23 de junho de 2017

Conversa de trampa

Diogo Mateus dixit: O PSD está a ficar purificado.
Vox populi: e ainda vai ficar mais purificado depois das eleições.

Mal por mal, antes Pombal


Uma das coisas boas que temos: o festival Sete Sóis Sete Luas. Uma obra de Zed1, da Toscana, ficará para sempre na encosta do castelo, naquele muro que era feio. Quem dera que o Marquês tivesse sido assim, um ser que se dá ao vento. Mas a arte tem essa extraordinária capacidade de transformar em beleza até o que é agreste. E sim, está um belo Pombal :) 

22 de junho de 2017

Uma tragédia colectiva

O fogo de Pedrogão-Grande foi uma verdadeira tragédia colectiva.
Tragédia porque deixou as populações de três concelhos (Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera) entregues ao enigma do destino, um destino cruel que roubou a vida a dezenas de pessoas e impôs um sofrimento imerecido a milhares. Colectiva na medida em que nela todos participaram: uns como actores/vítimas, outros como figurantes; uns com culpa inconsciente, outros consciente; uns sofrendo, outros sublimando o sofrimento.
Foi uma tragédia onde as pessoas afectadas mostraram uma serenidade e uma dignidade assinaláveis; ao contrário de outros – dos figurantes -, que se aproveitaram da desgraça alheia para capitalizar. Foi, também, uma oportunidade para os epiléticos das ideias apontarem culpados, causas e soluções - como se houvesse causas únicas e soluções fáceis e imediatas. Alguns foram ao ponto de apontar o eucalipto como o grande culpado. Coitado do eucalipto!
É já possível afirmar que a tragédia ocorreu porque, perante a conjugação de condições extremas - climatéricas, terreno e floresta –, foi dada a resposta normal. A floresta é o único factor que o Homem pode controlar - os outros não estão nas suas mãos. Convém, por isso, ganhar consciência de que é a Natureza que condiciona o Homem e não o Homem que condiciona a Natureza. O estado da floresta é resultado de escolhas individuais, de condicionantes que veem de muito longe e de formas e estilos de vida que mudaram profundamente. Mas uma coisa é evidente: se não se ordenar o território e a floresta vão ocorrer mais tragédias como esta. Muitos culpam o governo e as entidades oficiais pelo estado a que chegámos, esquecendo-se que a responsabilidade é de todos, e que a resistência à mudança, que tem que ser profunda para produzir os efeitos necessários, é geral. Naquela zona, a Natureza fez reset na floresta. É uma oportunidade para recomeçar bem e de forma mais fácil.
A tragédia serviu também para uma malta se comover, poder derramar boas lágrimas e livrar-se da culpa inconsciente e do sofrimento ao realizar actos compassivos. Desde a antiguidade que os Homens sempre situaram a compaixão num nível baixo, na hierarquia dos sentimentos morais; e com razão, mas estavam longe de imaginar o alarde que vai, na contemporaneidade, pelas redes sociais.
Para Nietzsche a compaixão (pública) não tem por objectivo o prazer do outro; pois ela abriga no mínimo dois elementos de prazer pessoal, e é, desta forma, fruição de si mesma: primeiro como prazer da emoção, e depois, quando impele à acção, como prazer da satisfação no exercício do poder.
O folclore de “solidariedade” que a tragédia de Pedrogão Grande desencadeou e o aproveitamento dela se está a fazer, repugna o ser mais cálido. Como bem refere o cálido F. Pessoa: “nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra “dever” é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos “dever cívico”, “solidariedade”, "humanitarismo", e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas”. 

20 de junho de 2017

TAP solidário


No próximo dia 23 de Junho, sexta-feira, pelas 22h00, no Teatro-Cine de Pombal, o Teatro Amador de Pombal apresenta o espectáculo «Lusíadas?», uma iniciativa de apoio de às vítimas do incêndio que assolou a região Centro, em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera. Os bilhetes de ingresso não têm valor definido - é o espectador quem define o preço do bilhete e dá o que entender, de acordo com as suas possibilidades - e a totalidade da bilheteira reverterá para a ajuda às vítimas do trágico incêndio. Parabéns pela iniciativa.

16 de junho de 2017

O toldo da Igreja Matriz

A foto é desta manhã, 16 de Junho do ano da graça de 2017. Esta é a Igreja Matriz de Pombal. Aquilo é um toldo. Onde páram os regulamentos, artigos, condicionantes que a Câmara aplica sempre que um munícipe quer colocar qualquer estrutura semelhante em edifícios da zona histórica? Que aberração é esta, senhores?

Farpas eleitorais

O Farpas vai abrir a porta do blogue à opinião de todos os candidatos autárquicos que entendam partilhar artigos originais (e não cópias de programa eleitoral), a partir de hoje e até à campanha eleitoral, em meados de setembro. Avizinha-se um verão quente e aqui na casa suportamos bem o calor, e até gostamos dele. Por isso, os interessados em partilhar com a blogosfera o que pensam sobre a terra e a gente, devem fazê-lo para farpaspombalinas@gmail.com, num máximo de 3000 caracteres (incluindo espaços) e preferencialmente ilustrados com uma fotografia alusiva. Venham daí essas farpas!

13 de junho de 2017

Obra torta

Se há área onde a igualdade de oportunidades é essencial, é na Educação. Em Pombal continuará a não o ser. Não por falta de recursos, mas por falta de vontade e de planeamento.
Às vezes, custa a perceber certas opções: se são premeditadas ou impensadas. A câmara andou a construir Centros Escolares onde não há crianças - nem vai haver nas próximas décadas - e adiou a construção de um Centro Escolar na cidade onde há crianças.
Tardiamente, a cidade vai ter um Centro Escolar no próximo ano lectivo (eleições oblige). Mas o pior, neste caso, nem é chegar tarde; é não responder às necessidades actuais e futuras. Por isso, metade das turmas do 1.º ciclo funcionará no novo Centro Escolar (que não é centro nenhum); e a outra metade funcionará na velhinha Conde Castelo Melhor – escola sem condições mínimas, que deveria ter sido encerrada no século passado. Teremos, assim, metade dos alunos numa má escola - dos meados do século passado - e outra metade numa escola dos novos tempos. Bem pode Diogo Mateus encher a boca com o sucesso escolar a 100%; mas, a trabalhar assim, só cava insucesso.
Pelo meio, a direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal lava (disto) as mãos como Pilatos; e a (nova) Associação de Pais de Pombal deu um contributozinho: propôs um sorteio para distribuir as turmas pelas duas escolas.
O problema ficaria abafado, democraticamente!

12 de junho de 2017

É uma pena

A (pré) campanha corre, em velocidade de passeio-de-domingo-depois-da-missa. No grupo dos oito anunciou-se estes dias Sidónio Santos, pelo CDS. E trouxe à liça mais um slogan fracturante: "Pombal vale a pena". É um daqueles que podia servir (alguns) meninos da Jota para fazer o que gostam - ridicularizar os outros , como fizeram com o PS e com o cartaz de Jorge Claro (contando que se pôs a jeito...) Na verdade, podemos olhar para a tirada de duas perspectivas: ou vale o sacrifício, ou o slogan encerra uma versão mais misericordiosa de quem sabe que isto é uma pena.
Em todo o caso, é penoso concluir que por aqui  contribuímos sem esforço para o trabalho dos Tesourinhos das Autárquicas, onde Narciso Mota já tem lugar de destaque, ele e o seu Pombal Humano. 
O que vale a pena é perceber onde é que isto nos vai levar.

10 de junho de 2017

Autárquicas - Junta de Vermoil

O PSD viu-se à rasca para encontrar um sucessor de Ilídio da Mota. É sabido que, nestas coisas, quem quer não pode e quem pode não quer. Não é preciso mover mais do que um pé nesta corrida para a ganhar, mas há mínimos olímpicos - e esses, a avaliar pela indecisão que reinou até há pouco tempo no partido - nenhum dos potenciais sucessores os cumpria, nomeadamente a popularidade junto do eleitorado. A escolha recaiu então no actual secretário da Junta, Carlos Santos, que parte para a corrida eleitoral com uma freguesia despovoada, mas com um pólo escolar para inaugurar. Quando for dado o tiro de partida lá estará Leonel Manuel, pelo PS, algum trabalho no insólito mundo associativo daquela freguesia e sem muito a perder, se for o caso. Também lá vai estar um ilustre (des)conhecido de Narciso Mota, de seu nome Manuel Gaspar, um engenheiro que ali goza a reforma. E falta saber se o CDS sempre consegue ir a jogo, numa altura em que se esforça por encontrar um/uma que não esteja comprometido ou lesionado.

6 de junho de 2017

Um banho de realidade

A conferência organizada pela JSD, subordinada ao tema “Desenvolvimento Económico”, teve o mérito de confrontar os participantes com a realidade local: um concelho a definhar - sem capacidade de atrair investimento, criar emprego de qualidade e fixar pessoas - e um poder autárquico insensível ao problema.
O ilustre pombalense Jorge Martins – CEO Capgemini Portugal – começou por apontar o “problema demográfico”, provocado pela “diminuição do número de habitantes” (e nascimentos) e o consequente “envelhecimento da população”, para depois dizer que o “indicador mais preocupante é a descida significativa do número de jovens a estudar em Pombal, o que … significa que vamos ter problemas a prazo de capacidade de emprego para as empresas”. Feito o diagnóstico, Jorge Martins defendeu que “no curto prazo este problema só se resolve com a captação de investimento e mão-de-obra estrangeira”. E acrescentou: “o que nós precisamos nos próximos anos é trazer uma mentalidade nos nossos autarcas que têm que andar com a mala-na-mão, …significa que têm que vender, têm que passar a vida dentro das empresas, têm que percorrer o país …, para perceberem o que é que têm que desenvolver dentro dos seus municípios; têm que funcionar como umas verdadeiras agências de investimento, têm que ser uma espécie de director comercial”. E referiu o caso de Paredes de Coura: “tem um presidente que é conhecido por todo o país por ser um vendedor, …mas a verdade, de facto, é que um conjunto de empresas têm aparecido em Pareces de Coura, e seguramente não é uma câmara que tem um conjunto de vantagens que nós temos”.
Jorge Martins não disse nada novo - já por aqui tínhamos dito o mesmo -, mas foi importante tê-lo dito aos jotas laranja e ao presidente da câmara. O Desenvolvimento Económico não é uma área onde a câmara tenha uma responsabilidade directa; mas, no longo prazo, é sempre o resultado de inação política ou de políticas erradas. Por isso, o definhamento económico e social de Pombal é, em grande parte, da responsabilidade dos executivos que estiveram na câmara nos últimos vinte anos, porque nunca se preocuparam em promover e vender Pombal, em captar empresas e novos negócios. Preocuparam-se, sim, em manter-se no poder. Os presidentes que Pombal teve nos últimos vinte anos não saem com a mala a vender Pombal, no país e no estrangeiro; saem com uma mala mas é para distribuir subsídios por um associativismo falso e por comissões fabriqueiras. Opções políticas que dizem tudo sobre pessoas que as praticam: zelam bem pelos seus interesses pessoais – manutenção no poder à custa dos recursos de todos - e pouco pelo interesse comum – crescimento económico e do nível de vida das pessoas.
De seguida interveio o ilustre pombalense Manuel Sobreiro – fundador e administrador do grupo Derovo. Começou por referir que “o Parque Industrial M. Mota esgotou a sua capacidade, necessitando de ser alargado”. Acrescentou que se “deve ampliar o espaço industrial em duas vertentes muito importantes: a captação de novas empresas e novos negócios, mas por outro lado deve estar muito atenta às empresas actuais”, … porque “as suas necessidades de investimento podem ter necessidade de (implicar) deslocalização” por falta de espaço no parque. E exemplificou dizendo que “apesar de possuir uma das principais indústrias instaladas no Parque M. Mota, pelas razões já abordadas, pode ser uma das candidatas à deslocalização, a prazo”; e recordou que “em 2010 envolvi-me directamente na preferência por instalar um complexo agro-alimentar em Pombal e, depois de múltiplos contactos, não foi possível”.
Eis um testemunho cru, na primeira pessoa, de como a CMP tem funcionado de costas voltadas para o crescimento económico, nas últimas décadas. Nada de estrutural tem sido feito e muita coisa foi mal feita, por falta de visão e vocação. Como disse Jorge Martins falta-lhes mentalidade para captar investimento industrial – não tentam sequer. Nas últimas duas décadas, a câmara não captou nenhum investimento industrial de média dimensão (mais de 10 m€ de volume de negócios ou 100 trabalhadores) e nenhum se instalou no concelho. Caso único na região, o que demonstra a falta de atractividade do concelho. Por outro lado, cometeu o erro crasso de estragar o Parque Industrial M. Mota, ao alterar os estatutos, contra a exigência expressa do benemérito que doou os terrenos, permitindo a instalação de armazéns e comércio.

Os jotas laranja devem reflectir sobre isto. E os pombalenses também.

5 de junho de 2017

Pombal Primeiro


Quando há imagens que valem mais que mil palavras (aqui sem oportunistas nem manhosos, que também por lá andaram) só a darmos nota do gesto simples e desinteressado que é jogar à bola em Pombal, e (sobretudo) treinar, com poucos meios, uma equipa vencedora. Dedo ao alto ao treinador Marco Ferreira -  parte integrante de uma geração a quem a terra deve mais do que imagina - que se despede do Sporting Clube de Pombal com um troféu: o clube ganhou ontem a Taça Distrital, frente ao Marrazes, no estádio municipal de Leiria. As fotos são gentilmente cedidas pelo Zé Paulo Oliveira.

4 de junho de 2017

Autárquicas – Abiúl

Em Abiúl os processos autárquicos estão emperrados; e, em grande parte, condicionados por Sandra Barros. Quem diria que a discreta presidente da junta - eleita pelo CDS encabeçando um grupo de independentes – seria, por esta altura, favorita e condicionaria os outros. O CDS aposta tudo nela, mas não a tem certa; e ficará com as mãos a abanar se a perder para o PSD.
O PSD quer recuperar a junta, e sabe que, para o conseguir, tem que roubar a candidata ao CDS. Por isso, continua a assediá-la de todas as formas, mostrando-lhe as vantagens da troca de uma união de facto pobre por um casamento rico. Pelo meio, (o PSD) vai resistindo às investidas de António Carrasqueira, que quer voltar.
O PS continua desencontrado com o destino: o anterior candidato quer voltar a sê-lo, mas o partido quer outro, que não encontra.
Por NMPM avança, supostamente, uma empresária da panificação desconhecida.

2 de junho de 2017

Fartura de candidatos: bom ou mau?

Há um princípio dialéctico clássico que diz: “alterações de quantidade provocam mudanças de qualidade”. Mas nada nos diz sobre o sentido da alteração.
Oito pombalenses já anunciaram a candidatura à CMP. Mesmo admitindo que nem todos chegarão a votos, bater-se-á o record de candidatos. Em teoria, a existência de mais candidatos é uma coisa boa, porque geralmente mais candidatos significa mais diversidade, mais possibilidades de escolha e melhor Democracia. Mas nem sempre, mais candidatos proporcionam mais diversidade, mais possibilidades de escolha e melhor democracia.
Nas últimas eleições autárquicas concorreram quatro candidatos à CMP, que (em conjunto) conseguiram 40,9% dos votos. A abstenção (com 55,1%) ganhou! Os candidatos não conseguiram convencer a maioria dos eleitores a votar neles. Por outro lado - e muito mais surpreendente, - o somatório dos votos “nulos” e “brancos” atingiu 8,9% (5,6 brancos e 3,3% nulos) - representaram a terceira classe/força mais votada.
O incremento de candidatos traz incremento de qualidade? Veremos. O verdadeiro teste-do-algodão à qualidade dos candidatos será dado pelo eleitorado. Se derrotarem a abstenção trouxeram mais qualidade…

31 de maio de 2017

Autárquicas - Junta do Oeste

Atentemos então na União de Freguesias do Oeste, onde nunca sararam as feridas abertas com a agregação, por parte da Guia, da Ilha e Mata Mourisca. Não haja ilusões: a fusão só tinha por objectivo dar escala à primeira, conforme o tempo tem vindo a provar, ainda que estejamos perante um caso paradigmático de muita parra e pouca uva. A Junta liderada por Manuel Serra, por impossibilidade do escuteiro Manuel António - corresponde,provavelmente, à freguesia que mais disputada será nestas eleições. 
O PSD avança de novo com Manuel Serra (ao centro, na foto). Não é um bem-amado, está longe do estilo dengoso do antecessor, mas tem aquele capital que lhe advém da seta, a apontar para o céu. 
O CDS vai a jogo com um dos seus melhores trunfos nestas autárquicas: Dino Freitas (à esquerda) Tem tudo para fazer o caminho que quiser na política, mesmo que o factor partido jogue contra ele...
Narciso Mota e o seu movimento independente NMPH joga também ali uma cartada: Gonçalo Ramos (à direita, na foto) é da Mata Mourisca, passa os dias na Guia e conhece bem a Ilha. É estreante nestas andanças, mas no terreno tem suportes de peso, como António Fernandes, o último presidente da Junta da Mourisca.
E o PS? O PS ainda não tem candidato.

30 de maio de 2017

Pedro, o abrilhantador

O maior espectáculo político do fim-de-semana contou (como não podia deixar de ser) com a participação de Pedro Pimpão, enquanto presidente da concelhia do PSD - já a atirar para o lugar de presidente de junta, que pensa ocupar a partir de Outubro. Esta veia da representação que anda a aprimorar no teatro está mais apurada que nunca. Pedro fez assim uma espécie de comédia a la carte, descrevendo a rotunda do Alto Cabaço como  oitava maravilha do mundo cá na terra, por exemplo. Ou quando falou desse "papel muito especial das mulheres" no partido e no concelho, no "entusiasmo que colocam nas vossas tarefas no dia-a-dia, em prol da comunidade" - pena é que o PSD quase não leve mulheres como cabeças de lista...No distrito de Leiria há apenas uma, no concelho também, (a não ser que consigam dar a volta a Sandra Barros, em Abiul). Isto sem falar na adjectivação a Diogo, a quem desejou um morno 'boa-sorte'.
Foi a ele, super-Pedro, modelo dos jotas que quando crescerem querem ser como ele, que coube o elogio à apresentadora e ao duo Ricardo e João Silva, que - segundo ele - "abrilhantaram" a sessão.
Pedro: nos meus primeiros tempos no jornalismo, muito o teu pai me deu na cabeça por causa do termo. Ouço-o até hoje a explicar a mim e aos outros que "os bailes é que são abrilhantados!". Vai-se a ver devias ter passado mais tempo no jornal...
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A (não) apresentação do Diogo

Diogo Mateus apresentou-se aos seus apoiantes, anteontem, no Cineteatro. Apresentou-se mas não apresentou nada; porque não quis ou porque não pode! O discurso do candidato foi (como bem sendo norma noutros candidatos) um conjunto de intenções e estados de alma contraditórios. O resto do evento foi uma mostra de vaidade falaz, com uns fazerem massagens de bálsamo no ego inchado do candidato, e outros a abusar de forma desajeitada da arte lisa e untosa de falar em contrário ao seu próprio intento.
Esperava-se mais de Diogo Mateus e do PSD. Esperava-se que partisse à frente porque é presidente da câmara. Logo, deveria partir com tudo, deveria ter já tudo. Parte como os outros: sem ideias e sem equipa. Mostra fraqueza. Não apresentou o cabeça de lista à AM, nem equipa vereadora, nem cabeças de lista às freguesias. Bem sabemos que está muito difícil encontrar um cabeça de lista à AM (vários declinaram o convite; o campo de recrutamento é muito reduzido; e pouquíssimos personalidades têm interesse e capacidade para exercer o cargo no próximo mandato); que a recomposição da lista à câmara é um processo delicado e, por isso, deliberadamente atrasado; e que há dificuldades nalgumas freguesias (quem diria). Mas não tendo nada para apresentar mais valia não fazer representação. Mas Diogo Mateus não quis destoar do nível dos concorrentes. Resolveu adoptar o registo amoroso e ficar-se pelos serviços mínimos. Compreende-se, mas exigia-se mais …
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28 de maio de 2017

Um candidato, #sefaxafore

Agora que cai o pano deste domingo de apresentação de candidaturas (PSD, CDU e BE), inauguramos aqui no Farpas a época do hashtag #sefaxafore, composição fonética mais utilizada pela apresentadora-revelação-laranja (o Pedro Pimpão diz que já lhe chamam a Catarina Furtado do Louriçal).
Pela primeira vez na história local do partido, na era vencedora, apresentou-se apenas o candidato à Câmara. Querem ver que o PSD ainda não tem candidato à Assembleia Municipal? Querem ver que José Grilo afinal (ainda) não era? 

26 de maio de 2017

Jovens velhos - a feira das vaidades


A "Feira da Juventude"  que este fim de semana vai ocupar a zona desportiva da cidade está anunciada nos espaços do Município, desde cedo. E permite chegar, antecipadamente, a uma conclusão: a organização precisa urgentemente de um up grade. É mais um exemplo de um evento cristalizado, feito sem energia nem garra, sem ousadia nem irreverência, sem nada daquilo que deve caracterizar a juventude. E não estou a falar da crítica corrente de trazer bandas de fora para tocar neste palco, em vez de bandas da terra (não podemos nem devemos ficar fechados na concha, e os jovens de Pombal também merecem ver bandas como os Firts Breath After Coma, por exemplo). Mas encher um pavilhão de jotas, stands e ginásios, como se fosse 1989 ou 2001, é um tudo-nada deprimente. Para uma geração que respira em modo digital, é confrangedor perceber que o pelouro superiormente dirigido pelo "jovem" Renato Guardado não se deu sequer ao trabalho de criar este ano uma imagem para as redes sociais, prevalecendo a do ano passado...
Não há um vídeo promocional - que aluda à interacção e faça crer aos jovens que são importantes para o Município. Isso diz muito do empenho que esta Câmara-jovem-e-dinâmica coloca naquilo que faz. Ou de como, em pequenos gestos, lhes vem ao de cima o "para quem é, bacalhau basta". Está bom para Pedro Pimpão distribuir abraços e fotos, para Diogo Mateus desfilar, e para meia dúzia de apaniguados fazerem de figurantes - consciente ou inconscientemente. 

25 de maio de 2017

Onde se dá conta da confissão da Condessa das Cavadas com o padre-cura Vaz

Ironicamente, calhou à condessa das Cavadas ser vice do Príncipe nesta fase crítica, de encargo e protagonismo demais para quem não os quer ter. A condessa já andava muito insegura e infeliz com as desconsiderações do Príncipe e a falta de solidariedade dos pares (nomeadamente da Marquesa Prada), e como não enxerga os pecados que cometeu nem as razões do ostracismo em que foi caindo, pior ficou quando soube que o ministro Videira está despachado e o ministro Jota encaminhado. Neste calvário, precisava de saber com o que contar ou se conta para alguma coisa, mas tem medo de perguntar, e da resposta. Até porque não são essas as preocupações do Príncipe. Para ele: primeiro ele, depois ele, e sempre ele.
A condessa, abatida e desamparada, procurou a protecção do divino: marcou confissão e aconselhamento com o padre-cura Vaz. À hora marcada apresentou-se na Igreja do Cardal. Assim que a sentiu chegar, o padre-cura Vaz dirigiu-se para o confessionário. Cumprimentaram-se de forma cordata e discreta. Sentou-se ele; ajoelhou-se ela; e benzeram-se. Começou, assim, o padre-cura Vaz:
- Formosa dama: dizei-me ao que vindes?
- Em busca de auxílio, Alteza – começou a Condessa. E prossegui: - Que nesta terra já não há com quem se possa tomar conselho nas incertezas, alívio nos queixumes, nem remédio na desgraça.
- Sei bem. Sei que se vivem tempos tumultuosos por causa das eleições – esse estratagema dos comunistas, para provocar a discórdia entre os cristãos e colocar hereges no poder. Mas estou certo de que, passado este espavento, tudo serenará, e esta terra de muitos e bons cristãos retornará os caminhos do Senhor – sentenciou o padre-cura Vaz.
- Assim espero, assim espero, Alteza – anuiu a Condessa, e acrescentou: - mas estes tempos estão a ser muito difíceis, com muita incerteza e sofrimento.
- Bem sabeis, Senhora, que para alcançar o Reino dos Céus é preciso sofrer. Cristo deu-nos o Seu exemplo: entregou-se aos fariseus para sofrer e morrer na cruz, mas ressuscitou e mostrou-nos o caminho da Salvação – relembrou o padre-cura Vaz.
- Eu sei, Alteza, eu sei: o sofrimento que leva à redenção é agradecido pelo Senhor; e eu estou aqui para fazer a minha contrição e cumprir a sua penitência - anuiu a Condessa. E acrescentou: - Tenho carregado uma cruz muito pesada; mas pior que o peso da cruz é o que está por detrás dela.
- E o que está por detrás dela…?
- O demónio e o seu ajudante – disse a Condessa. Ai o que eu disse! Perdoai-me Senhor; perdoai-me que pequei – suplicou a Condessa.
- Não sois a primeira a dizer-mo em confissão. Algo vai mal neste principado – concluiu o padre-cura Vaz.
- Eu não o digo a ninguém, porque tenho medo de o dizer. Digo-o aqui porque estou na casa do Senhor, e a coberto do segredo da confissão: o Príncipe é só aspereza e rigor, coloca-se num pedestal que rebaixa tudo à sua volta, repreende em público (e até por escrito) tão asperamente que humilha, excede todos os limites da censura cordata – desabafou a Condessa.
- Estais numa profissão maldita que até entre os próprios gera ódios – afirmou o padre-cura Vaz. Sede paciente até ao fim. Caminhai com cuidado, que o Senhor vos amparará se fordes cair. E lembrai-vos da lição dos apóstolos: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que eles (os políticos) alcançarem o Reino dos Céus”. Pecastes por maus pensamentos e palavras, não por más obras. Nada que uma boa penitência não repare.
- Já fiz uma grande promessa à Nossa Senhora de Fátima: se aguentar a cruz até ao fim e for eleita pelo Príncipe, irei em peregrinação a Fátima, no 13 de Outubro. E estou a pensar no reforço da promessa: atravessar o santuário de joelhos ou a rastejar. Dizei-me, Alteza: é devoção suficiente? – perguntou a Condessa.
- A peregrinação já mostra que a Condessa é uma Senhora de muita fé. O rastejar não é para uma Senhora da sua condição. O Senhor agradecerá muito mais uma boa esmola à Nossa Sr.ª do Cardal e, por exemplo, a ida na viagem da nossa paróquia à Eslovénia e Montenegro – recomendou o padre-cura Vaz.
- Se Sua Alteza assim o recomenda, assim farei. Mas, por favor, dizei-me: o que considera a uma boa esmola? – perguntou a Condessa.
- Nunca menos que um dos vossos ordenados por ano – disse o padre-cura Vaz.
- Para milagre tão dificultoso, parece-me razoável – anuiu a Condessa.
- Rezai um Acto de Contrição, um Padre-Nosso e duas Avés-Marias. E ide em paz, formosa Senhora. Deus vos abençoe – concluiu o padre-cura Vaz.                                                                                                                                                                                                   Miguel Saavedra

24 de maio de 2017

Agora escolha - afinal havia outro


No post anterior demos conta de sete (7) candidaturas à Câmara, mas logo outro força política nos fez chegar a intenção de se apresentar a eleições: nada menos que o MPT - Movimento do Partido da Terra, que avança para as autárquicas com Pascoal Oliveira.
Goradas as expectativas de ir a votos em coligação com o CDS, o Partido da Terra avança sozinho, sem medos. 
Sendo assim, no boletim de voto dos eleitores de Pombal haverá então 8 quadrados disponíveis para a cruzinha. E posto isto, tudo muda no nosso panorama - ou talvez não. Atentemos no que diz a numerologia: "O número 8 deitado simboliza também o infinito, e representa a inexistência de um começo ou fim, do nascimento ou da morte, e aquilo que não tem limite". Tipo a asneira. Ou de como continuaremos na mesma como a lesma. Mesmo sabendo que nada será como dantes depois do dia 1 de Outubro, depois do pranto e ranger de dentes que vai ser esta campanha.

Agora escolha



A numerologia diz que o  número 7  representa "a totalidade, a perfeição, a consciência, a intuição, a espiritualidade e a vontade. O sete simboliza também conclusão cíclica e renovação, e por representar o fim de um ciclo e o começo de um novo, "é um número que traz a ansiedade pelo desconhecido". Estamos assim, em Pombal, é um facto. Nunca houve tanto candidato à Câmara como nestas autárquicas: sete, no total. Está aberta a caixa de pandora de que aqui falámos há tempos.
Dos sete, três escolheram o próximo domingo, 28 de Maio, para se apresentarem ao eleitorado. Será o caso de Diogo Mateus - que não faz por menos e quer mostrar toda a força enchendo o Teatro-Cine. São mais de 290 lugares, e não me espantaria que fique gente de pé (ups, não pode, tal como nos espectáculos). O PSD sabe bem como fazer para lotar uma sala, esquecido o episódio do jantar dos 43 anos do partido, no Expocentro...
À mesma hora, Fernando Domingues entra na corrida pela CDU. É a segunda vez que vai a votos. Os comunistas não embarcaram na facilidade de cedência gratuita do auditório da Caixa Agrícola e vão usar o palco do auditório municipal, na Biblioteca. E ao fim da tarde, uma estreia:  o Bloco de Esquerda (que este fim-de-semana traz à cidade um encontro para jovens, o Inconformação) lança Gonçalo Pessa - não no Cardal, como estava previsto, mas no auditório da Escola Secundária de Pombal. Parece que as estátuas vão ocupar (de verdade) o espaço público. Que ao menos seja essa a lufada de ar fresco num puzzle demasiado bafiento. 

Nota de rodapé: o PSD está a preparar-se para forrar a cidade com novos e gigantes cartazes. Será que insistem em colar corações e afectos à imagem de Diogo? A sério?

Autárquicas – Junta de Pombal

No que se refere à Junta Freguesia de Pombal, já são conhecidos os cabeças de lista das principais forças políticas. O que não quer dizer que cheguem todos a votos – a imprevisibilidade impera.
Pelo PSD avança o Pedro Pimpão – deputado da Nação. "Desce de cavalo para burro"; nada que incomode um rapaz humilde e apaixonado pela sua terra.
Pelo PS avança Aníbal Cardona – vereador da CMP. Também "desce (menos) de cavalo para burro". Um incómodo necessário para quem sabe que, às vezes, é preciso dar um passo atrás, para poder dar dois em frente. Dará dois passos em frente ou dois passos atrás?
Pelo CDS avança a desconhecida Sílvia João. Conseguirá sair do anonimato?
Pelo NMPH talvez avance Eduardo Carrasqueira – o Remax mais conhecido por cá. Talvez, porque diz-se que chumbou no tirocínio para candidato.
A acompanhar…

22 de maio de 2017

A representação física da parolice

                                                                                                                                                                                  Foto: Paulo Cunha/Lusa
Um emigrante mandou erguer uma estátua em bronze, com seis metros de altura, a Rui Patrício (futebolista vivo e em actividade). Está no seu direito. Há extravagâncias piores. E formas menos eficazes de sair do anonimato. Mas que um presidente da câmara (e respectivo executivo) se aproprie da parolice para fazer um número, é demais.
Leiria não é uma vila da província, despida de cultura e bom gosto. É a capital de distrito. Deveria ter políticos com essa dimensão, não saloios.
Leiria tem um estádio morto. Agora tem uma estátua de um vivo vulgar. É vulgaridade demais.

19 de maio de 2017

Sérgio & Diogo: a poesia e a demagogia aliadas

Estou surpreendido com esta dupla maravilha, a qual preside aos destinos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal. E logo eu, que sou cada vez mais difícil de surpreender...
Mas vamos aos factos. Primeiro fui surpreendido pelo presidente da direcção da AHBVP, que não aceitou debater uma questão do domínio público, devidamente balizada. O que me surpreendeu mais não foi sequer a recusa no debate, mas sim a reacção do mesmo, quando Sérgio Gomes escreveu o poema épico: “Se tens algum problema pessoal comigo vens até Pombal que nós resolvemos isso, ok?” Lembrei-me logo dos Village People e do épico Macho Man, de 1978. Estou mesmo a ficar velho, pois já não tenho aquela reacção a quente que tinha mais novo. A experiência de vida ensinou-me a não ligar demasiado a patetices e a divertir-me com elas.
Descendo na hierarquia, passo então ao vice-presidente da AHBVP, Diogo Mateus, que há 2 ou 3 anos vi a “passear” num Veículo Florestal de Combate a Incêndios, em Pombal, como que se um VFCI servisse para transportar autarcas num incêndio (a não ser que todos os carros da câmara estivessem avariados). Diria apenas que é coisa de colarinho branco.
Há poucos dias li, no Diário de Leiria, que Diogo Mateus sugeriu uma daquelas ideias peregrinas, ou seja a instituição da carreira de bombeiro florestal, sublinhando depois que isso aumentaria seguramente o número de voluntários. Ora, enquanto geógrafo físico e tendo eu 18 anos de actividade bombeirística, fiquei perplexo com aquela afirmação, já que demonstra grande desconhecimento de causa e mostra que ano de eleições é mesmo um ano pródigo em ideias peregrinas.
Com que base pode afirmar que aumentaria seguramente o número de voluntários? Menos populismo por favor! Quer mesmo aumentar o número de voluntários? “Simples”, dê, enquanto presidente da câmara, mais benefícios aos bombeiros voluntários, directos e indirectos, pois é por aí que vai conseguir não só manter os que ainda vão tendo o espírito para aguentar a difícil vida de bombeiro voluntário, bem como motivar aqueles que pensam vir a ser bombeiros voluntários. Baixa de IMI, descontos na água, actividades lúdicas e apoios aos filhos em idade escolar, é por aí que algumas corporações estão a apostar (muito poucas ainda...). E mesmo assim isso não é suficiente, pois nada paga uns dias ou umas noites em branco a arriscar a vida e a dar o melhor de nós. Nada substitui deixar os que gostamos em casa e ir para cenários de terror, seja incêndios ou acidentes muito graves. Já pensou por exemplo em dar um subsídio extra aos ECINs´? Sabe que há aqueles grupos de 5 elementos que, no Verão, fazem de “bombeiros florestais”, certo? Além dos míseros 1,87 euros à hora que os elementos destes grupos recebem, que tal aumentar mais 2 ou 3 euros, de forma a ser um valor minimamente aceitável/digno? Refeições gratuitas aos grupos de ECIN´s é outro exemplo. Para que quer os bombeiros florestais? As corporações já têm os ditos bombeiros florestais, que já fazem esse serviço na época de Verão, uns melhor capacitados do que outros  é certo. Quanto às capacidades técnicas e profissionais, sabe ao menos que actualmente as corporações já têm muitas pessoas preparadas, desde jovens com cursos profissionais específicos, jovens licenciados, alguns mestres e raros doutorados, que apesar de terem competências técnicas e científicas em várias áreas afectas às áreas de acção dos bombeiros, não são reconhecidos nos próprios corpos de bombeiros? Sim, é uma realidade que raras vezes se fala, uma tema tabu, talvez porque alguns elementos dos quadros de comando e chefias vêm estes elementos como “ameaças” ao status quo. Como vê, e mais uma vez, não está devidamente informado sobre as várias realidades que ocorrem nos vários quadros de bombeiros voluntários. Diria apenas que este é um discurso tanto pleno de desconhecimento como de demagogia. Já oiço ideias peregrinas desde o início da década de 90, quando ingressei pela primeira vez num corpo de bombeiros, mas confesso que ainda me conseguem surpreender com algumas ideias peregrinas, tipo copy paste, pensadas eventualmente aquando de uma visita a um país estrangeiro, mas não devidamente transpostas e de acordo com as especificidades históricas, culturais e outras mais do país e da região de Sicó. É por essas e por outras que andamos a brincar aos incêndios há 40 anos, sem que se vá ao cerne da questão. O importante, para alguns, são as ideias peregrinas, que possibilitam destaque nas notícias em ano de eleições. Mera curiosidade portanto. Admito, contudo, que, por vezes quem tem ideias peregrinas não se aperceba do disparate que elas representam, daí a importância da blogosfera, que ajuda a esclarecer estas coisas.
É bom e de salutar que surjam ideias, contudo dispenso as ideias peregrinas. Em vez de se andar com a mania de inventar a roda, melhore-se o que de bom já temos, já que a base existe e recomenda-se.
João Forte (Geógrafo Físico/bombeiro voluntário)

18 de maio de 2017

O triunfo dos porcos

Foto: Pombal Jornal

Por estes dias há uma realidade desmancha-prazeres a mostrar o Arunca em todo o seu esplendor: uma nova descarga mexeu na dita e, já se sabe, quanto mais lhe mexemos mais ela cheira mal. Não fica bem nas fotografias ao estilo I love Pombal, nem nos discursos paz-e-amor de Pedro Pimpão. Uma chatice, portanto. Mas quem fica mal nesta fotografia é uma Câmara que recebe prémios de tudo e um par de botas, não sei quê florida e acessível. Pior do que passar quatro anos sem cumprir a grande obra prometida - o parque verde (alô meninos da Jota, cadê as fotografias em 3D, tão bonitinhas?) - é chegar ao fim com este legado: Pombal soma e segue todas as semanas com descargas no rio. À falta de um pelouro do Ambiente que se veja, talvez esteja na hora de ressuscitar a Aurora, uma associação criada há muitos anos por vários ambientalistas cá do burgo, entre os quais se contava nada menos que... o actual presidente da Câmara! 
Por vezes, somos forçados a concordar com  Diogo Mateus. Por exemplo, quando dizia, aqui há tempos, numa reunião do executivo: "somos todos trampa". O Arunca que o diga, em cor e cheiro. 

17 de maio de 2017

Insegurança no Convento de Santo António

Reina a insegurança no Convento de Santo António, em toda a estrutura: vereadores, dirigentes e funcionários. Manifesta-se na inacção ou na conflitualidade entre serviços.

Para agravar a coisa, a empresa de Segurança deu de frosques. 

Autárquicas - PSD

Nestas autárquicas, impera a imprevisibilidade: os avanços e os recuos, os compromissos e as rupturas.
José Grilo passou de despedido de mandatário a cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM).

Fracassada tentativa de reconciliação de Diogo Mateus com Luís Garcia (porque este tem memória), e após as negativas de outras individualidades, avança José Grilo para cabeça de lista à AM.

16 de maio de 2017

Que trata da falta de transparência, e não só

A fiscalização feita pela Intendência Geral do Reino, aos negócios do principado, foi uma grande contrariedade para o Príncipe; pelo momento e, acima de tudo, pelo conteúdo. O relatório reduz a pó a imagem, artificialmente criada, de um principado transparente.
Ciente dos impactos negativos que o relatório poderia provocar, o Príncipe tratou de conter os danos externos: desvalorizou o relatório e reforçou a propaganda. Começou por classificar as irregularidades como coisas menores, que já tinham sido ou estavam a ser corrigidas, e tratou de maquilhar a coisa internamente, com um toque aqui e outro acolá, mexendo nos regulamentos, mas deixando tudo na mesma, como interessa. Para tal, ordenou ao Pança que pusesse a Seródia a trabalhar forte na propaganda da imagem de transparência e marcasse uma reunião urgente com a Secretária-Geral.
Não foi fácil, ao Pança, marcar a dita reunião. Nesta época, o Príncipe tem a agenda sobrecarregada com as visitas necessárias para se mostrar ao povo, e a Secretária-Geral está sempre enrolada no seu emaranhado de formalidades e ocupada com os seus afazeres privados. Passado algum tempo, o Pança lá conseguiu sentar os dois à mesa; mas, como a coisa não avançava foi necessário chamar uns amanuenses mais instruídos para engendrar uma forma de dar resposta formal às irregularidades e, ao mesmo tempo, manter os esquemas que a Secretária-Geral impõe aos serviços com cobertura do Príncipe.

Como os intervenientes e os súbditos mais atentos sabem - e o relatório expõe -, os esquemas estabelecidos na contratação pública, nomeadamente nos ajustes directos e avenças, servem para entregar os contratos aos amigos. A Secretária-Geral sabe bem como actuar, para agradar; e sabe que, agradando, beneficia. Vai daí, protege-se muito nas formalidades, mesmo que isso comprometa a funcionalidade dos serviços e exponha os vícios do sistema. Do que ela não abdica é do cumprimento das formalidades. Logo, não deixa avançar formalmente os processos sem a existência de três propostas. Mas como é difícil obter três propostas para um ajuste directo que já se sabe a quem vai ser entregue - mesmo solicitando ao escolhido que arranje as propostas - os processos ficam bloqueados e os serviços emperrados. Nalgumas situações (exemplo: eventos com data fixa), o serviço começa a ser executado antes da adjudicação formal. E depois lá anda o comprador e o escudeiro a pedir propostas para encobrir as irregularidades. Algumas entidades amigas – as mais beneficiadas - já resolveram este problema formal - o limite do montante adjudicado por entidade – criando várias entidades com os mesmos sócios (como o relatório assinala). O tuga é especialista a contornar leis, e abomina a transparência.
                                                                                                                     Miguel Saavedra

11 de maio de 2017

Novas do concelho charneira

Associação fundada por pombalenses eméritos, com missão importante para o concelho e passado glorioso, abandonada pelos legítimos beneficiários e consumida até às entranhas por parasitas disfarçados de empreendedores, jaz moribunda.

9 de maio de 2017

Pedimos desculpa por esta interrupção


Se as eleições fossem no Facebook, não valia a pena a freguesia de Pombal ir a votos. O Pedro Pimpão já estava eleito desde ontem à noite, com  mais de 700 likes. Acredito que, mesmo não sendo virtual, a eleição está-lhe no papo. Conheço o Pedro desde pequeno, acompanhei-lhe o percurso entre a política e o futebol, e nos últimos anos delicio-me com o produto de marketing social em que se tornou. Não fosse tê-lo visto na Assembleia de Freguesia (ao tempo em que eu acreditei que isso servia para mudar alguma coisa), e ia jurar que o mundo é perfeito, Pombal é azul e rosa, sarapintado de florzinhas em cada colectividade de periferia. Não é, mas ele acredita nisso. E isso é bom. Faz-me crer que a minha filha ainda vai ter uma escola com um recreio a sério, que vá para além do pátio de cimento e duas balizas, qual "reformatório do século XIX", como dizia noutros tempos o director do Agrupamento de Escolas de Pombal. Que a partir de Outubro a política da Junta de Pombal para com os mais novos irá para além de um festival da canção;  que nessa senda de terem "uma atenção muito especial" - como fica claro na carta de intenções da candidatura - a Junta se preocupe com os parques infantis, com a qualidade dos equipamentos; que as AEC's sejam mesmo de enriquecimento e não de encher um plano de horas (há exemplos no país muito interessantes, mas disso ele saberá, ao cabo destes anos como deputado da nação). Depois há os mais velhos - como o meu filho, que se fez homem sem ter visto a luz do parque verde - que precisam tanto de ser envolvidos na comunidade. E há os idosos, tantos, tão sozinhos, da Cumieira ao Alto dos Crespos, da Ranha ao Travasso - que se houve coisa que eu descobri nas últimas eleições foi o atraso em que se vive a 1 km da cidade, por exemplo.
Pedro, é sugestões que queres? Anota estas. Como as eleições estão decididas, não sei se vale a pena fazê-las chegar ao Aníbal Cardona, à Sílvia João ou ao Eduardo Carrasqueira, que arriscam contigo uma luta de David e Golias. Mas há uma coisa que sei: posso dedicar-me à futurologia. Aqui no Farpas previ esta candidatura em Fevereiro passado. Não nos enganemos: Diogo não o quer com ele, e esta é a única forma que Pedro Pimpão tem de continuar a ser deputado em Lisboa, enquanto prepara o futuro em Pombal.

8 de maio de 2017

Narciso Mota dá mais um passo em falso

Em 2003, o PS de Pombal colocou na cidade meia dúzia de outdoors que alertavam para o mau estado das escolas do 1.º Ciclo.
Narciso Mota – presidente da câmara na altura - mandou arrancar os outdoors, apreende-os e nunca os devolveu.
Nos últimos dias, Narciso Mota – potencial candidato às próximas eleições autárquicas (ainda não formalizou a candidatura) - mandou colocar outdoors pela cidade e freguesias. O caso terá sido denunciado à GNR que estará no terreno a investigar o caso e a elaborar o respectivo processo.
Provavelmente, Narciso vai ter que arrancar os outdoors. Mais um passo em falso.
Nesta campanha autárquica, Narciso Mota vai provar muitas vezes do próprio veneno.
Não havia nexexidade!

Descubra as diferenças: cara ou coroa?


Lado a lado, os cartazes do PSD e de Narciso Mota são um maná para as aulas de marketing político em qualquer curso. Por isso mesmo, aqui no Farpas entendemos por bem pedir a opinião de um especialista em campanhas eleitorais - que por razões profissionais prefere não ser identificado (não vá ainda ser/deixar de ser contactado por algum dos dois, num país pequeno como este). Sobre o cartaz do PSD: "é dominado pelo design, o que dificulta a percepção da mensagem, ainda para mais num concelho pouco letrado. É difícil ler aquele claim, muito menos o que está dentro do "o". Percebo que queiram valorizar o PSD e não personalidades, por causa de Narciso, e que tenham escolhido futuro como palavra-chave, pelas mesmas razões. Mas podiam e deviam ser mais eficazes"...E sobre o cartaz de Narciso? "escuro, sem ideias, slogan risível, foto que parece demasiado retocada".
Dá sempre asneira quando ficamos pelas meias tintas, porque é um passo para o troca-tintas. Percebemos que o PSD queira insistir na seta, em vez da imagem de Diogo. Mas era escusado colar a cuspo a imagem dos afectos. Já Narciso, teve azar na impressão dos cartazes (além do resto), a fazer lembrar a promoção do Senhor dos Passos. Tem-se a ele, para mal dos nossos pecados.

6 de maio de 2017

Pedro: o especialista no dourar a pilula

Na discussão sobre o Relatório de gestão da CMP de 2016, Pedro Pimpão começou a sua intervenção informando a assembleia que não é versado em matérias contabilístico-financeiras.  Já o sabíamos, Pedro. Não sabíamos era que fosses tão ignaro nessas matérias. Mas o mal, Pedro, não esteve no introito – fica sempre bem um toque humilde, se sincero. O mal esteve na descabida retórica sobre matérias que dizes não dominar. Bem sabemos que por natureza e profissão foste conformado/deformado no “dourar a pilula” - tornaste-te um “especialista” nessa matéria. Mas como deves saber, a  pílula tem coisas boas e coisas más; logo, convém não exagerar na dose. Sabes: o exagero atira-nos para o ridículo.
Passado o humilde introito, entraste que nem cão-a-bofes no elogio ao Relatório de Gestão; derramaste sobre o relatório, o executivo, os funcionários, os presidentes de junta & al adjectivos eloquentes que tão bem sabes escolher. Classificaste o Relatório de NOTÁVEL e os (todos) resultados de EXTRAORDINÁRIOS, particularmente o resultado líquido de 4,6 ME.
Explica-nos, Pedro: como é que um deputado da Nação - onde (quase) só se debate economia e finanças - tem o descaramento de dizer publicamente que um resultado líquido de 4,6 ME atesta uma gestão camarária NOTÁVEL? Peço-te, por favor, que não ensines isto aos teus formandos de Marketing Político.

PS: mas estão bem uns para os outros: a oposição ouve, impávida e serena, o relambório; e, embalada pelo sermão, abstêm-se; assumindo, assim, que não seria capaz de fazer melhor.

5 de maio de 2017

A excursão a Fátima


No âmbito do plano de catequização traçado por D. Diogo, há excursões para diversos públicos. Desta vez os felizes contemplados são os funcionários municipais - que isto de ter tolerância de ponto não é para ficar em casa, no sofá, a ver o Papa na televisão. De modo que o município de Pombal hoje é notícia, pois que vai disponibilizar um autocarro para os trabalhadores irem a Fátima. É isso. Nós não merecemos autarcas tão bons, pois não?

4 de maio de 2017

O (falso) momento Zen de D. Diogo

No meio do longo exercício de malvadez que foi a última AM, D. Diogo introduziu o seu momento Zen – momento em que se apresentou como um santo. Mas reparem bem na malvadez do momento: no meio da discussão do processo dos 506 m€ de indeminização, D. Diogo informa a assembleia que o/a responsável pelas críticas ao CIMU-Sicó está identificado/a e está na sala, mas ele nunca vai dizer quem é. Como se não tivesse, naquele momento, apontado e exposto a vítima - que sentiu imediatamente o ferrete e expressou-o bem.
O CIMU-Sicó é o maior desastre (económico, arquitectónico e paisagístico) cometido em Pombal pelo poder local democrático. Toda a estrutura da câmara sabe quem é, desde a primeira hora, o pai e o padrinho do projecto. Mas se a coisa corresse mal, toda a gente sabia que D. Diogo encontraria um  “Bode expiatório”. Está encontrado. Não disse o nome! Não era necessário.
Já agora, pergunta para os mais distraídos: quem é a vítima?
1 – Paula Silva
2 – Renato Guardado
3 – Pedro Murtinho
4 – Outro

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3 de maio de 2017

Exigem-se respostas claras!

Numa carta-aberta ao senhor Presidente da Câmara Municipal de Pombal, a antiga Directora-Geral da ETAP, Ana Pedro, afirma que a escola "não cumpre mínimos de legalidade". E enumera: "Autorização Prévia da DGest obrigatória para o número de alunos que comporta; diretor ausente da escola mas quando presente ameaçando se preferem obedecer a ele ou ao Ministério da Educação, pautas de classificação entregues sem módulo concluído, diretor técnico pedagógico com profissionalização em serviço como bacharel, mas autorizado como licenciado omitindo que a licenciatura é pós-Bolonha; formadores de baixa por gravidez de risco a dar aulas; professores e formadores a assinar e serem remunerados por aulas sumariadas aquando alunos ausentes no tão publicitado ERASMUS; taxas de conclusão de curso na ordem dos 50%; dotação de horas não aprovadas nem financiadas pelo POCH em vários apoios e projetos, projeto EMPSE (sucesso escolar) sem resultados; permissão de fumar no recinto da escola com coberto elaborado para o efeito e apelidado de “sala de chuto organizada”; professora de Gestão/ Marketing e Turismo a lecionar a parte técnica dos cursos de saúde em Transporte de Fezes e Urina!"

Em que ficamos: o que Ana Pedro afirma acontecer corresponde, de facto, a um conjunto de ilegalidades? É este o resultado da estratégia delineada pelo actual Director-Geral da escola? Para quando entregar a gestão da escola a quem realmente percebe do assunto? Exigem-se respostas claras! 

Malvadez com requinte

Na obra "O Príncipe", Maquiavel explicou-nos que “um príncipe deve ter bons fundamentos; do contrário, necessariamente, cairá em ruína”. Por isso, “um príncipe deve evitar as ofensas”, deve “fugir àquelas circunstâncias que possam torná-lo odioso e desprezível” - não deve ser cruel.
D. Diogo é cruel (ou ganhou o epíteto – o que em política é a mesma coisa). Mas o pior nem está aí (em ser cruel). O erro maior está, segundo Maquiavel, em “as crueldades serem mal ou bem usadas”. “Bem usadas pode-se dizer serem aquelas (se do mal se pode dizer bem) que se fazem instantaneamente … e, depois, nelas não se insiste”. Por isso Maquiavel recomendava que “a fazer o mal, deve fazê-lo de uma só  vez; e fazer o bem de forma faseada”.
No exercício do poder, D. Diogo não segue os ensinamentos de Maquiavel, segue os príncipes medievais. Na Idade Média o odioso – o sofrimento – era aplicado de forma continuada e em crescendo, com intervalos para aliviar a vítima, de forma a tornar o sofrimento mais efectivo.
A última AM foi um longo exercício de malvadez servido com requinte: composto por ciclos que alternavam o registo impiedoso com o registo misericordioso, intervalados com o alívio da vítima.
É, também, um sinal de nobreza ridicularizar as situações patéticas e comportar-se nelas de forma indigna. Mas convém não abusar da dose.

Eu é que sou a presidente da Junta!


O que está a acontecer em Vila Cã é paradigmático de como os cargos são para exercer e não para deter, sob pena de correr mal. E na verdade, tinha tudo para correr bem: Ana Tenente foi eleita nas últimas eleições autárquicas pela esmagadora maioria dos eleitores daquela freguesia. Era conhecida e respeitada enquanto funcionária da Junta de Freguesia. Renegada pelo PSD, encabeçou uma lista independente e ganhou, prova maior de que, quando quer, o povo sabe bem fazer a destrinça. Mas falhou alguma coisa no exercício do poder. Sucederam-se demissões, as contas da junta estão mal explicadas, sobram acusações. Na sexta-feira passada, a reunião da Assembleia de Freguesia foi longa e dura, tal como se percebe pela reportagem publicada no Pombal Jornal - e, sobretudo, pelos relatos que correm na rua. Também fica provado, uma vez mais, que de nada valeu a Ana Tenente ceder às pressões de D. Diogo e seus apaniguados no processo da extinta Associação de Pais, que levaram à sua demissão enquanto presidente da Assembleia Geral. Dobrar a espinha nunca fortaleceu ninguém, só enfraquece.
Por esta altura ainda não é certo - mas é provável -  que a actual presidente (que quer manter-se no cargo e está pronta para se recandidatar) conte com o apoio de Narciso Mota. A confirmarem-se as intenções, há-de defrontar pelo menos mais duas mulheres nas urnas: pelo PSD a ex-secretária da Junta e sua antiga aliada, Maria José Marques, pelo CDS a jovem presidente do Centro Social, Liliana Silva. Por isso, bastaria ao PS ter um pouco de tino e encontrar um(a) candidato(a) à margem desta embrulhada para sair vencedor. A ver vamos, como diz o cego.