18 de agosto de 2017

Já não há visita em Vermoil?


Estava tudo convidado para a inauguração visita às instalações do novo Pólo Escolar de Vermoil, marcada para amanhã, quando esta tarde fomos surpreendidos com o cancelamento do evento. Ora, como no facebook do Farpas, esta semana, alguém lembrava que poderia a Junta local estar a incorrer no mesmo tipo de irregularidade que a Câmara, no caso do Louriçal, resta-nos saber se a CNE tem alguma coisa a ver com isto. Das duas uma: ou  a Junta recebeu indicações expressas para não fazer (correndo o risco de ser confundido com aproveitamento e propaganda) ou fica-se pela bênção em modo recatado. First ist First.

Aprender com Arouca

Movido pela curiosidade paisagística e técnico-política visitei os Passadiços do Paiva, no feriado.
As belezas do local suplantaram as melhores expectativas e merecem nova visita, no inverno, para ver o rio correr bravo naquela garganta formada por encostas ingremes de rochedos, e as quedas vertiginosas das cascatas, os sons e aromas dessa época do ano. 
O sucesso e a sustentabilidade do projecto entram pelos olhos dentro: fez de Arouca uma atracção turística durante todo o ano, é economicamente sustentável, tem impacto mínimo na Natureza (as visitas estão limitadas a 2500 pessoas por dia), é revertível (facilmente removível e não deixa mazelas na Natureza).

Mais uma vez se comprova que o sucesso de uma terra depende, acima de tudo, de meia dúzia de boas ideias e da capacidade de as colocar em prática; e não de projectos irrealistas (megalómanos), que não agregam valor e (só) sugam recursos. Arouca é um pequeno concelho rural, no interior norte do país, com 22.000 habitantes, com parcos recursos e fracas acessibilidades, mas atrai mais turistas num mês do que Pombal no ano inteiro. Arouca tem - tal como Pombal - uma serra na rede Natura 2000, que preserva e valorizou com os Passadiços do Paiva. Pombal despreza a sua, deixa-a ao abandono e desqualifica-a com o elefante-branco CIMU-Sicó.

17 de agosto de 2017

Religião e Política

A promiscuidade entre a política e a religião é um traço característico das comunidades atrasadas.
Em Pombal, a política e a religião é um submundo viscoso, pernicioso e vicioso; onde favor compra favor ou favor paga favor.
Há uns meses atrás a câmara atribuiu um subsídio à comissão fabriqueira de Abiúl - Ramalhais.
No próximo fim-de-semana, realizam-se as Festas em de Nossa Senhora da Conceição, no Ramalhais.
A comissão fabriqueira incluiu no programa das festas - em pleno cartaz - a presença presidente da câmara e da presidente da junta.
O presidente da câmara e a presidente da junta acordaram, com certeza, a presença no convívio e farão, com certeza, também, os discursos aos crentes onde anunciarão mais umas prebendas.

E assim prosseguirá, na paz dos anjos, o círculo vicioso.

16 de agosto de 2017

Farpas no top

Anteontem, o Farpas (blog) atingiu o recorde de 6918 visualizações num só dia (foi visto por 6918 IP`s diferentes – por muito mais pessoas porque só conta uma visualização por IP). No facebook, no mesmo dia, o post mais visto atingiu 9282 visualizações
O recorde de visualizações coincidiu com a publicação de dois posts sobre o Louriçal.
Somos cada vez mais lidos, e não é só na cidade… 
Estamos em máximos, e com tendência de subida!

14 de agosto de 2017

Afinal, há oposição

A descarada acção de campanha de apresentação das Obras de Construção do Centro Cultural e do Mercado do Peixe do Louriçal, agendada pela Câmara Municipal de Pombal (CMP) e Junta de Freguesia do Louriçal (JFL), deliberadamente para o dia 14 de Agosto, pelas 18h 30 min, dentro do período de campanha (e das festas locais), foi CANCELADA.
A CMP e a JFL foram obrigadas a cancelar o evento porque a Comissão Nacional de Eleições, na sequência de uma queixa apresentada pelo Bloco de Esquerda, considerou que o evento violava a lei eleitoral.
Haja alguém com coragem para por alguma ordem no regabofe que é utilização de recursos públicos para campanha eleitoral.

13 de agosto de 2017

A privatização das festas do Louriçal


A organização das festas do Louriçal (a cargo de uma espécie de associação criada para o efeito pelo magnata António Calvete) tem vindo a progredir a passos largos na transformação das festas num evento privado, com o apoio da Junta e da Câmara (que contribui com dinheiro nosso para aquilo). Este ano a comissão deu um passo maior na prossecução desse objectivo, ao vedar por completo as festividades. Por exemplo, quem quer ir jantar às tasquinhas (a cargo de colectividades que usam o voluntariado dos seus dirigentes e sócios para servir às mesas e ainda pagam uma bela factura à organização) tem de pagar primeiro o respectivo ingresso (por 4 ou 8 euros por dia, conforme o artista) para poder entrar no recinto. O mesmo acontece com quem ir levar as crianças aos carrosséis, comprar uma fartura ou algodão doce. Nem se percebe por que razão foram as ruas enfeitadas, pois que as despiram de festa, privando o povo de a viver.
Para cereja do bolo, resta dizer que, até hoje, nos últimos quatro anos, ninguém prestou contas de qualquer edição das festas. Calvete diverte-se com os amigos nos bares, os políticos desfilam por lá no dia da inauguração, e enchem as mesas ao jantar. Neste domingo, havia espaço livre à hora de almoço nas tasquinhas, e ruas desertas na vila. Talvez a esta hora o presidente José Manuel Marques já tenha percebido que não há almoços grátis. Ou não.

12 de agosto de 2017

As festas&arraiais vão decidir as eleições


Como os candidatos se limitam a explorar a exposição pública nas festas&arraiais, aposto cruzado contra vintém que as festas&arraiais vão decidir as próximas eleições (quem mais participar nas festas&arraiais mais votos terá, e vice-versa).

11 de agosto de 2017

Onde se dá conta da conversa (azeda) do Príncipe com o Pança

O Príncipe, depois de mais uma noite mal dormida, apresentou-se abespinhado no trono. Ao passar pela donzela do serviço ordenou-lhe que chamasse o Pança; ao que a ela respondeu:
- O Pança está de férias, Alteza.
- O Pança não tem direito a férias. Mande-o vir, e rápido… - ordenou o Príncipe.
- Vou tentar, Alteza – respondeu, com reservas, a donzela.
Mal se tinha sentado, estava ainda a digerir as reservas da donzela, e já esta se apresentava à porta para informar Sua Alteza que o Pança estava a banhos no Sul…
- Ligai-lhe, e passai-mo…- ordenou o Príncipe.
- Assim farei, Alteza – retorquiu a donzela.
Daí a pouco estava a donzela a informar que tinha o Pança em linha. O Príncipe atendeu, e começou inquirindo:
- Por onde andas Pança? Porque vos ausentastes neste momento crítico?
Ao que o Pança respondeu, seguro: - estou de férias, Alteza! Também mereço…
- Um escudeiro, fiel e próximo, não tem direito a férias – deve estar sempre disponível para o seu Amo. Fizeste de propósito, malandro? Perguntou o Príncipe em tom provocatório.
- Credo, Alteza! Não sejais assim comigo... Eu dedico o dever, assim como a alma, primeiro a Deus, depois a Vossa Alteza – afirmou, condoído, o Pança. E acrescentou: mas também preciso de uns dias de bom-passadio com a família...
- Ausentastes-vos e deixastes-me sozinho no período mais crítico – afirmou o Príncipe.
- É por pouco tempo, Alteza – contrapôs o Pança. E o Senhor não está sozinho: tem a sua equipa, os mandatários …
- Não me lembreis coisas tristes… – afirmou o Príncipe - Perdi a confiança nos ministros, e eles em mim; se alguma vez a houve…
- Não acredito... Tenho lido - como é minha obrigação (mesmo em ócio) - os boatos que eles inventam ou reproduzem no sítio subversivo, mas não os levei a sério. Aquilo é só para nos destabilizar. Não valorize, Alteza; o povo está sereno e controlado – é muito fiel ao partido do regime - …- contrapôs o Pança.
- Gostava de acreditar no que me dizeis, Pança; mas não posso: estamos rodeados de inimigos...- afirmou o Príncipe.
- Acreditai-me, Majestade; as coisas estão controladas: a oposição está abafada, e o Inimigo será posto na ordem no momento certo. Deixai-o aos cuidados do meu desprazer – contrapôs, novamente, o Pança.
- Não digas sandices, Pança. Como coisas estão, corro sérios riscos de ser derribado do poder por um velho tonto. Dize-me, Pança: haverá maior humilhação...? – perguntou, afirmando, o Príncipe.
- Não gosto nada de o ver tão inseguro…. É mau presságio…- referiu o Pança
- É a realidade, Pança: os inimigos estão no nosso seio. O que designas por Inimigo é só adversário, e previsível…- afirmou o Príncipe. E continuou: - preciso de ti, aqui, no terreno…Há muito trabalho sujo para fazer, e para esse tipo de trabalho não se encontra facilmente quem o saiba ou o aceite fazer.
- Esta fase é de formalidades…E o Senhor está muito bem apoiado por dois correligionários doutos em leis – afirmou o Pança.
- Enganas-te, Pança: o da propaganda já saltou fora; e no Trincaferros não posso confiar…
- O Senhor não confia em ninguém…Como é que quer que as pessoas confiem em si? – perguntou, afirmando, o Pança.
- Já falaste demais, Pança; e estais no mesmo registo dos outros… Entupíeis-me os ouvidos com palavras que de todo me são insuportáveis. Mas devíeis saber – se não o sabes, já - que te despacho mais facilmente do que aos outros. Faço-te voltar para Contador-de-notas - se eles lá te aceitarem -, e acabo-te com a vida boa …- ameaçou o Príncipe.
- Fazei o que entenderdes, Senhor; já estou, também, por tudo…Esta vida de escudeiro é muito desgraçada e pouco agradecida. E com um amo como o Senhor já vi que nunca chegarei a cavaleiro. O que eu quero mesmo é tornar-me governador do meu condado e fazer-me cavaleiro – concluiu o Pança.
                                                                                                                         Miguel Saavedra

10 de agosto de 2017

Abusos dos autarcas-candidatos e uma sugestão para lhes por cobro

Sempre que nos aproximamos de eleições autárquicas a Comissão Nacional de Eleições, órgão que assegura o regular funcionamento das eleições e das (pre-)campanhas, vê o seu volume de trabalho aumentar exponencialmente.
Como assevera Manuel Carvalho no Público, “O número de queixas que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) recebe por esta altura é um bom indicador da mobilização cidadã e, ao mesmo tempo, a prova de como o abuso de poder, o uso de recursos e de funções públicas para funções partidárias, o sectarismo faccioso e o personalismo caudilhista continuam a contaminar o ambiente em que eleitores têm de fazer as suas escolhas”.
Manuel Carvalho acerta na muche. Os órgãos de administração autárquica têm de cumprir com os seus deveres de imparcialidade e de neutralidade e, por isso, não podem incorrer em atividades que beneficiem qualquer partido político nem qualquer candidatura autárquica. Sobre isto a legislação é cristalina e não deixa sombra de dúvida. Por exemplo, no nº 4 do artigo 10.º da Lei n.º 72-A/2015 consta que a partir da publicação do decreto que marca a data das eleições (no caso das autárquicas 2017 a publicação foi a 12 de maio) “é proibida a publicidade institucional por parte dos órgãos do Estado e da Administração Pública de atos, programas, obras ou serviços, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública”.
Se há por todo o país um lado negro de abuso de poder e autoritarismo caciquista nas eleições autárquicas, esse lado negro não podia faltar aos executivos autárquicos do concelho de Pombal. Num período de 10 dias, de 28 de julho a 6 de agosto, podemos encontrar o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Pombal e cabeça de lista pelo PPD-PSD ao mesmo órgão, Diogo Mateus, em 36 fotografias publicadas na página de Facebook do município. Como seria de esperar, nenhum outro munícipe está tão insistentemente representado na página como Diogo Mateus.
Mas, como se o abuso fosse pouco, o PPD-PSD, por via dos executivos autárquicos que controla, decide dar mais um passo no terreno da ilegalidade e do desaforo e convida os munícipes a participarem na “apresentação das Obras de Construção do Centro Cultural e do Mercado do Peixe do Louriçal, a decorrer no próximo dia 14 de Agosto, pelas 18h 30 na Junta de Freguesia do Louriçal”. O que está em causa é uma verdadeira ação de campanha eleitoral do PPD-PSD promovida com a chancela de duas autarquias locais, a Câmara Municipal de Pombal e a Junta de Freguesia do Louriçal.
Esta forma de atuar destes dois órgãos municipais do concelho, ilustrada tanto pela cascata de fotografias de promoção de Diogo Mateus como pelo convite para a apresentação de projetos de obras, tem objetivos eleitorais que são por demais óbvios e viola a lei e os deveres de imparcialidade e neutralidade dos órgãos da administração autárquica. O pior que podemos fazer é olhar para casos como estes e encolher os ombros, pois estaremos a permitir que do opróbrio aos nossos direitos democráticos se faça regra. A participação à CNE é, portanto, algo que devemos encarar como um dever de cidadania. Sobre estes dois casos já fiz seguir a devida participação. Caso o/a leitor(a) se aperceba de outros atropelos semelhantes, incito-o/a a participá-los para cne@cne.pt, preenchendo este formulário ou ligando para o 21 3923800.

NB: Deixo o meu agradecimento ao Farpas por, nas suas próprias palavras, “abrir a porta do blog à opinião de todos os candidatos autárquicos que entendam partilhar artigos”. Num concelho onde escasseiam meios de comunicação, esta é uma forma do Farpas Pombalinas prestar um serviço público à população do concelho. 

Farpas Convidadas: Gonçalo Pessa (Cabeça de Lista do BE à CMP)

9 de agosto de 2017

Vila Cã: o triunfo das mulheres, a derrota do PS

                                                       foto da Ana Tenente in Pombal Jornal

A freguesia de Vila Cã continua pequena no tamanho e grande em disputa autárquica. Em quatro anos, muita coisa mudou. Maria José Marques (PSD) passou de primeira apoiante de Ana Tenente para principal adversária no acto eleitoral que se aproxima. Ana Tenente, actual presidente da junta, perdeu exército mas volta a batalhar como independente, com o apoio de Narciso Mota. O CDS vai a jogo com Liliana Silva - a jovem e dinâmica presidente da associação local, no dizer da JSD. E o PS, que ainda há oito anos alcançou 40% dos votos, fica de fora. A um partido que quer ser levado em conta como alternativa ao poder exige-se mais do que isso, numa terra em que até os independentes formam listas.

Pergunta indiscreta

Nos últimos quatro anos, quem é que construiu mais muros: Benjamin Netanyahu na faixa de Gaza ou D. Diogo em Pombal?

8 de agosto de 2017

Autárquicas 2017: a virtude está nos extremos


Se as eleições autárquicas servissem apenas para trazer jovens dinâmicos e com potencialidades para a vida política pombalense, já valeriam a pena. Este ano temos a sorte de poder contar com Gonçalo Pessa, candidato pelo BE à Câmara Municipal e (apesar de não o conhecer tão bem e, por isso, me abster de comentar mais) Sidónio Santos, candidato à Câmara Municipal pelo CDS-PP. 

O que gostaria de destacar é o empenho com que ambas as candidaturas se apresentam. Mesmo sabendo que os seus objectivos não passam pela conquista do poder, tanto o BE como o CDS-PP mostram ambição de eleger um vereador e lutam por isso. No caso do BE, a eleição de um elemento para a Assembleia Municipal já seria uma vitória eleitoral. Daí que o partido faça muito bem em assumir a estratégia de promover a candidatura de Célia Cavalheiro ao mesmo nível da candidatura de Gonçalo Pessa. 

Uma palavra final para Gonçalo Pessa. Para além de ser um jovem inteligente e muito bem formado, tem conseguido marcar a agenda política local com iniciativas de grande mérito. Para começar, a apresentação da sua candidatura decorreu num evento de âmbito nacional (o Inconformação 2017, realizado na Escola Secundária de Pombal). Depois, conseguiu trazer a Pombal, no Domingo do Bodo, a líder do seu partido para participar numa iniciativa de pré-campanha. Muitos parabéns; nem todas as candidaturas se podem orgulhar desse feito!

7 de agosto de 2017

Fumo laranja (IV), queimado

Depois de muita revolta e ameaças, D. Diogo (lá) consegui formar lista e fazê-la engolir pelo partido e vereação.
Guilherme Domingues cai do lugar do morto e sai da lista. Há quem diga – no partido e fora dele – que é melhor assim: cair já – mais vale cedo do que tarde. Para o seu lugar foi repescado Pedro Murtinho.
Ana Cabral fica em número dois; contra a vontade de uma boa parte do partido. Ana Gonçalves é desgraduada para a quarta posição, atrás da sua funcionária – mais vale isso, do que nada.
A doce Catarina foi mesmo despachada para o decorativo sexto lugar, e engoliu em seco.

Adenda: a lista do Pedro – essa sim – é uma coisa à-séria, e à-primeira. Da do PS não damos notícia – eles não querem que se saiba!

Obras tortas em Abiúl

Abiúl é, por estes dias (que deveriam ser de festa e oração), uma terra fora da Graça de Deus: obras tortas, igreja fechada e traições.
A câmara e a junta tiveram quatro anos para requalificar o centro da vila; mas, por conveniência ou incompetência, empurraram a intervenção para o final do mandato. Depois, fruto da contestação dos abiulenses, andaram com o projecto para trás-e-para-a-frente, simulando uma abertura que nunca existiu. Resultado: ficou tudo (ou quase) na mesma, menos o atraso e os transtornos, porque não conseguiram concluir as obras antes da realização das festas anuais.
As obras na igreja padecem dos mesmos pecados das realizadas no centro da vila (são duas faces da mesma moeda): intervenções sem planeamento, sem critério e sem estudo; que geram a contestação de muitos abiulenses, porque destroem equipamentos valiosos e irrecuperáveis. Resultado: obras embargadas e igreja fechada no mês - Agosto - mais crítico do ano – festa anual da N.ª Sr.ª das Neves e grande ocorrência de casamentos e baptizados.
Pelo meio muita traição e muito pecado mortal. E sem os confessionários disponíveis.

4 de agosto de 2017

Última hora: fumo laranja, III*

*post em (constante) actualização

Não há fumo sem fogo, já se sabe. A estrutura política do PSD vai reunir ainda hoje para baralhar e dar de novo na lista à Câmara. O que quer dizer que a ordem (divulgada aqui no Farpas esta manhã) deverá ainda sofrer alterações. O ambiente nos corredores do Convento do Cardal durante o dia de hoje era quase de Dia do Juízo Final. Se por um lado o nome de Ana Cabral é bem recebido, Ana Gonçalves não terá visto com bons olhos ser ultrapassada por uma funcionária até agora sob a sua alçada. E as entradas de Guilherme Domingues e Pedro Brilhante para os lugares de dois vereadores que tanto trabalharam ao longo do mandato (Pedro Murtinho e Catarina Silva) não caíram bem. Aguardemos então pelos desenvolvimentos, até que as listas sejam apresentadas no Tribunal, segunda-feira que vem, último dia.

Autárquicas 2017: onde está o Wally?


Jorge Claro é uma pessoa íntegra e com o PS até poderia conseguir um resultado muito interessante nestas eleições, sobretudo num cenário de grande dispersão de votos no PSD. Se número de vereadores ficasse distribuído na forma 4 (PSD) + 3 (PS) + 2 (PH), Claro teria que ter a habilidade para construir uma geringonça que o fizesse assumir o poder. 

Mas Jorge Claro tem dois problemas que poderão ser fatais: um é o PS e outro é ele próprio. O PS deveria trabalhar muito mais e não permitir a rebaldaria de opiniões que grassam nas suas hostes. O que vemos actualmente é um partido descrente e pouco focado, incapaz de ganhar eleições e gerir a Câmara. A Jorge Claro - que praticamente desapareceu do mapa em Abril, logo após a apresentação da sua candidatura -  falta-lhe o chamado "killer instinct" e, sem ele, não conseguirá sobreviver no mar de tubarões que é a nossa política concelhia. 

Fumo laranja (II)


A ordenação da lista que foi soprada ao Farpas foi alterada na reunião da comissão política.
A Ana Cabral salta para numero dois – o lugar do morto – e o Guilherme Domingues entra para número três.
O Fernando Parreira foi-se, finalmente. O Pedro Murtinho, a Catarina Silva e o Renato Guardado acompanham-no.
A JSD coloca o Pedro Brilhante no quinto lugar.

PS: No entanto, foi-nos referido que a ordenação ainda pode sofrer algum ajuste de última hora (antes da entrega no tribunal).

Fumo laranja

Estava difícil, mas finalmente habemos fumus laranja: lista do PSD à CMP.

Guilherme Domingues entra no lugar do morto, e a Ana Cabral reveza Catarina Silva.
O Fernando Parreira foi-se, finalmente. E o Renato Guardado acompanha-o.

Pelo meio, o lugar da forte JSD é dado a Pedro Brilhante – um brilhante sétimo lugar.

3 de agosto de 2017

Autárquicas 2017: luta de galos


O PSD é a única força política capaz de ganhar eleições em Pombal. Nas últimas décadas, o partido tem gerido o concelho a seu bel-prazer, sem qualquer oposição externa, contanto apenas com o Farpas como a única voz incomodativa. 

Com o objectivo de quebrar o tédio, ou apenas por inabilidade política, a concelhia social-democrata criou as condições para gerar o seu inimigo internamente. A decisão de conduzir Narciso Mota a Presidente da Assembleia Municipal e a triste novela do penico do Cardal contribuíram decisivamente para se instalar uma inédita luta de galos no seu seio. A pergunta que hoje se faz é: será que o galo velho ainda tem forças para pôr na linha o galaró e tirá-lo do poleiro? Eu aposto que não.

Narciso Mota não só não vai ganhar as eleições como corre o risco de ser humilhado. E, quanto a mim, é um resultado justo: Narciso não merece voltar a presidir os destinos da nossa Autarquia. Apesar do trabalho que tem conseguido fazer na elaboração das listas concorrentes às Juntas de Freguesia, o seu projecto político está esgotado e o povo não lhe irá perdoar aquilo que entende como uma traição. 

O velho galo, sem a mesma força anímica de outros tempos e uma equipa credível, será facilmente depenado pelo vaidoso galaró e as suas hostes aguerridas. 

2 de agosto de 2017

Sinais de esgotamento político

Quando se começam a recrutar funcionários/as para as listas.

Crónica de polícia - o circo de feras no Bodo


Quem assistiu à cena de segunda-feira à noite pôde testemunhar para que serve, todo o contingente policial distribuído pelo recinto dos espectáculos nas noites do Bodo. Diz o auto de notícia que "o suspeito encontrava-se a incomodar, nomeadamente, (a pontuação é deles...) a empurrar diversos populares no decorrer do concerto, e por não ter cessado a sua conduta, após ter sido alertado diversas vezes por parte da equipa de segurança destas festas".
Quem assistiu à cena de segunda-feira à noite, em frente ao palco onde tocavam os Xutos & Pontapés, julgou tratar-se de um perigoso terrorista que ali perpetrava um atentado contra o sossego de quem vai assistir a um concerto, sobretudo a um concerto de rock. Meia dúzia  de polícias imobilizaram o espectador "com a força física estritamente necessária, nomeadamente, técnica de mãos livres, por forma a retirar o suspeito do meio da multidão".
O suspeito é perigoso quanto isto: chama-se Pedro Brazão, vive e trabalha em Londres, está quase cego. Veio de propósito a Pombal  para assistir ao concerto da banda. Esqueceu-se, porém, que nem tudo é normal em Pombal ocidental (nem oriental, nem em quadrante nenhum). E lembrou-se de dançar e saltar num concerto dos Xutos. Quem é que se lembra de uma coisa dessas? 
A atitude violenta da polícia impressionou quem estava por perto. Calculamos que foi a coroa de glória na actuação de várias noites, em que o contingente foi exímio na prevenção. Atente-se, por exemplo, na quantidade de adolescentes que poderiam ter ficado alcoolizados até ao limite se acaso os bares lhes vendessem bebidas alcoólicas. Ainda bem que temos no Bodo tanta polícia para prevenir e assegurar a ordem... com os homens de 40 anos. Que importunam quem quer estar sossegado e tranquilo em frente ao palco, num concerto daqueles. 

1 de agosto de 2017

Autárquicas 2017: o bom samaritano


O ambiente político em Pombal está ao rubro. A principal causa desta agitação prende-se com o caos provocado no laranjal pela candidatura de Narciso Mota à Câmara Municipal.

Os que, como eu, gostam da discussão política acesa, devem um agradecimento muito especial ao presidente da concelhia social-democrata. Ao querer agradar, simultaneamente, a gregos e a troianos, o  jovem político revelou-se impotente para gerir situações de conflito. As indiscutíveis qualidades humanas do bom samaritano são, ironicamente, as suas maiores fraquezas enquanto político. 

Pedro Pimpão será, com probabilidade um, o próximo Presidente da Junta de Pombal, o que não significa que tal acontecimento tenha necessariamente que ocorrer. Com um vasto curriculum político, muito superior ao dos seus adversários, Pedro Pimpão pode orgulhar-se de apresentar como o seu maior legado a actual crise do seu partido. Após o fracasso como líder da concelhia a que presider, que garantias poderá dar aos eleitores de que não irá repetir a façanha na Junta?

31 de julho de 2017

Alerta de tsunami em Pombal

As autoridades informam que as condições climatéricas se agravaram nas últimas horas ao ponto de poder ocorreu um tsunami em Pombal.  A Oeste já se fizeram sentir os efeitos que se alastrarão a todo o concelho.
As autoridades aconselham a população a não sair de casa e a trancar portas e janelas.
A câmara mandou interromper as Festas do Bodo até que estejam asseguradas as condições de segurança.  
O PSD cancelou a apresentação dos candidatos às juntas de freguesia devido ao agravamento das condições climatéricas. Os outros partidos não cancelaram nada porque não tinham nada agendado.

Grilo já não canta no PSD

Foto: PSD Pombal, publicada no facebook a  24 de Junho último. Antes, esteve para ser mandatário.

A estrutura local do PSD está imparável na prossecução dos seus objectivos. Há oito dias, na reunião em que aprovou o nome de Fernanda Guardado para encabeçar a lista à Assembleia Municipal, o círculo serviu para fazer uma espécie de elogio fúnebre de José Grilo Gonçalves, antigo presidente daquele órgão, remetendo-o para um hipotético segundo lugar. O médico pensou sobre o assunto mas não aceitou a desfeita. E esta manhã colocou um ponto final na brincadeira, tornando efectiva a sua indisponibilidade para assumir qualquer lugar. Aqui no Farpas sabe-se que José Grilo manifestou, no entanto, outra disponibilidade: a de integrar a lista para a assembleia de freguesia do Oeste, pois que ainda é a Guia (sua terra natal) que o faz correr. Porém, essa sumidade autárquica que é Manuel Serra terá travado a intenção. (Fazer reuniões abertas no salão dos bombeiros para constituir a lista, convidar apaniguados e adversários, por sms, com o desafio "apanhe o barco também" e depois mandar outros borda-fora...é muito feio).
A realidade - que aqui consegue superar a ficção - mostra como, afinal, a cisão Narciso/Diogo não esgota as divisões no partido. E juntos seriam mais fortes, sim...

29 de julho de 2017

Pedro, o amoroso

O Pedro propagandeia por aí que ama Pombal. O Pedro é um amor de pessoa, e um verdadeiro apóstolo do “Amor” - à imagem e semelhança de Santo Agostinho. O Pedro vive de e para o povo, de e para Deus.
Agostinho definia o povo como “o conjunto da multidão de seres racionais associado pela concordância comum das coisas que ama”. E se o povo amava Deus, também podia amar a Pátria e a polis. Para Agostinho o amor a Deus e/ou o amor à Pátria seria o antídoto ao egoísmo humano (chamado de amor-próprio), sempre subjacente na espécie humana, e sempre combatido pelo cristianismo.
Foi Agostinho que introduziu a teologia do “Amor” na Política e transformou o “Amor” no mais refinado artifício do cristianismo para obter vantagem sobre as demais religiões/forças, porque sabia que na palavra “amor” há algo tão ambíguo, tão sugestivo e tão esperançoso; que até a mais fraca inteligência ou o mais frio coração percebe e sente o cintilar desse termo. O feitiço do amor tem a capacidade de agir à distância, de aproximar vontades e anseios, de diluir fronteiras entre “alter” e “ego”, de fundir subjectividades envolvidas; e tudo sem lesar a própria integridade.   
A Teologia do Amor predominou durante toda a longa Idade Média, e só foi verdadeiramente desmontada pelo Liberalismo quando Mandeville demonstrou que o que se chama de virtudes também advém do amor-próprio, do espirito-livre e do livre-arbítrio; o que obliterou a antiquíssima distinção entre o vício e a virtude.

O ascético Pedro cresceu no caldo da Teologia do Amor; e fez-se uma mescla de político e apóstolo do evangelho amoroso-altruísta - do “amor ao próximo”. O Pedro é um político rico; mas, se Pombal o amar, convinha que fosse um rico político: fiel, próximo, presente. Senão, mostra que é só amor ao poder, que o homem político é um piedoso falso. E disso já estamos bem servidos; e em dose-de-cavalo.

28 de julho de 2017

O Estado da Nação Política Local

Em ano de eleições, que vai determinar a mudança de muitos titulares de lugares políticos no nosso distrito, importa analisar o “Estado da Nação”, a nível local, antes de ocorrerem essas mudanças.
Previamente, é importante deixar aqui expressa a minha preocupação quanto ao que se diz estar a passar-se em Ansião. Não acredito ser verdade que, encontrando-se ainda em funções, o atual presidente de Câmara seja “sócio” de um empreendimento situado no seu concelho que, alegadamente, lhe servirá de garantia de futuro quando devolver a cadeira do poder a Fernando Marques. Seria mau demais que alguém, que tutela o licenciamento de obras e a fiscalização das mesmas, dado que tem o poder político máximo no seu concelho, aceitasse uma qualquer parceria como se fosse um mero cidadão comum. Por isso, não acredito que seja verdade! De resto, Rui Rocha, ao devolver a cadeira do poder ao seu dono, tal como Medvedev fez a Putin na Rússia, demonstra um calculismo político e uma frieza próprios de um autêntico eslavo. Não há dúvida que, do ponto de vista político, foi o mais eficaz possível. O PSD vai manter a Câmara de Ansião não correndo Rui Rocha os riscos suicidários do líder da concelhia de Pombal. Dessa forma, enquanto presidente da Distrital, assegura desde logo o lugar de deputado nas próximas legislativas. De se lhe tirar o chapéu! Ao invés, Pedro Pimpão, sabendo que está politicamente morto se perder a Câmara em Pombal, nem sequer arriscou ir como número dois de Diogo Mateus refugiando-se numa candidatura patusca à junta de freguesia de Pombal, com vitória garantida, assegurando, assim, emprego por mais quatro anos. Tenho de ser justo e deixar aqui patente a minha vénia pela sinceridade de Pedro Pimpão que, na apresentação da sua candidatura, disse concorrer por causa da sua família. Toda a gente sabe isso, mas ficou bem tê-lo assumido publicamente. Apesar de não ter tido coragem de arriscar ir na lista de Diogo Mateus à câmara, renegando assim Sá Carneiro, teve a dignidade de fazer essa confissão.
Como já escrevi no humorístico "Farpas Pombalinas", Narciso Mota, por sua vez, está prestes a fazer Haraquiri ao escolher para número dois o ex-vereador Micael António, conhecido como «o vereador do turno da tarde», quando dispõe de nomes fortíssimos como é o caso do Médico Emanuel Figueiredo, figura local estimada por todos, e do Coronel José Alberto Cordeiro Simões que dispõe de um curriculum impressionante, e tem, inclusive, o tirocínio de General. Meter «o miúdo» nestas condições é pura loucura que o fará perder as eleições. Escrevi também no humorístico «Farpas» que não acredito em imaturidades comportamentais perpétuas nem irreversíveis e que Micael António não irá, seguramente, cometer os erros do passado e poderá até ter um lugar, recuado, na lista e ser útil a Narciso Mota no caso de este ser eleito.
Farpas Convidadas: Fernando Gonçalves (Jurista/autor)

26 de julho de 2017

Guardado está o lugar para a candidata do PSD


Depois de muitos avanços e recuos, de convites e recusas, sobrou para Fernanda Guardado o lugar de cabeça de lista à Assembleia Municipal. Estamos em crer que o PSD não poderia ter feito melhor escolha, pela notoriedade que tem em todo o concelho de Pombal esta líder das mulheres social democratas. As características que lhe são conhecidas - sobretudo a sua capacidade de encaixe e respeito pelos adversários - coadunam-se sobremaneira com o lugar a que se candidata. Imaginamos daqui a reacção de Ofélia Moleiro (que é candidata do movimento Pombal Humano, ao lado de Narciso Mota) quando soube(r) da novidade. E resta agora saber se José Grilo (a quem o PSD tentou contentar com o falacioso lugar de presidente da comissão de honra) se sentirá em condições de secundar tão ilustre personalidade. O resto da lista também há-de ser um arrojo. Mas deixemos o partido fazer esse anúncio com pompa e circunstância, ou algum espaço à imprensa da terra para dar notícias.

25 de julho de 2017

O mistério da constituição das listas


Da esquerda para a direita (literalmente): Anabela Cordeiro, Victor Cardoso, Elisabete Gonçalves, Jorge Humberto Carvalho, Domingos Doutel(coordenador autárquico nacional), Fernanda Silva, Sidónio Santos, Manuel Isaac (presidente da distrital), Telma Silva, Pedro Gomes e Henrique Falcão. créditos: Fábio Gonçalves

Falta pouco mais de duas semanas para a entrega, em tribunal, das listas candidatas aos diversos órgãos autárquicos - e até agora apenas o CDS apresentou a sua. Fê-lo ontem à noite, numa sessão bastante participada - de gente e de entusiasmo. Se o resultados das eleições se medisse assim, podíamos já avançar que o CDS ultrapassaria o PS na contagem dos votos. O cabeça de lista, Sidónio Santos, deu uma lição à tradicional oposição socialista, no que respeita à forma e ao conteúdo com que se dirigiu ao auditório. O que falha naquele partido é a falta de sintonia: enquanto o candidato à Câmara aponta as armas ao poder instalado, o candidato à Assembleia fala de "diálogo e consenso", de "estabilidade política e governativa". Se assim não fosse, outro galo cantaria na oposição em Pombal, como de resto já se percebeu pela intervenção do mesmo Sidónio Santos na Assembleia de Freguesia...
Entretanto, no PS, nada se sabe desde a apresentação, em Abril. E no PSD - que tinha outra obrigação para com um eleitorado que lhe é tão devoto e fiel - a equipa de Diogo Mateus continua a ser uma carta fechada. Entre os vereadores (quase) ninguém sabe que vida vai ter depois de 01 de Outubro. Temos cá um palpite para o nº 2 - ou para reforço, se quiserem - por imposição do partido. Mas deixamos esse post para que tenha o devido destaque e mostre como, na política e na vida, há seres manifestamente invertebrados. 

Sandra Barros muda-se para o PSD


O namoro era antigo, e aqui no Farpas já há muito que vaticinámos como é que o PSD estava pronto a fazer uma pega de caras, em Abiul, uma das duas freguesias que em 2013 perdeu - dessa feita para o CDS. Agora é certo: Sandra Barros, a actual presidente da junta,  vai mudar de camisola e vestir de laranja nestas eleições autárquicas. O CDS promete uma conferência de imprensa para os próximos dias, episódio que se adivinha interessante nesta novela.
Quanto à candidata, ninguém lhe pode levar a mal: depois de ter integrado uma lista candidata pelo PS, depois de ter ganho a junta para o CDS, tem todo o direito de querer experimentar novas sensações. Está tudo pronto para dançar o despacito? 

21 de julho de 2017

Onde se dá conta das preocupações e dos planos da Princesa e do Príncipe

No período entre a missa matinal e o almoço domingueiro, a Princesa e o Príncipe tiveram, finalmente, a conversa que vinha sendo adiada sobre a sua pouco firme situação.
A Princesa começou por descrever o ambiente que se vive no reino, comparando-o ao que se viveu na época mais gloriosa da alta Roma, pouco antes de cair o grande Júlio:
- Conta-se que saíram dos sepulcros os cadáveres em seus lençóis, gemendo pelas ruas. Depois, chuviscou sangue e apareceram manchas no Sol”. E concluiu: - Idênticos sinais de cruéis eventos, percursores de agouros eminentes, andam no ar. Estamos no meio de uma borrasca que pode dar em guerra fratricida. Tremeram-lhe os lábios ao expressar tão ruim presságio, e rematou: - se Deus com sua infinita misericórdia nos não socorre, estamos perdidos.
- Bem sabeis que a vida dos príncipes está sujeita a mil perigos e desventuras, mas, com coragem, habilidade e a bênção do Senhor, havemos de vencer – sentenciou o Príncipe.
- Já estive mais segura, Alteza – retorquiu a Princesa. O Inimigo bajula muito o povinho, de uma forma que parece mergulhar-lhes no peito. E o povinho desta terra serve apenas para luz emprestar a criatura tão pífia, que tem mais de bruto que de pessoa ajuizada.
- Não me alegra vê-la tão desesperançada! Ficai serena e confiai em mim – asseverou o Príncipe. E continuou: - O partido sabe arregimentar os apoios necessários – vede como o beato Ilídio o a sua amanuense o fizeram recentemente, com o passeio dos idosos e o respectivo comprometimento. E eu, do trono, estou determinado, com o apoio do meu fiel escudeiro, a tudo fazer para seduzir os seduzíveis.
- Desculpai-me a sinceridade nefasta: se, contra tanta adversidade, Vos apoiais só no partido e no Pança, estais perdido. Há muito que andais rodeado de zombadores e amigos de cochichos - gente licenciosa e sem princípios - que faz jogo duplo – afirmou a Princesa.
- Mas preciso deles para este combate mata-mata – disse o Príncipe.
- Devíeis apoiar-vos mais no povo… ficar mais próximo dele. O que vos aproveita ir para Marrocos com a Marquesa, em passeio? – Perguntou a Princesa. E deu a resposta: - Em Marrocos não há votantes, e a cruz da Marquesa há muito que está conquistada.
- Estais mal-humorada…- disse o Príncipe.
- Estou é a ver a nossa vida a andar para trás - afirmou a Princesa. E acrescentou: - É altura de pensarmos em nós mesmos e nas nossas crianças.
- E o que propõe, Você? – Perguntou o Príncipe.
- Para começar, tiramos as crianças desta terra (das escolas desta terra). Bem sei que Você tem tentado, com o tal EPIS, melhorar as coisas. Mas nada mudou – o povo não muda. Logo, não podemos deixar as meninas, educadas com tanta "finesse", misturadas, muito mais tempo, com os garotos dos bairros sociais e do campo, expostas à ordinarice, aos piolhos e às carraças.
- Concordo…- anuiu o Príncipe. E acrescentou: - o que não nos falta é problemas com as escolas…
- As escolas desta terra não têm regras, dirigentes à altura e educadores capazes. O rapaz vai para a capital e as meninas têm que ir para o Colégio Conciliar da Maria Imaculada, que lhes proporciona educação distinta e o acompanhamento cuidado das irmãs. Eu farei com gosto o esforço diário das viagens de ida e vota. Depois, se as coisas correrem mal dia 1 de Outubro abandonamos esta piolheira – rematou a Princesa.
                                                                                                            Miguel Saavedra

18 de julho de 2017

Pedro, guardador de votos e de sonhos


Passou uma semana desde aquela apresentação de Pedro Pimpão como candidato à junta de Pombal, e demorámos a recuperar de tamanho banho de esperança no futuro, em que tantos vieram de longe para ver e ouvir. É a candidatura do bem, do bom e do belo, por isso não há muito a dizer sobre a terra onde ele não vive. Pombal é - já se sabe - a freguesia perfeita, notável e extraordinária, onde as crianças crescem felizes, os papás têm todas as condições de vida para as criarem, e os avós podem limitar-se a sorrir, apenas e só, sem preocupações. O parque verde estava prometido para este mandato que agora finda mas...tarde é o que nunca vem.
Percebemos a "forte aposta na educação", a aplicação para gerir as ementas nas escolas (isso da qualidade da comida já se sabe que não é verdade, Pedro, até foi constituída uma comissão de provas mas só para os mais velhos, os pequenitos exageram sempre, não há razão para lhes dar ouvidos, como bem pode atestar o -ainda- presidente da Junta). Também falaste da acção social. Mas Pedro, haverá mesmo necessidade? Teremos na freguesia algum número significativo de crianças carenciadas? Confere lá os dados com a Componente de Apoio à Família...talvez não haja necessidade de manchar minimamente este quadro perfeito...
Também gostámos de te ouvir dizer que a tua não é  "uma candidatura do PSD... é de toda a gente". O partido é que não, mas como o presidente és tu, quem é sabe, hã?
Nessa tua senda de "promover o bem-estar e a felicidade" apreciámos a solução airosa que arranjaste para integrar o senhor Escalhorda, através do anunciado "Conselho da Comunidade". Quem mais haveria de tratar de estradas e valetas? Sabemos que não conseguirás chegar a todo o lado, mas acreditamos que continuarás a esforçar-te para isso, para  "fixar pessoas e criar emprego". Não é que seja preciso, mas nesse plano traçado para os próximos 10 anos (8, vá...) ficará bem uma certa "cultura de inovação e empreendedorismo", coisas modernas como "start-ups e novos negócios". Tu bem sabes que "temos empresários extraordinários que podem ajudar os mais jovens" e isso vê-se, todos os dias.
E enfim, Pedro, ficamos à espera do tal encontro com todos (aí nos incluímos) para vermos do programa. A lista, já sabes, pouco importa, até porque se é feita de gente extraordinária (e notável), não vemos necessidade de a apresentar. Também não vemos grande necessidade do formalismo das eleições, até porque tu já ganhaste - como tão bem notou o senhor Nascimento Lopes, no seu melhor discurso de todo o mandato. A oposição tem-te temor (lembrou bem o Diogo Mateus) e se amasse a sua terra como tu e só tu, abdicava desse devaneio a teu favor. Contamos contigo à segunda, como prometeste. No resto dos dias cá nos havemos de arranjar. 

#notável&extraordinário

17 de julho de 2017

Quo vadis PS?

Com o governo em alta nos estudos de opinião, a economia a crescer em força e a confiança das famílias no valor mais alto deste século; o PS teria tudo para fazer um grande resultado nas eleições autárquicas. Em Leiria não o terá, provavelmente. Não são necessários estudos de opinião ou recolher o sentimento das populações para o afirmar; basta falar com os dirigentes do partido no distrito - é raro encontrar um que acredite num bom resultado, mesmo entre os que são candidatos.
Se exceptuarmos Leiria, Marinha Grande e Nazaré - onde o partido está a trabalhar bem e ganhará as eleições (Marinha Grande será difícil) -, a noite de 1 de Outubro não trará boas noticias para os militantes e apoiantes, no distrito. Seria conveniente que os dirigentes e militantes tivessem consciência que o partido, se não crescer nestas eleições (onde beneficia de uma conjuntura geral muito favorável), terá, nos próximos anos, um futuro sombrio na esmagadora maioria dos concelhos do distrito. Mas tão importante como perspectivar este cinzento cenário, é perceber as causas internas do provável falhanço e corrigir o que ainda for corrigível.
O partido - na federação e na esmagadora maioria das concelhias - não tem estratégia, não tem discurso nem coordenação mínima. Actua de forma desgarrada, atabalhoada e simplista; queima etapas, pessoas e imagem; faz más escolhas sem necessidade, vezes demais. Só assim, com tanto erro, é possível levar uma "chapelada" do adversário (PSD) mais enfraquecido que o partido alguma vez enfrentou.

PS: No norte do distrito o desenlace estava traçado, mas a tragédia recente introduziu grande incerteza que pode beneficiar o PS.

16 de julho de 2017

O desfalecimento de Pombal vê-se bem pela taxa de natalidade

O desfalecimento de Pombal é evidente em todos os indicadores económicos ou sociais.
Os indicadores demográficos são os mais eficazes a captar a realidade e a tendência de longo prazo. 
O Eurostat divulgou as estatísticas sobre a taxa de natalidade referentes a 2016. De entre os concelhos do litoral, com costa, Pombal apresenta a pior taxa de natalidade - com clara tendência de descida. Só Alcobaça, Cantanhede, Mira e Caminha estão no mesmo grupo - 5,6 a 6,6 nascimentos por mil habitantes.

Mais palavras para quê? Os nascimentos não enganam. 

13 de julho de 2017

Oh da guarda…

Em Vila Cã os casos graves sucedem-se: a "presidenta"/funcionária compra e vende, contrata e descontrata, faz e desfaz, sem dar cavaco a ninguém.
Agora, alterou o contrato vitalício com a empresa que explora a pedreira para benefício desta e prejuízo da Junta, sem autorização da assembleia de freguesia e, ao que se diz, com a colaboração de dirigentes do PSD local.
A promiscuidade da situação presidente/funcionária, conjugada com o resto que se conhece, só poderia dar nisto.                                         Um caso de polícia.

12 de julho de 2017

Leviandade política

Nem o escândalo provocado pela indemnização de 508.000 €, por danos num terreno avaliado em menos de 10.000 €, muda o comportamento desleixado da classe política local. Os casos sucedem-se. A forma como foram aprovadas as quatro moções apresentadas na última AM, e como esta foi conduzida, comprovam-no.
O presidente da AM começou por informar a assembleia que tinha recebido três moções: uma do PSD – João Coucelo – de pesar e de solidariedade para com as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, com uma proposta populista de entrega das senhas de presença às vítimas do incendio; outra do presidente da Junta de Vermoil – Ilídio da Mota – de louvor e de pesar pela morte prematura do maestro da Filarmónica de Vermoil (Jaime Pascoal); outra do PCP – Jorge Neves – de pesar e solidariedade para com as vítimas de Pedrogão Grande, com umas considerações generalistas sobre a reforma da floresta e umas críticas à proposta do PS de reforma da floresta; e outra ainda, oral, da autoria do presidente da AM, de louvor e pesar pela morte ex-presidente da Junta das Meirinhas (Américo Ferreira).
A mesa da AM propôs a votação conjunta de três moções distintas; e deixou para o período de antes-da-ordem-do-dia a moção do PCP. Foram aprovadas de forma simplista, por atacado e por unanimidade.
Posteriormente, durante o período e antes-da-ordem-do-dia, Jorge Neves apresentou a moção PCP. Só o PS levantou algumas reservas sobre alguns considerandos. A moção foi aprovada por maioria com quatro abstenções das bancadas do PSD e CDS.
Mais palavras para quê? É o que temos…Mas convinha respeitar minimamente o regimento. E que a oposição tivesse alguma coluna vertebral; e o PS alguma memória.
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11 de julho de 2017

Mostrem lá o que valem, senhores deputados!


Passaram três semanas desde que o inferno de chamas consumiu terras e vidas nos concelhos do norte do distrito de Leiria. Reina uma desinformação nas redes sociais - onde cada um publica o que quer e se arma em repórter da desgraça e da caridade, como o mostram algumas páginas e vídeos por aí. Mas reina também uma descoordenação preocupante entre entidades e instituições diversas daquele território, há tanto abandonado. Até ao fatídico 17 de Junho, só quem lá ia tinha a percepção das ruínas da indústria, do isolamento e da pobreza que o marcavam. O fogo serviu (infelizmente) para mostrar ao país e ao mundo as fragilidades daquelas terras, que interessam pouco ao poder político porque representam uma agulha no palheiro das eleições. Cada um daqueles três concelhos tem menos eleitores que algumas freguesias do concelho de Pombal. Mas cada um deles é parte do país, contribui para ele e para o sustento da coisa pública. Portanto, aqui fica um lembrete aos senhores deputados eleitos por Leiria, que é como quem diz  eleitos (também) por aquelas pessoas que - efectivamente - estão a precisar muito de apoio, e não é só de beijos e visitas presidenciais: vão lá. Percebam o que está a falhar. Usem os vossos poderes e deveres para questionar, para agilizar, para pressionar o tempo e o modo de ajuda àquele povo. Ir de férias, senhor Primeiro-Ministro, ainda em rescaldo da catástrofe? Não. Instituições que lançam apelos desenfreados para recolhas massivas e agora lavam as mãos? Não. O voluntariado é muito lindo, é preciso, mas é ao Estado que compete assegurar a restituição das condições de vida daquela gente. E isso, garanto-vos, está muito longe de acontecer.

#Teresa Morais (PSD)
#Pedro Pimpao (PSD)
#Margarida Balseiro Lopes (PSD)
#José António Silva (PSD)
#Feliciano Barreiras Duarte (PSD)
#Assunção Cristas (CDS)
#António Sales (PS)
#Odete João (PS)
#José Miguel Medeiros (PS)
#Heitor de Sousa (BE)