18 de outubro de 2017

Realpolitik à D. Diogo

Renovado o poder nas urnas, D. Diogo partiu de imediato para a sua consolidação e reforço. Começou pelo condado mais acessível: Vila Cã. Usou a intermediação de um amigo comum – Carlos Cardoso (Redinha) - para se aproximar de Ana Tenente, depois de fortes desavenças. Juntaram-se num almoço que deve ter selado a união, há muito desejada pela “Independente” e há muito recusada pelo partido.
Na Redinha esboça aproximações; a Oeste espera sinais seguros de afirmação ou falhanço do novo poder para avançar.
Pelo meio vai deixando cair correligionários não submissos.   
Quem pode, pode. E D. Diogo pode muito! 

17 de outubro de 2017

Mas que falta de “chá”

Enquanto D. Diogo representava para a sua equipa de propaganda, em camisa branca e sapato-de-vela, a sua entrega no combate ao incêndio, a princesa Mafalda chamava palhaço ao Primeiro-ministro, no facebook, sem qualquer justificação.
Na declaração ao país, António Costa não desrespeitou ninguém - limitou-se a dizer o óbvio (pouco mais há para dizer, nestas circunstâncias). Todos têm o direito de criticar a declaração e a exigir outro tipo de respostas; mas não têm o direito de ofender o António Costa, nem a desrespeitar o Primeiro-ministro. Ao fazê-lo desrespeita o Estado, mostra a sua índole e a urbanidade que não tem.
É pena! Porque, como bem diz o povo: o que não vem com a idade, tarde ou nunca vem.

O salvador da Pátria


Fotos da publicação "Notícias da sua Terra"

À hora em que o Primeiro Ministro falava ao país sobre a catástrofe que nos assolou a todos, já se apagara o fogo em Nasce Água, ali ao Grou, na União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca. Também já se apagara o outro, que consumiu a Mata do Urso, na freguesia do Carriço, mais umas casas de habitação. Estava igualmente extinta a maioria dos fogos que tornaram o dia 15 de outubro como o mais negro da história dos incêndios neste país. E enquanto António Costa e a sua ministra ardiam com mais intensidade na fogueira das tv's e das redes sociais - por considerar que o Governo não tem uma "solução mágica"para evitar novas tragédias - Diogo Mateus era elevado à categoria de salvador, em várias páginas, pois que se deixou fotografar assim, no meio da mata, em camisa branca e mocassins, no combate às chamas. 
Costa, a solução está aqui.

14 de outubro de 2017

Pombal dos pequenitos

Respigando o que já escrevi no "O Eco" em 2003, reafirmo que a salvação das democracias ocidentais encontra-se no reforço dos partidos minoritários. Reduzir as eleições a um confronto bipolar, para além de perverso, é perigoso. Os actos eleitorais são momentos de escolha entre diversas opções políticas que devem ser exercidos em total liberdade. Os constantes apelos ao voto útil, aliados a uma menor capacidade financeira dos pequenos partidos, enviesam a decisão dos eleitores e, como consequência, muitos deixam de se rever nos seus representantes e de acreditar na democracia.

Em Pombal, forças políticas como o CDS, a CDU e, mais recentemente, o BE, têm tido dificuldade em se afirmar. O CDS, apesar do enorme empenho dos seus protagonistas, não conseguiu reforçar a sua representação. Por outro lado, a CDU, que tinha conquistado um deputado municipal em 2013 (fruto do aumento do número de representantes na Assembleia Municipal), perdeu-o agora para BE. Com uma votação ao nível do movimento Independentes por Pombal - claramente a candidatura autárquica mais mal preparada de sempre -, a CDU teve uma evidente derrota. O número de votos é preocupantemente baixo, tornando legítima a dúvida de saber se já não foi ultrapassado o ponto crítico da sobrevivência.

Como estive envolvido na candidatura da CDU, não enjeito responsabilidades. Considero mesmo que os camaradas que, tal como eu, participam nas listas sem assumir a militância são os primeiros culpados. Não se podem ganhar eleições sem o empenho de todos e a CDU em Pombal tem sobrevivido com o esforço de poucos. Mas há que reconhecer que é difícil fazer omeletes sem ovos. As estruturas partidárias, com uma castradora política de coligações, impedem, muitas vezes, o aparecimento de soluções credíveis a nível local.

Há muito que defendo uma coligação CDU/BE (para já não falar com o PS) para concorrer às eleições autárquicas em Pombal. O trabalho efectivo que a CDU tem dado à vida democrática do nosso concelho - muito para além do que era esperado pela sua fraquíssima prestação eleitoral -, aliado aos votos e ao dinamismo do BE, sobretudo junto dos mais jovens, poderia resultar numa dinâmica interessante, com forte possibilidade de sucesso e bem mais consistente do que as candidaturas protagonizadas por movimentos independentes.

12 de outubro de 2017

A acentuada agonia do PS em Pombal

Contrariamente ao que outras opiniões defendem, creio que o maior derrotado destas eleições é o Partido Socialista.
A derrota do PS é particularmente preocupante, uma vez que este partido tem responsabilidades permanentes, o que não acontece, por exemplo, com um movimento fortemente personalizado, sem base ideológica definida e perfeitamente limitado no tempo e na ambição.
Os sinais de queda deste PS de Pombal, numa altura em que o PS a nível nacional se afirma mais pujante que nunca, são obviamente uma responsabilidade local e de uma forma de fazer politica que vem de há muito, nesta estrutura. É um acumular de erros que parece não ter retorno à vista, antes se teima numa fórmula cujos resultados são inegavelmente desastrosos.
Atente-se que num concelho em que o PS tem que, legitimamente, aspirar a ser poder (como já foi), os resultados nos últimos 5 actos eleitorais autárquicos são como se vê de seguida:
A tendência é evidente, e os resultados são de tal forma pobres que creio que ninguém terá coragem de argumentar em sentido oposto nisto que é uma mera constatação de factos.
Tais resultados devem-se, na minha opinião, não aos deméritos individuais dos candidatos, para cada situação em concreto, mas a um modus operandis há muito vigente na estrutura concelhia do PS. Vários erros têm sido repetidamente cometidos, e com aparentes motivações que são contrárias não apenas aos interesses do partido, como também (e de uma forma mais geral) à saudável alternativa democrática (não confundir com alternância) que o PS devia materializar.
O primeiro desses erros passa por não assumir os vergonhosos resultados eleitorais que tem obtido o PS no concelho de Pombal. Note-se que por “assumir”, entendo o olhar para as causas que conduziram a tal, procurar alterar essas causas (ou eliminá-las), e ter por consequência lógica um afastamento da liderança das estruturas daqueles que apresentaram uma estratégia vigorosamente chumbada nas urnas.
O segundo erro decorre na forma como os derrotados, mas eleitos, do PS, desempenham as suas funções de oposição. O que transparece é que essa acção não é coordenada, não mostra diferenças (nem de estilo, nem de matéria) em relação ao poder vigente, e não revela preparar um caminho diferente que pudesse ser viável (e premiado) em eleições futuras.
Mais uma vez, a responsabilidade maior não é dos eleitos individualmente, mas de quem os devia coordenar e se abstém de o fazer.
O terceiro erro decorre da falta de estrutura interna do PS, o que transmite uma imagem difícil de ignorar de fragilidade e falta de confiança. Não há notícias de que o partido ouça os seus militantes. E que, ouvindo, estes contribuam para definir os destinos desta estrutura do PS. Não há sequer um número minimamente apresentável de militantes no concelho, numa escusa incompreensível de os procurar e pretender captar. Como se muitos militantes fossem uma ameaça a algo que não se quer revelar ou alterar.
Por fim, o quarto erro reside nas fracas escolhas para as listas que apresenta a sufrágio. Mais uma vez, não porque não sejam meritórias as pessoas que ousaram apresentar-se a votos pelas hostes socialistas, mas porque a estrutura trabalha de forma amadora e errada esse processo. As pessoas são contactadas tardiamente, quando já quase não têm tempo de explorar e apresentar as suas ideias ao eleitorado. Os elementos mais representativos da sociedade, por essa altura, já estão completamente envolvidos com outros partidos (obviamente, com o PSD). E o resultado são listas curtas e que se apresentam como muito mais anónimas do que as outras, as que ganham eleições em Pombal.
Lamentavelmente, os processos que têm conduzido a este descalabro eleitoral do PS em Pombal parecem ser irrevogáveis, e o PS parece preparar-se para o mesmo enquinado e vicioso modo de agir. Prepara-se uma nova concelhia não escrutinada por ninguém, eleita com meia dúzia de votos arrecadados nos corredores, que há-de fazer de conta que estes resultados desastrosos não aconteceram ou que foram culpa de um qualquer feitiço maligno que obriga os pombalenses a votar no PSD.
Se o PS de Pombal teimar em não se repensar profundamente, não rasgar com a inacção e amadorismo que tem vivenciado, em suma, se o PS de Pombal achar que para comodidade de alguns deve repetir os métodos desastrosos do passado, é evidente que não poderá esperar resultados diferentes. Porque a menoridade a que foi relegado pode sempre ser piorada (e as últimas eleições têm vindo a provar isso mesmo).
Façamos, ao menos, escrutínio público do que por essa casa se vai passando. Porque é também público o interesse num PS forte e credível em Pombal.
Farpas Convidadas: Gabriel Oliveira

A propósito dos resultados eleitorais

Convém relembrar W. Churchill:
“Deve-se olhar para os factos porque eles olham para nós”.

10 de outubro de 2017

Junta de Pombal: histórica, mas pouco



Um certo sabor amargo entranha-se na demanda de Pedro Pimpão, vencedor anunciado das eleições para a Junta de Freguesia de Pombal. Na noite eleitoral, foi o primeiro a cantar vitória, considerando estar perante um "resultado histórico" para o PSD. Na verdade, Pedro, há apenas dois pontos percentuais que separam essa vitória daquela alcançada pela dupla Nascimento Lopes/Manuel Escalhorda há 4 anos...

portanto histórico é mesmo o teu positivismo, a teoria da felicidade aplicada à terra onde tudo é "notável" e "extraordinário", pontuado por esse estranho alheamento de mais de metade da população (a freguesia de Pombal contribui exponencialmente para os nossos números - notáveis, sim - da abstenção, que apesar de tudo, diminuiu 10%)
Feitas as contas, o PSD conseguiu o mesmo número de mandatos que já tinha (7), o PS perde dois dos cinco que tinha, o CDS mantém um, e esse ícone local de seu nome Eduardo Carrasqueira entra para a AF com dois elementos.
O futuro - que é sempre mais, como sabemos, e também não precisa de ser melhor - há-de mostrar-nos a qual dos dois amores Pedro serás mais fiel: se o lugar de deputado na AR, por mais escassos dois anos, se o kit de sobrevivência política que é a Junta de Pombal. A este último, terá muito tempo de fazer adaptação. É que com a maioria absoluta de Diogo na Câmara, cai por terra a ideia de o ver chegar-se ao topo concelhio daqui por 4 anos. Por isso, venham de lá as aplicações para gerir as ementas da escola dos nossos filhos, e a comissão de obras para Manuel Escalhorda. 

9 de outubro de 2017

Crescimento exponencial


Hoje atingimos 2 milhões de visualizações. Com base em algum histórico, é possível verificar que temos tido um crescimento exponencial. A este ritmo, atingiremos as 3 milhões de visualizações antes dos 11 anos. Obrigado a todos!

6 de outubro de 2017

A Oeste, o segundo derrotado

O conde do Oeste foi apeado. É o segundo e último grande derrotado (o primeiro lugar ninguém o tira a Narciso Mota). Do resto, dos que queriam muito ganhar, pouco mais há para assinalar. Sobrará, talvez, o dinossauro da Redinha; mas, convenhamos, não vale a pena relevar o que não tem relevância. E os outros, não perderam - só perde quem quer ganhar.
O conde do Oeste quis muito ganhar. Precisava muito disso para manter status, mordomias, divertimentos e a possibilidade de continuar a educar o povo. A sua derrota é o cisne negro no meio da onda laranja, que nem a “bondade” e a cumplicidade do príncipe, que não se poupou a esforços (9 Milhões de Euros) para manter aquele condado e aquele apoio, conseguiu evitar. E não foi por falta de obra feita: estradas, pontões, passeios pedonais, caminhos florestais, parques de merendas, saneamento, novos serviços, subsídios, eventos culturais, festas, arraiais, etc&tal; foi, simplesmente, pela vontade do povo - e o povo, quando quer, pode muito.
Bem pode o conde clamar injustiça; considerar que “pelos trabalhos realizados e pelos serviços aumentados é de gritante injustiça sermos tão injustamente votados”. Ou o seu ajudante-mentor lamuriar-se por o povo ter interrompido o reinado de “Homem sério, pragmático, capaz, isento, ponderado, empenhado, digno” que reinou “com isenção, equilíbrio, ponderação e empenho, num contexto de grande dificuldade e incompreensão”. O povo não achou isso. Em Democracia, o povo é soberano.
Bem podem - conde e ajudante-mentor - censurar o povo por ter entregado o poder a um rapaz inexperiente, incapaz, insensato; e anunciar, já e publicamente, a desgraça que se avizinha; e os sacrifícios que terão que fazer para “evitar o pior”; que o povo já provou que não se assusta com o demónio. Bem podem esperar sentados por uma redenção, que só Deus e os seus representantes na terra concedem, depois da morte. O povo não esquece, e não costuma absolver os sobranceiros que o tomam por ingrato e ignaro.

Laranja mecânica

Conforme aqui escrevi no início de Agosto, o PSD é a única força política capaz de ganhar eleições em Pombal. Para além do elevado profissionalismo da sua estrutura, os seus protagonistas são, de longe, os políticos mais bem preparados do concelho. Não era, pois, difícil de prever que Narciso Mota não só não ganharia as eleições como seria humilhado. Face a um projecto político esgotado e a uma equipa pouco credível, os Pombalenses não iriam permitir que velho galo voltasse ao poleiro.

O PSD teve uma vitória contundente e, diga-se em abono da verdade, merecida. Com uma máquina poderosa e eficaz, a laranja trucidou todos os seus adversários (até conseguiu pôr o Zappa a dançar ao som da Vânia Marisa). Se a oposição já era débil em Pombal, estes resultados não auguram dias melhores. Nunca o executivo camarário e a Assembleia Municipal foram tão mono-cromáticos!

As hostes do movimento Narciso Mota - Pombal Humano (NMPH) vão aperceber-se rapidamente (se é que já não se aperceberam) da fragilidade do projecto. Totalmente focado na personalidade do seu mentor - que apenas prometeu ser o mesmo  de sempre -, o movimento NMPH é demasiado inconsistente e, por isso mesmo, está condenado a muito breve prazo. Narciso Mota já veio dizer que aceita a vereação (o que só lhe fica bem), mas dificilmente conseguirá manter o compromisso até ao final. A máquina laranja irá fazer tudo para lhe infernizar a vida, muito à semelhança do que ele sempre fez com os seus adversários políticos. Nessa altura, os correligionários do movimento NMPH, órfãos de pai, irão a correr procurar abrigo junto da mãe que renegaram.

4 de outubro de 2017

Adivinhação jurássica

Não era preciso uma bola de cristal para saber que, de facto, isto poderia acontecer. Sicó tinha dois candidatos, considerados dinossáurios da política, que achavam que era simplesmente voltar e que a coisa estava garantida. Narciso até mudou o lema do betão para um lema mais humano, esquecendo-se que apesar do pessoal ter memória curta, os tempos são outros. Já Fernando Marques, e falando de Ansião, pensou igual, contudo nem sequer se deu ao trabalho de mudar o lema. Veio com os clichés do amor pela terra e coisas do género e o resultado foi uma estrondosa derrota, na medida que Ansião mudou de rumo após 4 décadas. É obra! A esta hora ainda deve estar a perceber o que correu mal e a apanhar os cacos do seu ego, que se esbardalhou ao comprido.
Mas comecemos pelo início, onde surge a sui generis jogada de troca de candidatos, saindo Rui Rocha e entrando Fernando Marques. Há uns 2 anos já tinha ouvido, em off, que esta troca iria ocorrer, portanto quando saiu a notícia, de forma oficial, no Jornal Serras de Ansião, há poucos meses, não fiquei minimamente convencido da história que lá vinha. Mais ainda sendo que aquele Jornal tem uma convivência muito próxima com o PSD de Ansião. Ou seja, e dito de outra forma, cantas, mas não me alegras.
Diria que caso esta troca de candidatos não tivesse corrido, a derrota poderia, eventualmente, ter sido evitada. Digo eventualmente porque o vencedor tem todo o mérito, e mais algum, e a vitória não foi simplesmente por demérito do PSD. Mas não, a ambição pouco realista de um dinossáurio da politica acabou por prevalecer, com os resultados agora conhecidos. Além de ter pensado que era garantida a eleição, Fernando Marques não se lembrou de que, tal como em Pombal, apesar do pessoal ter memória curta, os tempos são outros e, diga-se, o pessoal estava farto da coisa. Além disso houve quem, sendo ferrenho do PSD, não gostou da tentativa de regresso às lides de Fernando Marques, já com a imagem muito chamuscada, e, por isso, votou noutras candidaturas ou simplesmente não votou (como se pode ver pela baixa votação no CDS-PP, onde o pessoal poderia ter votado em substituição do voto no PSD).
Esta viragem, em Ansião, é muito positiva para o sistema democrático, já que, tal como a Associação Cívica Transparência e Integridade refere, “a perpetuação de líderes políticos fere a democracia local.
Sem renovação de lideranças não se formam novos quadros capazes de contribuir para o desenvolvimento dos municípios, geram-se Dinâmicas de entropia e falta de dinamismo, acentuam-se os vícios do poder na gestão dos recursos públicos, na prestação de contas e na transparência. Dilui-se o poder da sociedade civil em função da vontade do chefe.” Ou seja, com a eleição de um novo presidente da câmara, quebrou-se um ciclo deste género. E isto é fundamental para o futuro de Ansião e para o futuro dos concelhos limítrofes. Todos ficam a ganhar.
Quanto a Narciso Mota e a Fernando Marques, saíram pela porta pequena, sem glória e com os seus egos do tamanho de um berlinde. E, digo eu, merecem tal feito, pois fizeram por isso!. Podem agora dedicar o seu tempo a uma ou a várias das muitas associações desta nossa região, e às causas que defendem, já que o amor pela terra não é exclusivo da política. O pessoal agradece e, aliás, já lhes mostrou o caminho!
Farpas Convidadas: João Paulo Forte (Blogger: http://www.azinheiragate.blogspot.com/)

CDS, o partido do Sidónio

O CDS é, hoje, o partido do Sidónio; como já o foi do Guardado, do Abreu João, do Pessa, do Falcão... Ao contrario de outros, o CDS tem esta (in)capacidade de mudar frequentemente de figura, mas não muda de registo. Por isso, continua a ser um partido em busca de sentido, de clareza e de afirmação num terreno inóspito para flores de estufa.
O CDS – e não só - padece do mito de Sísifo, uma personagem da mitologia grega que foi condenada a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, cada vez que estava quase a alcançar o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. A situação só não é idêntica porque o CDS não dá mais que uma volta à pedra, mas continua a executar a sua tarefa, de quatro em quatro anos, sem sentido e sem resultados. Um absurdo, mas o que é a vida, para a maioria, senão isso.
De vez em quando, o CDS - tal como outros – regozija-se por ter conseguido colocar a pedra no primeiro socalco da montanha. Mas mal se descuida, a pedra desliza para o ponto de partida. Foi assim em Abiúl: a uma vitória inesperada seguiu-se uma derrota impiedosa (3%).  
É tempo de os líderes políticos locais, e os candidatos a sê-lo, se consciencializarem que o poder se conquista com estratégia, organização e DISCURSO. O resto é empurrar a pedra.

3 de outubro de 2017

Assumir a derrota, é Claro



Passaram dois dias das eleições autárquicas e não se ouviu uma única declaração do PS sobre os resultados eleitorais que dizimaram o partido nas urnas do concelho de Pombal. O candidato à Junta, Aníbal Cardona, veio ontem agradecer aos que o apoiaram e nele votaram (e são mais 500, no caso, na freguesia de Pombal, quando comparados os resultados). 
De Jorge Claro não é conhecida qualquer mensagem. 
Vamos então a factos: o PS partiu para estas eleições como um condenado à forca. Arrastou-se pelo concelho sem qualquer mobilização, sem aquilo que é vital numa campanha - e que, por exemplo, no vizinho Ansião, foi decisivo para a vitória histórica: energia. Escolheu candidatos às juntas como quem vai ali fazer um solteiros-casados, entregando esse processo a quem pouco ou nada percebia dele. Não tem gente - poderão dizer. Porque não quer, digo eu. Ao longo dos últimos anos o PS foi votando ao abandono e ao desprezo todos aqueles que se aproximaram do partido em eleições autárquicas. Não falo daqueles que gostam de coleccionar camisolas, mas de tantos que tinham vontade (tão importante...) de fazer acção política. O PS fez sempre vista grossa a tudo o que aparecia de 4 em 4 anos, definhou por dentro e isso notou-se cá fora, contrastando com o crescimento que o partido foi revelando a nível nacional - pela primeira vez expresso também no distrito de Leiria, velho bastião laranja. Talvez embalado por essa onda, este ano, pela primeira vez em muitos, um grupo de jovens abeirou-se do partido para ressuscitar a JS. Deram-lhe o jardim do Cardal para encher, é claro que foi um fiasco e nunca mais se ouviu falar deles. Nesse dia, o candidato à Câmara foi ao palco discursar e não fez sequer uma referência à juventude que organizava a festa.
Neste último mandato, o PS não se mostrou oposição nem alternativa, optando por uma postura morna, sem levantar ondas (para isso já basta o Farpas...), aprovando quase tudo sem reservas, como quem quer passar entre os pingos da chuva sem se molhar. Acontece que o eleitorado (que vota, cerca de 50%) divide-se entre prós e contras. E dentro desse, havia um eleitorado fiel ao PS que foi desaparecendo, por não se rever na forma e no conteúdo. Basta olhar para os resultados e percebe-se bem para onde fugiu. Para quem achava que a entrada de Narciso Mota na corrida e a alegada cisão que provocou no PSD viria beneficiar o PS, aí está a resposta.

*foto: Pombal Jornal

2 de outubro de 2017

Aldeia gaulesa


Estamos no ano de 2017 depois de Jesus Cristo. Toda a Lusitânia está ocupada pelos Rosinhas. Toda? Não! Uma aldeia habitada por irredutíveis Clementinas resiste ainda hoje e sempre ao invasor.

Narciso, o regresso de um estranho


Há uma lição a retirar destas eleições, aplicada a todos (à excepção do fenómeno Isaltino, em Oeiras) os históricos que quiseram voltar ao poder: o povo não os quer; encara o regresso como oportunismo, e está mais sábio que nunca - porque sabe escolher exactamente quem quer para ocupar cada lugar. Até em Pombal, como ontem se viu. Narciso Mota não conseguiu convencer o eleitorado de que vinha por bem, ressaltando apenas o ressabiamento em relação a Diogo Mateus, ao "plano que não teve continuidade". E por mais que tenha razão - para chegar onde chegou Diogo assinou tudo de cruz, a vida toda, mesmo quando não concordava - o povo está pouco interessado em ajustes de contas. 
Narciso Mota sai desta eleição sem honra nem glória. Além da sua figura (que lhe valeu a esmagadora maioria dos votos, outra vez) não acrescentou valor à candidatura, e depois da divulgação da sondagem que o colocava longe da vitória, perdeu gás. Quando se esperava que fosse em crescendo, a divulgação da sondagem revelou-se oportuna para o PSD, que cavalgou a onda da maioria absoluta e deslocou para a vitória. Acreditamos que vai assumir o lugar de vereador no executivo e sujeitar-se à humilhação que Diogo não lhe poupará. Perdeu a guerra com o partido, perdeu o eleitorado que julgava ser-lhe fiel, o que deita por terra toda a propaganda de uma vida, a falar de um "concelho charneira, humanista e solidário". A água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte. E o engenheiro devia saber disso. Fez péssimas escolhas nas freguesias, e ao longo da campanha queixou-se várias vezes do medo das pessoas em dar a cara, esquecendo-se que foi ele um dos grandes responsáveis por esse estado a que chegámos, em Pombal. Comportou-se como oposição, e foi assim que chegou aos três vereadores. Fica provado que roubou mais votos ao debilitado PS do que ao sobrevivente PSD. Em suma, é o grande derrotado deste combate.

D. Diogo, o vencedor

Diogo Mateus é o grande vencedor das autárquicas, em Pombal. O único! (as juntas não contam para este campeonato). Alguns dirão que também perdeu votos, e que a maioria absoluta ficou presa por pouco. Isso pouco ou nada importa. Em política, tal como na guerra, interessa mais as consequências da vitória do que a sua dimensão.
Uma maioria absoluta significa sempre a derrota dos outros concorrentes. Mas esta vitória de Diogo Mateus é mais do que isso: é a eliminação definitiva, ou por muito tempo, de todos os seus adversários.
Narciso Mota morreu em combate sem honra nem glória. Não deixa nada. O seu movimento, que era só ele, acabou.
O PS esfomou-se nas urnas, num dia radioso. Vai ser muito difícil encontrá-lo.
O CDS não existe e, mesmo que renasça, nos próximos anos não incomodará.
O PSD, a estrutura local, a via alternativa, teve o pior dos resultados. Vai ter que gramar com um Diogo forte, fica sem graus de liberdade.
Pedro Pimpão vai ter que ser presidente da junta, por muito tempo.
E Diogo Mateus poderá, finalmente, dizer e mostrar que “L` État, c`est moi”.

1 de outubro de 2017

A oeste, tudo de novo



Gonçalo Ramos, um rapaz da Mata Mourisca, ganhou esta noite a União de Freguesias do Oeste (Guia, Ilha e Mata Mourisca), conquistando (por si) a única Junta para o movimento criado por Narciso Mota. O ex-presidente da Câmara sai desta eleição pela porta pequena (deixamos para outros posts essa análise), mas crava uma lança dentro do PSD, num ponto nevrálgico do concelho. A nossa solidariedade a Manuel Serra - e ao seu escudeiro Manuel António, na expectativa de que tenha aprendido a lição: meias tintas é, para o povo, o sinónimo de troca tintas. 

Vira o disco e toca o mesmo

Enganei-me no palpite sobre o vencedor.
O PSD, com Diogo Mateus à cabeça, ganhou novamente as eleições com maioria absoluta.
Narciso Mota perdeu, e acabou politicamente.
O PS foi reduzido à insignificância - ao nível dos pequenos partidos (quando a nível nacional atingiu o melhor resultado de sempre).
O CDS não saiu da insignificância; tal como a CDU e o BE.
O resto foram epifenómenos.
O profissionalismo ganhou ao amadorismo.
Parabéns aos vencedores, honra ao vencidos.

29 de setembro de 2017

O primeiro vencedor

Ainda não se realizaram as eleições e já se pode apontar o primeiro vencedor deste processo: Rádio Clube de Pombal. Fez uma boa cobertura da campanha eleitoral (debates, entrevistas, crónicas), fez serviço público e serviu a Democracia, projectou-se com a penetração atingida através do facebook, e projectou a política e muitos candidatos com potencial que passariam despercebidos, nomeadamente os que concorrem às juntas.

Deve melhorar algumas coisas, nomeadamente ao nível da preparação e condução dos debates.

Então, Fernanda?


A Rádio Clube de Pombal emite amanhã à noite o último dos debates, mas nem por isso menos importante: o dos candidatos à Assembleia Municipal, gravado esta noite, nos estúdios da rádio. Ora acontece que o debate ficou coxo, pois que a cabeça de lista do PSD não apareceu. Tanta expectativa que tínhamos em saber como é que a potencial vencedora lida com o debate político, e afinal ficamos na mesma. Já sabíamos, porém, que Fernanda Guardado lida mal com os rivais em campanha... mas era esperado que, no único debate entre os oito candidatos àquele órgão máximo do município - metade dos quais são mulheres - mostrasse algumas das capacidades exigidas a quem o pretende liderar. Das duas, três: ou Fernanda não quis ir ou o partido não deixou. Ou aquilo em Vila Cã está mesmo tremido, de modo que todos são poucos para vestir a camisola e fazer número...

28 de setembro de 2017

O céu é o limite


A dois dias do final da campanha, eis que chegou hoje à estrada mais um camião - o de Narciso Mota. Afinal, é a ele que se deve esse símbolo maior das Meirinhas, que entrou pela primeira vez em acção nas eleições de 1993, quando um desconhecido aqui chegou e ganhou a Câmara para o PSD. Custa a crer que nessa altura o PS reinava com maioria folgada (de 5-2); que a sede de campanha de Armindo Carolino ocupava um andar no edifício dos Arcos, que havia brindes diversos, caravanas a fazer lembrar as que hoje conhecemos como "onda laranja". Tudo isso foi há muito tempo. Depois, o PS definhou e Narciso deu cinco maiorias absolutas ao PSD, pintando de laranja todo o concelho. Até que ficou azul, como agora se apresenta ao eleitorado, numa campanha que vive dele e para ele. Que não tinha necessidade nenhuma de fazer estes números deprimentes, de entrar no jogo infantil de contar cabeças e espingardas. Para isso já basta o regabofe de outdoors, as lonas que crescem de dia para dia, os carros a reproduzirem-se por toda a parte. Não haja dúvidas: há aqui dinheiro que nunca mais acaba. 
Talvez no meio da obsessão pela maioria absoluta - que tomou conta do exército laranja - não haja espaço para ver a linha que separa a comunicação da poluição, de como se revela obscena a quantidade de propaganda que todos os dias cresce e se multiplica. E depois há os manjares de Pedro Pimpão, as festarolas nas aldeias com febras e pinga, abrilhantadas não por Graciano Ricardo (o artista é um verdadeiro artista...) mas por outro ícone da cultura show business - Vânia Marisa.
Pobre povo o nosso, que em 2017 se sujeita a isto, embalado por duas cantigas.
Pobre povo o nosso, que veste a camisola conforme a situação, todo contente por ser figurante deste espectáculo. 
Daqui por uns anos, quando a história contar como se gastaram milhares nesta campanha, em que Pombal tem uma fatia curiosa, ficará o registo: não aprenderam nada com o Marcelo. E por isso, o resultado será outro...

25 de setembro de 2017

Onde se dá conta da jornada do Príncipe por terras de Abiúl

A jornada por terras de Abiúl deixou o Príncipe ainda mais desacorçoado e irritado com a direcção da campanha, agora entregue ao Pança e à empresa que trabalha para uns e ouros. Tinha acabado de externar a cólera sobre o Pança, antes de entrar em casa.
- Que vos aconteceu; Alteza? – perguntou a Princesa.
- Nem me fale. E desculpai-me o mau humor, Vos peço. Sinto as costas carregadas de escorpiões e o espírito povoado de traições – desabafou o Príncipe.
- Sois um mártir da ingratidão. Que se passou agora; contai-me? – Perguntou a Princesa.
- O maior dos desaforos... Para a jornada de Abiúl atroparam unicamente dois ou três jotas e o Juba. Outras vezes junta-se o Zappa, o Manelito e um ou outro descamisado – afirmou o Príncipe.
- Credo! Que é feito do Pança? E os mandatários; não o acompanharam? – Perguntou a Princesa.
- O Pança já anda a trabalhar mais para o irmão…, e os mandatários há muito que saltaram fora, se alguma vez estiveram dentro – lembrou o Príncipe.
- Oh, três traidores. Você tem que ser duro com os traidores, a negligência favorece a conspiração – sentenciou a Princesa.
- Se ganhar, todos me pagarão caro – sentenciou o Príncipe. E acrescentou: - não me fale mais ninguém em paz e conforto.
- Depois, será tarde…Lembrai-vos dos ensinamentos do grande César: é preciso ser cruel para ser bom.
- Agora não é tempo para sangrias…- recordou o Príncipe.
- Continuais a perder apoios e a consentir traições. Vossa Graça tem dado vantagens para o mais fraco. Ele tem um enorme exército de barbas-brancas e cabeças calvas; e Vossa Majestade um pelotão de meninos de vozinha efeminada que repartirdes, ficando a perder, com o Pimposo.
- As coisas estão complicadas, e complicaram-se mais com o afundanço do Sombrio. Se o homem assegurasse a sua fatia no escrutínio…- afirmou o Príncipe.
- Não vale a pena esperar nada do cara-de-enforcado…- afiançou a Princesa.
- Tendes razão – anuiu o Príncipe. Persisti no enforcamento dele, mas a corda do seu destino não é o nosso cabo.
- As cosias escureceram muito para nós…- afirmou a Princesa.
- Não me anunciais senão tristezas, nada mais. Dize, pois: perdi a coroa? - Perguntou o Príncipe.
- Ainda não. Mas só nos resta usar o medo religioso e o santo poder da salvação.
Vamos rezar! Vamos rezar! 
                                                                                                                     Miguel Saavedra

22 de setembro de 2017

A propósito da sondagem do JL/IPOM

As sondagens são ferramentas necessárias à acção política e essenciais para a condução das campanhas eleitorais; sem elas, navega-se sem instrumentos. Mas não são inócuas: não influenciam todos da mesma forma e no mesmo sentido - mesmo as verdadeiras.
A sondagem do JL/IPOM parece uma sondagem bem-feita, feita por quem sabe fazê-las. Coloca o PSD próximo do Olimpo (maioria absoluta) o que permite a criação de uma dinâmica de vitória, que não existe, nem nascerá; coloca o desafiador – NMPH - a uma distância que, a poucos dias das eleições, o afasta da discussão pela vitória (como Diogo Mateus já refere na campanha), e por isso, desanima; “mata” o CDS, partido que, pela direita, mais votos pode retirar ao PSD.
Alguém acredita que o CDS, que apresenta listas a todas os órgãos autárquicos, só terá 1,5% (cerca de 380 votos) como lhe é atribuído na sondagem? Ou seja: alguém acredita que só metade dos candidatos do CDS, ou um quarto dos candidatos e respectivo cônjuge, vota na própria lista?
Há ainda outro dado que reforça a desconfiança na sondagem: 43% de indecisos ou que não responderam – um truque ilibador.

PS: No Porto, o Jornal de Notícias/UC dá Rui Moreira e o PS empatados, com 34% e 33% respectivamente. O Jornal de Negócios/Aximate dá Rui Moreira próximo da maioria absoluta com 39,9% e o PS com 20,8% - 19,1 pts percentuais de diferença. Esta diferença abissal, entre duas sondagens, sobre o mesmo universo e na mesma altura, não é justificável tecnicamente.

Meirinhas: O verdadeiro debate

Ontem à noite pudemos assistir a um verdadeiro debate - pode ver e ouvir aqui - , o dos quatro candidatos à Junta de Meirinhas. Todas as freguesias deveriam ter a sorte de escolher assim, entre gente bem preparada e conhecedora da freguesia. Talvez o PS tenha ali um dos seus melhores candidatos (senão o melhor, pelo concelho) a uma junta de freguesia: Fernando Parreira, enfermeiro de profissão, é reincidente. Há quatro anos disputou a junta contra Avelino António, perdeu por pouco mais de 100 votos, e ontem mostrou aquilo que falta à maioria dos candidatos derrotados noutras freguesias: determinação. Em contraponto, o PSD  revelou ter ali um dos seus piores candidatos. De todos, era o menos preparado. Não vai ser fácil para os 1500 eleitores de Meirinhas escolher o futuro presidente, pois que tanto Artur Brás (CDS) como Daniel Mota (Narciso Mota/PH) estão igualmente aptos para desempenhar o cargo. 
Duas notas finais para desmitificar alguns preconceitos: 
1. o eleitorado de Meirinhas sabe escolher. Há quatro anos uma percentagem considerável de eleitores votou no candidato do PSD para a Câmara e no do PS para a Junta, caindo por terra a ideia da partidirite aguda. 
2. O que a Rádio Clube de Pombal está a fazer é verdadeiro serviço público, numas circunstâncias também diferentes, nestas eleições: os cidadãos estão mais politizados, mais esclarecidos, e mais disponíveis para participar na acção política, como se comprova. Estes debates estão a ser transmitidos no facebook e assim são vistos por milhares de pessoas, num processo de democratização louvável. É verdade que isso tanto pode desaguar numa maior participação nas urnas como num aumento da abstenção. Quero acreditar na primeira hipótese.
E hoje o debate é com os candidatos à Junta do Louriçal. Promete.

21 de setembro de 2017

Sondagem do JL/IPOM dá vitória a Diogo Mateus

Adenda:
Não acredito que a sondagem do JL/IPOM se confirme nas urnas. O PSD (Diogo Mateus) pode ganhar as eleições, mas não pela diferença que a sondagem aponta. Por outro lado, a sondagem varre os pequenos partidos da AM, com resultados que os coloca muito longe de elegerem alguém – não acredito.
Sempre afirmei que, numas eleições muito disputadas, como estas, os pequenos partidos teriam muita dificuldade em crescer, mas não acredito que sejam reduzidos a cinza.
Se se confirmasse a sondagem do JL/IPOM os mandatos na CM ficariam distribuídos assim:
PSD: 4 mandatos
NMPH: 4 mandatos
PS: 1 mandato

E na AM, se a votação fosse idêntica à da CM, os mandatos ficariam distribuídos assim:
PSD: 12 mandatos
NMPH: 11 mandatos
PS: 4 mandatos

20 de setembro de 2017

Hoje, palpito eu

Hoje, bafejado por dons especiais, arrisco previsão sobre o vencedor das próximas eleições autárquicas: NARCISO MOTA.
E arrisco, também, previsão sobre o número de mandatos na CM:
NMPH: 4 mandatos.
PSD: - 3 mandatos
PS: 2 mandatos
O 9.º mandato tanto pode cair para o PS (o mais provável) como para o PSD. Se cair para o PSD teríamos: NMPH: 4 mandatos; PSD: 4 mandatos e PS 1 mandato.

E para a AM:
NMPH: 10 mandatos
PSD: 9 mandatos
PS: 5 mandatos
CDS: 1 mandato
BE: 1 mandato
CDU: 1 mandato

Era um debate?



O que deveria ter sido um debate entre os candidatos à Câmara, ontem à noite, foi um sofrimento. O mais fácil seria discorrer sobre a prestação dos oito candidatos e concluir que, quem cá mora, tem razões sérias para ficar preocupado com o futuro, ganhe quem ganhar. O óbvio seria apontar  a pose arrogante de Diogo Mateus (PSD), a inabilidade crónica de Narciso Mota (agora independente), a insegurança de Gonçalo Pessa (BE), a assertividade de Sidónio Santos (CDS), a insistência de Fernando Domingues (CDU) a vontade de Pascoal Oliveira (MPT), a desadequação de Amilcar Malho (independente), a condescendência de Jorge Claro(PS). Para mal dos nossos pecados, a iniciativa (louvável, nos tempos que correm, perante a debilidade em que vivem as rádios e os media, em geral) não chegou lá. E é doloroso constatar a forma como regredimos, tão bem espelhada no Teatro-Cine, ontem à noite, a começar pelo palco e a a acabar na assistência: os mesmos, com as mesmas camisolas, que durante 20 anos aplaudiram aquele mesmo discurso de Narciso e seu concelho-charneira, são agora os que o apupam, que se riem do que diz. É bom que Diogo ponha as barbas de molho. Se eu não tivesse assistido aos últimos 24 anos da vida política local, nunca acreditaria nisto. 
Sendo assim, o que sobra? um concelho envelhecido, sem qualquer estratégia de renascimento, refém do caciquismo, agora dividido entre aqueles que querem segurar (ou alcançar) qualquer interesse e os anseiam recuperar o que perderam, seja isso poder ou emprego. 
Não houve um único momento de debate ao longo da fastidiosa noite. Diogo Mateus sentiu-lhe especialmente a falta. Tanto que abriu o microfone as vezes que lhe apeteceu (sem nunca ser advertido por isso).
Por último, mas nem por isso menos importante,  uma nota para os milhares que assistiram, partilharam e comentaram o debate, organizado pela 97FM Rádio Clube de Pombal e transmitido em directo pela Pombaltv. Isso diz bem do interesse que estas eleições - especialmente o duelo entre Narciso Mota e Diogo Mateus - despertaram no eleitorado. Temo que, depois de ontem, a maioria se remeta ao desprezo pela acção política. Para nós, aqui na terra, é como dizia o poeta Manuel António Pina: "Ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde".

O que mostraram os candidatos à junta de Pombal

Os debates – melhor dito, os monólogos - entre os candidatos à junta de freguesia de Pombal (só) serviram para mostrar o desajuste entre o perfil dos candidatos e as atribuições do cargo. Uma parte do desajuste advém da discutível utilidade das juntas de freguesia, nomeadamente da junta sede do concelho; outra provém do perfil e das motivações dos candidatos. Há candidatos impreparados para o cargo, e há outros que preferem ignorar as atribuições do cargo porque se consideram bons demais para ele. Perante o desajuste congénito, os candidatos adoptaram um registo muito tuga: falam do que não são responsáveis - do que é da competência da câmara e (até) do governo - e não falam do que é da responsabilidade do cargo a que se candidatam. Era conveniente que descessem ao concreto, ao campo de acção da junta; ajudavam-se e poderiam ajudar.
O Pedro Pimpão (PSD) disse-se apaixonado pela terra e afirmou que (em) Pombal (tudo) é extraordinário. Como ainda não se descobriu como melhorar o notável e o extraordinário, manda a prudência que não o deixem estragar isto, que o mantenham como deputado da Nação.
O Anibal Cardona está como candidato à junta mas tem a cabeça na câmara. Por isso, quando lhe pediram que falasse sobre as atribuições e competências da junta, discorreu dez minutos seguidos sobre estratégia, proposta de valor, processos, liderança; e nada sobre a questão. É bom demais para a junta.
O Eduardo Carrasqueira mostrou que não sabe bem o que é junta. Limitou-se a debitar banalidades e histórias de vida; quando a memória o traiu leu as intenções do cardápio.
A Sílvia João ainda não percebeu o papel que representa. Respondeu sempre com superficialidades que não adiantam nem atrasam.
O António “Calvário” mostrou que sabe e conhece a realidade local das obras e saneamento. É o típico especialista que só conhece o martelo e, por isso, acha que todos os problemas se resolvem pregando pregos. Na câmara daria um bom encarregado ou ministro das obras e saneamento.

Desperdício duplo








Em Abiúl, a câmara, a junta e a comissão fabriqueira, não resistem à asneira: destroem património e dinheiro. Só lhes falta meter a igreja abaixo e fazer uma nova.



18 de setembro de 2017

Daqui fala a mãe


O novo Centro Escolar de Pombal abriu hoje as portas, pela primeira vez. Entraram por ali adentro 194 crianças, que a partir de agora hão-de correr pelos corredores impregnados do cheiro a novo, ocupando então seis salas do primeiro ciclo e três do pré-escolar. Eram quatro, mas as inscrições não chegaram para tanto. Fui lá hoje pela primeira vez e trago uma sensação agridoce: não é tudo perfeito mas é melhor, muito melhor do que a escola Conde Castelo Melhor, onde outros tantos meninos continuam a brincar num recreio pobre, a almoçar num refeitório que ecoa e amplia os gritos de miúdos e graúdos, enfim, o verdadeiro "reformatório do século XIX", como tão bem lhe chamou (em tempos passados) o director do Agrupamento. E isso devia bastar para fazer corar de vergonha o nosso poder político, um município que escolheu para lema na educação o "sucesso escolar 100%". Como tão bem lembra Catarina Pires neste exercício de memória, "a escola deve ser o principal instrumento de criação de igualdade de oportunidades e justiça social."

Só que não é. Em Pombal, não é. Bem pode Diogo Mateus esgrimir argumentos e vantagens de "não ter uma escola com 400 alunos", para justificar a opção de requalificar a velhinha EB1 em vez de construir o Centro fora dali, que isso não apagará os factos deste ano lectivo: há meninos a chorar na Conde, tristes porque não tiveram a mesma sorte que os outros. Houve um sorteio, como é sabido, que ditou as turmas bafejadas. "Isso daqui a uns dias passa", hão-de dizer-me. Pois passa. "No meu tempo também não tinha melhores condições e ninguém reclamava". Pois não. Só que o tempo não anda para trás, o mundo é outro, e a nossa exigência na aplicação dos dinheiros públicos também o deveria ser. 
Descendo na cronologia, uma nota importante: a reunião no ginásio da escola secundária de Pombal, segunda-feira passada, entre o agrupamento, a Câmara, a Junta (afinal o presidente sempre se dignou a aparecer, depois de anunciar em edital que não fazia sentido reunir com os pais e falar de AEC's, almoços e ATL, por estar em fim de mandato...) e os pais. Demorei oito dias a digerir aquilo. Era um anfiteatro cheio de pais, a maioria mais ansiosos que os filhos, muitos que ali entravam pela primeira vez. Lembrei-me naquela hora da minha primeira reunião do género a que assisti, no velhinho ginásio da EB1, salva pelo entusiasmo da professora Trindade, então à beira da reforma. Falta entusiasmo e faltam sorrisos nestes encontros a que a Escola chama de acolhimento, efeito bálsamo para pais à rasca. Na segunda feira passada, o presidente da Câmara anunciou a todos aquilo que já se adivinhava quando passávamos perto da obra: o Centro Escolar não estava pronto, as aulas só poderiam começar na semana seguinte. E por mais que tenha apreciado a forma frontal como ali foi falar aos pais, isso não apaga o desrespeito da revelação tardia. Mais uma vez, tudo começa e acaba na comunicação, ou na falta dela. E num caso destes, bastava aos pais terem sido avisados atempadamente do adiamento da abertura, para que pudessem (re)organizar a sua vida. Mas os pais estão condenados ao papel de espectadores neste processo educativo, são encarados pela escola como figuras decorativas na estrutura, e quando assim não é...é uma chatice. Não vem mal ao mundo que uma obra se atrase, desde que estejamos todos preparados para isso. Porém, parece que esta nem se atrasou. Naquela reunião ficámos a saber que o caderno da encargos previa a entrega da obra até 15 de Outubro (!) Sendo assim, é tempo de embarcarmos naquele discurso fofinho do "em Pombal temos muita sorte, estamos muito bem, quem dera ao país estar como nós"? Não, não é. É tempo de sermos exigentes com o poder que nos governa e com a oposição que deveria perceber estas coisas antes de as assinar de cruz. Ou só agora repararam que os meninos não cabem todos na escola nova, aprovada por unanimidade, como é costume?
Sobre a obra da escola nova, falta dizer que ainda não houve bênção, embora precise. O piso do recreio não inspira confiança a um crente. As salas de aula são demasiado pequenas para turmas com 26 meninos. O resto é bom: espaço amplo no refeitório e na biblioteca. O ginásio ainda não está pronto mas promete. Temos metade do problema resolvido. Dentro de poucos anos talvez esteja todo ele sanado. E eu, que continuo a defender a escola pública e as lutas dos professores (mesmo que nem todos nem sempre o mereçam) acredito que os nossos filhos vão ser felizes ali. De resto, não podemos esperar que toda a gente nos compreenda, que quem opta pelo privado para a educação dos filhos saiba colocar-se no nosso lugar. Essa deveria ser a primeira condição para um titular de cargo público, seja ele qual for. 

16 de setembro de 2017

Olé, Sandra, Olé!

Foi uma cena de faca e alguidar como não há memória na Assembleia Municipal. Sandra Barros, a seráfica presidente da Junta de Abiul que se fez eleger pelo CDS mas que acaba de se mudar para o PSD, soltou a língua na última reunião do mandato, proporcionando uma cena trágico-cómica. Desafiada pelo astuto Ricardo Ferreira, confundiu o salão nobre com uma tertúlia das lides e...rodou a baiana.
O que falta de tacto político à presidente de Abiul sobra a Ricardo Ferreira, mentor do renascimento do CDS em Pombal, verdadeiro peão de brega de todo o processo autárquico. Sandra achou-se "com as costas quentes", escoltada pelo PSD,  mas apostamos centavo contra vintém em como aquela cena fez corar de vergonha Diogo Mateus, pouco dado a este baixo-nível. Quatro anos na Assembleia não lhe bastaram para aprender que o jogo político se faz de algumas regras básicas...
Mas, para além da forma, há o conteúdo das suas acusações. A provarem-se, estamos perante um crime. E sendo assim, das duas uma: ou os membros do CDS em Abiul são uns arruaceiros destruidores de propaganda, ou há aqui trabalho para os tribunais. 

A provocação:

A resposta:

15 de setembro de 2017

Tempo de balanços

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Realizou-se ontem a última sessão da Assembleia Municipal (AM) deste mandato. Foi uma sessão política, aproveitada pelos políticos que por lá ainda restam para balanço e campanha eleitoral.
O presidente da assembleia – Narciso Mota – despediu-se do cargo com mais desculpas que brilho. Não conseguiu compatibilizar o exercício do cargo com o de candidato opositor. Deveria ter renunciado ao cargo após o anúncio da candidatura.
O presidente da câmara – Diogo Mateus – foi o que mais política fez na sessão e ao longo de todo mandato; mal, vezes demais, para ele e para os outros. Conseguiu transformar um passeio triunfal num calvário com final imprevisível. Mas fez correctamente o balanço dos outros: uma oposição preguiçosa e cómoda, quando deveria ser mais estudiosa, mais assertiva, mais rigorosa e trabalhadora.
A bancada do PS, por comodismo e por não gostar de incomodar, por preguiça e falta de capacidade de trabalho, nunca fez política - desperdiçou até factos políticos que provavelmente não surgirão na próxima década. Foi uma bancada de gente em serviços mínimos e de corpos presentes.
No CDS nunca existiu bancada, só dois atiradores: Ricardo Ferreira e Henrique Falcão. O primeiro foi uma surpresa: Jovem, astuto, preparado e com intento político em tudo que faz; o segundo foi uma desilusão: acomodado e colaboracionista (os favores pagam-se), limitou-se a dar uns tiros de pólvora seca. No entanto, na última intervenção mostrou que, se quisesse, poderia ter feito um bom mandato: desmascarou as figuras que se pavoneiam pelos cargos públicos, pedindo-lhes que reportassem à assembleia as actividades e os resultados atingidos nas entidades/comissões para onde tinham sido eleitas como representantes da AM. Não se ouviu uma única informação substantiva; mas ficou a saber-se que algumas só tomaram posse…
Do representante da CDU não vale a pena falar.
A bancada do PSD não quis ou não conseguiu fazer política. Muito corpo presente e pouco discernimento político. O Pedro Brilhante foi o único que cresceu ao longo do mandato – melhorou a retórica e a substância, falta-lhe abandonar o que resta de paleio jota.

PS1: a maioria dos membros da AM terminou o mandato sem nunca ter lido o regimento, e o democrata Pedro Pimpão tentou aproveitar essa fragilidade para silenciar a oposição mas não deu carta-branca à sua malta para violar o dito regimento.
PS2: A oposição (e os desalinhados) pouco rigorosa e pouco estudiosa vai ao tapete sempre que levanta a garimpa porque esquece-se que aprovou uma medida e mais tarde faz oposição à medida.