de Abiul residente em Lisboa, que amanhã se apresenta publicamente no mesmo local onde Narciso se apresentou: o auditório da Caixa de Crédito Agrícola. É curiosa a escolha deste local pela maioria dos candidatos (até Jorge Claro lá vai apresentar-se, dia 21), havendo uma fartura de espaços municipais devidamente equipados - e desocupados. Falta agora conhecer oficialmente os nomes das candidaturas do CDS (olá Sidónio), do Bloco de Esquerda (que desta vez vai a jogo, ao contrário de 2013, e prepara um evento nacional para a cidade, em Maio), da CDU (sempre), e - quem sabe - do MTP - Partido da Terra (olá Álvaro), embora este último não dê sinais de vida desde Novembro. É toda uma vitalidade que se abre, afinal. Ou como as aparências iludem.

Da série "Faz & Desfaz"

Decorriam a bom ritmo as obras de construção dos passeios na minha Moita do Boi - entre a Guia e o Louriçal - quando os moradores foram surpreendidos não com uma marcha lenta, mas com uma marcha atrás. Diz que afinal a aldeia só precisa de passeios de um lado da estrada (o direito, certamente). E então é ver os trabalhadores afincadamente a desfazer o que ainda agora tinham feito. Isto a mim choca-me. A vocês não?


3 de abril de 2017

Concordo, Dom Diogo

Na última reunião, respondendo a Jorge Claro, Diogo Mateus afirmou: “Primeiro, como o senhor bem sabe, a probabilidade que tenho de ganhar as eleições é zero por cento, zero por cento; segundo, o senhor será sempre um homem mais feliz, tendo-me como presidente, do que tendo-me à sua perna como vereador”.
Nestes dois curtos comentários estão plasmadas as duas faces de Dom Diogo. No primeiro, a falsa modéstia, uma forma de vaidade. No segundo, a franqueza canina.
Numa coisa estamos de acordo: Dom Diogo seria, com certeza, melhor líder da oposição do que do executivo - teríamos aquilo que não temos tido: oposição a sério.

Está na mão dos eleitores colocar as pessoas certas, nos lugares certos.
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2 de abril de 2017

1 de abril de 2017

A ingratidão de Dom Diogo

Uma das boas medidas deste executivo é a transmissão em directo das reuniões camarárias abertas ao público. Claro que Dom Diogo - que nunca deixa livre a vaidade e a tribuna - esperava beneficiar da medida; mas evitava de abusar do expediente. O excesso de vitamínico é contraproducente.
Dom Diogo tem sido ingrato com muita gente, mas evitava de o ser com aqueles que não lhe criam problemas. O comportamento com os vereadores da oposição é um desses casos. Dom Diogo nunca esperou ter uma oposição tão doce, tão meiga e tão fraca. Mas deveria ter percebido que, de vez em quando, a oposição (esta) tem necessidade premente de por a cabeça fora de água, para poder respirar e mostrar que ainda está viva. Dom Diogo tinha todo o interesse em permitir a escapatória, em dar algum oxigénio à coisa, em mantê-los vivos. Logo, não se percebe por que insiste em salgar o que é naturalmente doce, em afundar o que só se quer manter à-tona-de-água. 
Desde o início que a oposição quis ser a menina bem comportada – educada, meiga e doce – e daí tirar benefício. Na sua ingenuidade, ignorou os riscos do jogo que estava a jogar. Agora, quer, sem plano e sem jeito, recuperar o tempo perdido: quebrar unanimidades construídas, exigir o que deu, fazer roteiros que perdeu, etc.
O jogo político assemelha-se muito a um jogo que as crianças da época dos vereadores da oposição jogavam: o jogo do rapa. A maioria das crianças percebe rapidamente o fito do jogo: rapar (ou ser rapado). A oposição vai ser o que já está: rapada. Caiu no engodo do soberbo; e, agora, pouco lhe vale espernear. A. Dumas disse que “há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão”. Está justificada a ingratidão…