7 de dezembro de 2017

Mas...mas...

Acham que isso se faz aos senhores deputados?


O estranho caso do deputado que suspendeu o mandato sem tomar posse...

... e do substituto que também foi substituído.

Um dos casos que fica para os anais da vida política e dos órgãos autárquicos pombalenses é o do pedido de suspensão de mandato de José Gomes Fernandes (PSD), sem chegar sequer a tomar posse. 
Manuel Barros e Carlos Lopes (ambos advogados) das bancadas de NMPH e PS, respectivamente, bem questionaram sobre a legalidade desse sair sem entrar, mas a presidente parecia ter engolido um disco riscado: 'não dei posse a ninguém e não vou responder a essa questão'. Como se percebe pelo vídeo, Fernanda Guardado atira a responsabilidade para Narciso Mota - que na qualidade de presidente cessante dirigia a AM, na sua instalação. Devidamente instruída pelo partido, passou à frente, sem apelo nem agravo, partindo para um mandato ferido de legalidade. Mais ou menos como se tivesse ocupado uma cadeira partida, e - irresponsavelmente -  continuasse sentada nela, à espera que ceda, ao estilo 'não é nada comigo...não é nada comigo...' Depois há a implacável lei de Murphy: Nuno Carrasqueira tomou posse indevidamente, e não chegou sequer a aquecer o lugar, pois que agora é fiel escudeiro do companheiro Pedro Brilhante, na vereação. Em seu lugar sentou-se o jovem João Matias, que aparece no vídeo logo atrás do jovem João Antunes dos Santos.
Bem vistas as coisas, houve pelo menos uma coisa que a presidente fez bem, naquela assembleia: decorou a lição e declamou-a. Para memória futura: impediu uma declaração, fazendo crer (por desconhecimento ou não) que entregar um texto escrito ou ditá-lo, em voz alta, para a acta, seria a mesma coisa. Talvez seja importante que a revisão do regimento (em curso) tenha em conta algumas noções básicas da língua portuguesa e dos  direitos, liberdades e garantias.



4 de dezembro de 2017

Boa oposição

Esta discussão entre João Coucelo e Manuel Barros, sobre o Reconhecimento do Interesse Público Municipal (necessário para a regularização de um edifício industrial), mostra o quão necessário é a elevação do nível do debate político. Bastou a entrada de um novo membro com preparação sólida, para a lengalenga contorcionista ficar obsoleta.
Isto é boa oposição - obrigar o executivo a fazer melhor e os adversários a pedalar ou a encostar.

3 de dezembro de 2017

A presidente c'est moi



A primeira reunião da Assembleia Municipal tinha tudo para ser cordial e simultâneamente inócua, atendendo à ordem de trabalhos, dominada pela eleição dos diversos membros para representar a AM (e a todos nós) em vários organismos. Já se sabe que, na sua maioria, aquilo servirá de muito pouco, mas já que é assim há tanto tempo (não é dr João Coucelo?) seria uma chatice mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma.
Ora acontece que esta nova AM começa mal, partindo da (des)orientação dos trabalhos e da postura da nova presidente, Fernanda Guardado: bem sabemos que a tentação de imitar D. Diogo é grande, mas...como em tudo na vida, é preciso ter corpo para a mania. 
Foi arrogante ao mostrar uma enorme inflexibilidade na atribuição do uso da palavra aos membros da assembleia, nomeadamente  nas interpelações à mesa, colando-se aos tiques autoritários do presidente da Câmara. 
Fica-nos a dúvida: se o desempenho a que assistimos foi porque quis, ou porque não sabe mais.
É verdade que acordou tarde para a vida política, ainda assim já anda nas lides autárquicas há anos suficientes para perceber como se faz, como se honra o legado de Menezes Falcão, António Rocha Quaresma, Luís Garcia ou José Grilo Gonçalves, num passado recente. Fernanda Guardado foi parcial, porque tratou com toda a parcimónia a bancada do seu partido, e usou de toda a prodigalidade para com as bancadas da oposição.
O mais grave foi quando propôs – e foi aceite – a dispensa da votação de uma lista conjunta com o argumento de que, se era conjunta, seria aprovada por unanimidade. A votação de pessoas é sempre nominal e por voto em urna. Os partidos podem acordar uma lista conjunta, mas o voto é sempre nominal e secreto. E o resultado da votação só é considerado válido após a contagem dos votos em urna.
Em suma: mostrou que não sabe conduzir a assembleia. Tendo em conta que esta reunião (extraordinária) se limitava a cumprir formalidades habituais, o que será no futuro, quando a actividade política for a sério? 
Há ainda a manifesta insensatez na forma como tratou o caso JGF e inerentes ocupações desse lugar, mas esse é um caso que merece um post, de tão rico que é. 

30 de novembro de 2017

Anomalias e irregularidades

A discussão e aprovação da recepção (provisória) do Centro Escolar de Pombal era o assunto mais delicado que foi à última reunião do executivo. Percebendo-o, Diogo Mateus evitou expor-se em demasia: não participou na cerimónia de recepção (provisória) da obra e aproveitou a impulsividade da oposição para lhes passar logo a batata-quente. A oposição centrou as críticas nas 40 anomalias detectadas na vistoria à obra, mas o pecado maior não estava aí.
Quando foi preciso responder à oposição, Diogo Mateus chutou a defesa para a nova vereadora da educação e para o seu ministro das obras (tortas). A vereadora Ana Cabral - há muito convertida ao registo pimposo - procurou limpar as nódoas e embelezar a coisa com as fragrâncias deixadas pelas técnicas da DEGESTE.
A obra, como aquiaqui, aqui e aqui fomos dizendo, é um chorrilho de aselhice técnico-política: má localização, falta de capacidade, deficiente planeamento e programação, execução e recepção irregulares. Aplica-se bem aqui o rifão popular que diz: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. O Centro Escolar nasceu tordo, cresceu tordo e foi posto a funcionar de forma irregular, antes da aprovação da recepção provisória pelo executivo.
Pergunta-se: por que passaram quase três meses entre a entrada em funcionamento da obra e a aprovação da recepção provisória pelo executivo?

Um presidente sério e responsável não coloca o executivo perante factos consumados. 

A esquerda tem futuro em Pombal? Vem aí o debate


Depois de toda a novela que ocupou os meses de Outubro e Novembro (culminando com a decisão da Câmara a respeito da cedência de um espaço público), o Farpas vai finalmente realizar o debate prometido sobre o futuro da esquerda em Pombal, no Café Concerto. Por isso, na próxima segunda-feira, 11 de Dezembro, pelas 21 horas, estão todos convidados a juntarem-se aos bloguers desta casa e aos representantes dos partidos políticos de esquerda (PS, BE, PCP e PEV) para debater e esgrimir argumentos. Pelo Sim e pelo Não. Depois das últimas eleições autárquicas, este é o debate que se impõe. A entrada é livre, claro. 

27 de novembro de 2017

Pimpão aviador

Em Julho, Pedro Pimpão afirmou, perante uma plateia de fervorosos apoiantes: "Eu serei presidente da Junta de Freguesia desde o primeiro dia até ao último dia do mandato, desde o primeiro minuto ao último minuto". Todos aplaudiram e gritaram vivas!

O que é certo é que desde a sua tomada de posse no dia 24 de Outubro, o nosso bravo Presidente da Junta não tem faltado a uma única reunião plenária na Assembleia da República. As más-línguas poderão dizer que o moço não cumpre o que disse. Nada mais falso. Para o nosso super Presidente/Deputado, o trabalho na junta resume-se à presença nas duas reuniões plenárias mensais (uma é hoje e aberta ao público), às festas nas colectividades e às missinhas dominicais. O povo gosta. E isso é que é bonito!

24 de novembro de 2017

O dia em que o Farpas foi à reunião de Câmara e 'abriu' o Café Concerto


Os leitores do Farpas acompanharam por aqui a historieta do debate que este blogue queria promover, no âmbito da série 'Um Café e uma Farpa', subordinado ao tema "A Esquerda tem futuro em Pombal?", e que o Conselho de Administração da PMUGest recusou realizar no Café Concerto. É uma novela de muitos episódios, essa, mas cujo ponto alto aconteceu esta semana, em plena reunião de Câmara. Diogo Mateus - que respondia a um pedido de esclarecimento do vereador Micael António - chamou a si o assunto e desfiou as contas desse rosário. O vídeo que aqui publicamos é quase esclarecedor. Ao Farpas interessa sobretudo o essencial: que a partir de agora  "se disponibilize a segunda-feira para que o espaço possa abrir para este tipo de realizações", como sentenciou Diogo Mateus, que assim pôs cobro a uma birra pessoal gerada na PMUGest. Fica-nos a frase, lapidar "eu se calhar não teria decidido da mesma maneira..." enquanto agendamos o debate, para breve, no Café Concerto. Que é um espaço público, mesmo que isso custe a alguns.

23 de novembro de 2017

O Lar da Felicidade


Pelo que tem de particularmente revelador do que foi e do que é a política local, tanto no sentido literal como subjectivo, vale a pena ouvir o debate sobre o Lar da Felicidade, que ocorreu, ontem, na reunião do executivo da CMP.
A câmara foi o lar da felicidade de Narciso Mota; actualmente, é o lar da sua infelicidade, e o da felicidade de Diogo Mateus.
Como bem disse J. Ortega y Gasset: “O Homem é o Homem e suas circunstâncias” - mostram-me os anos, entretanto passados, que é mais as suas circunstâncias.
As circunstâncias fizeram Narciso Mota presidente da câmara, mas não fizeram Narciso Mota Homem, sábio. Custa dizê-lo com esta crueldade, mas a Política é cruel - tal como a sua linguagem. Por este caminho Narciso Mota não se salva, nem salva a sua circunstância. É pena.
A política não é (como muitos pensam) um trabalho de enfeite, inconsequente e, por isso, muitas vezes patético. É uma actividade dura e implacável, que exige preparação e killer-instinct, como o boxe. Mas no boxe, tal como na política, não ganha sempre o mais forte; ganha mais vezes o que sabe usar a força, escolher o terreno a pisar e o momento de ataque. Narciso Mota não sabe nada disso; não sabe o jogo que está a jogar - talvez nunca o tenha sabido. O problema maior – para ele –, é que já não vai a tempo de o aprender. Tirem Narciso Mota do ringue.

Adenda: Narciso Mota contactou-me para me transmitir que analisou o processo de licenciamento do Lar da Felicidade e verificou que este se encontra licenciado; o que foi à reunião da câmara foi uma alteração ao projecto de arquitectura.

Se é esta a situação do processo, as considerações tecidas no post são injustas; mas como Narciso Mota, e a sua equipa de vereadores não as desmentiram, foram tomadas como verdadeiras. Narciso Mota transmitiu-me, ainda, que o caso será novamente discutido na próxima reunião com transmissão em directo. A acompanhar…

A insustentável leveza da transparência


A Câmara de Pombal faz um brilharete no todo regional (e nacional) no que respeita à transmissão, em vídeo, das reuniões públicas. O Farpas agradece, a população também deveria agradecer, tal como os media locais, que poderiam fazer grande número com o feito, bastando que trabalhassem o que resulta desta plataforma. E é muito. Diogo fá-lo porque sabe que joga em vantagem, que é dono e senhor da estratégia, da táctica, do exercício retórico, e - mais importante de tudo - da forma como comunica, fazendo uso certeiro de todo o tipo de expressão, mais ao menos a antítese do que acontece no filme 'O Discurso do Rei'. Aqui, o nosso monarca é muito mais razão do que emoção. E é dessa sua característica que decorre a escolha dos ajudantes. São escolhas à partida incompreensíveis para quem analisa a postura superior, acima da plebe. Mas basta descascar essa laranja para alcançar a explicação: há trabalho que tem de ser feito, preferencialmente pelos outros. Assim se percebe a tentação de serem, quase todos, mais papistas que o papa, tentando agradar para receber um louvor, um afago. Assim se explica que um falso avençado - com as funções de assessoria na área da comunicação - seja lesto a dar ordem à prestadora de serviços que é a  Pombaltv, ordenando que cesse a transmissão, como aconteceu naquela primeira reunião do executivo. 
Há colheres de chá que saem caras.

Manual de instruções para encerrar uma reunião

Afinal,  Diogo sabe como encerrar uma reunião de Câmara. #ajudantesmaispapistasqueopapa

21 de novembro de 2017

Auto de Fé

Faz agora um ano, o Conselho Pedagógico e a Direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal submeteram à aprovação do Conselho Geral um regulamento disciplinar para o 1.º ciclo, que previa a instauração de processo disciplinar por infracções tais como: entrada e saída da sala de aula aos gritos ou empurrões, linguagem imprópria, não acatar as ordens, participar em lutas ou agredir verbalmente ou reagir agressivamente pela voz ou gestos.
Na altura, manifestei profunda discordância em relação ao regulamento, por o achar inadequado - autoritário, opressivo e punitivo - e inoperacional (Como é que se conduz um processo disciplinar a uma criança de 6, 7, 8 ou 9 anos? Que penalização se poderá aplicar para além da achincalhante e ineficaz transferência de escola?).
Perante as críticas, o director decidiu retirar o regulamento da agenda e propôs a nomeação de uma comissão para a sua revisão. Mas para a comissão de revisão não foi nomeado nenhum membro crítico do regulamento. Consequentemente, na reunião seguinte (última, onde não estive por motivo de doença) apareceu uma proposta de regulamento idêntica à anterior - com a mesma matriz punitiva. O regulamento foi aprovado sem grandes reservas, por um Conselho Geral, onde a maioria dos seus membros foi educada pelo antigo regime, bebeu aí a sua pedagogia e gosta de a replicar, aos outros.
Há umas semanas, uma criança de 8 anos, do novo Centro Escolar de Pombal, aliciou outras, masculinas, com um brinquedo, para simularem uma cena sexual na casa de banho. Alertada por outra criança, a funcionária pôs cobro à cena rapidamente e comunicou o caso à coordenadora da escola. Esta chamou as crianças, esclareceu o caso e repreendeu-as. Depois, chamou os pais das crianças envolvidas, comunicou-lhes o caso, esclarecendo que não lhe tinha parecido grave e que já tinha repreendido as crianças; como tal, a bem das crianças – todas –, recomendava que o caso não fosse empolado e prometeu-lhes que iria reforçar a vigilância.
Só que – há sempre um “que” nestas coisas –, como a cultura punitiva está bem disseminada e o mentor da cena é cigano, estavam criadas as condições para os justiceiros - direcção do agrupamento e pais – avançarem com o Auto de Fé: processo para cima da criança de 8 anos, do cigano. Aposto cruzado contra vintém: se a criança tivesse sangue azul, o caso seria abafado.
É a escola que temos, a pedagogia que se pratica e a cultura que se espalha. Depois, não se admirem com os resultados.

Emprego social para jotas

As câmaras municipais das zonas mais desfavorecidas têm tido um papel importante na promoção do chamado emprego social – emprego destinado às pessoas mais desfavorecidas ou com fraca empregabilidade.
Pombal ainda não é considerado uma zona desfavorecida – para lá caminha – mas a câmara está transformada numa agência de emprego. E não é emprego social, é emprego bem remunerado, para os jotas. “Se não ajudarmos os nossos…”


16 de novembro de 2017

Os dias da rádio, das medalhas e outros contentamentos


As duas rádios locais que sobrevivem em Pombal comemoraram no ano passado 30 anos. Nessa altura o facto passou quase despercebido ao público, mas este ano a Câmara quis condecorá-las, numa linha coerente com a massagem que Diogo Mateus já lhes fizera, no discurso da tomada de posse, como aqui escrevemos. 
É certo que a atribuição de medalhas se banalizou de tal forma que o caso poderia, à partida, nem merecer qualquer reflexão. Mas merece. Porque ambas passaram dos 30 com o suor e a dedicação de muita gente, nem todas as contas estão saldadas, e não são as medalhas que pagam contas. E porque a um órgão de comunicação é exigida outra responsabilidade que não ao cidadão comum. Por isso, agora que as medalhas estão arrumadas num canto qualquer e continua tudo na mesma, como a lesma; agora que a poeira assentou e as fotografias não passam de memória na espuma dos dias, vale a pena reflectirmos sobre o que são as rádios, o que fazem, com quem e para quem. E não, não precisa de vir nenhum(a) iluminado(a) mandar postas de pescada pela blogosfera. Esse é um exercício que está ao alcance de todos e de cada cada um: ouvir. Ouvir a rádio desde manhã até à noite. Uma vez ao dia, que seja. Como acontecia dantes, quando a audiência era palpável, quando a hora do noticiário era sagrada, com os departamentos de informação eram autênticas redacções, com jornalistas profissionais; quando as grelhas de programação tinham eco nas ruas, quando toda a gente sabia que programa passava, feito por quem e a que horas; quando havia departamentos comerciais, quando a economia respirava com fôlego e o trabalho das rádios era levado a sério, a começar por dentro. Depois disso, podemos falar. 
Diz a Câmara que a sessão solene do Dia do Município "serviu também para homenagear as duas rádios de Pombal, enaltecendo a Rádio Clube de Pombal (Medalha de Mérito Municipal Associativo, prata) e a Rádio Cardal (Medalha de Mérito Municipal Empresarial, prata) pelo seu contributo para a promoção e solidificação do debate público, na consolidação da Democracia e como baluartes das mais essenciais liberdades, a de expressão e a de informação". A sério? Chega a ser comovente ver o poder político enaltecer desta forma os media locais, na exacta medida em que é de valor ver os peitos esticados para a condecoração. Os mesmos que se queixam da desigualdade de tratamento, da falta de transparência na aquisição da publicidade institucional, da desonestidade patronal, do incumprimento, da falta de meios, da falta de gente. Mas Pombal é este oásis em que o politicamente correcto tem de ser imagem de marca, em que o retrato tem de sair bonitinho, tapando o sol com a peneira. Quantos postos de trabalho se criaram nos últimos anos? Quantos programas? Que projectos?
Nenhuma empresa e/ou instituição de comunicação está livre das dificuldades que há anos tomam conta do sector. Da mesma maneira que, pelo andar da carruagem, ninguém está livre de ser apanhado no rol das medalhas. Mérito? Aqui chegados, resta-nos concluir que 'tudo está no seu lugar, graças a Deus'.

15 de novembro de 2017

Dosonestidade política

A transparência é um dos princípios basilares da boa governação, particularmente relevante na administração pública. Feri-la, de forma premeditada, é pecado original.
A lista de candidatos ao executivo autárquico é hierarquizada. Por isso, o número um da lista mais votada é, sempre, presidente da câmara; e o número dois, no caso de impedimento perlongado ou renúncia do presidente, ascende, sempre, a presidente - independentemente de quem tenha sido designado vice-presidente. Daí que, o eleitorado veja no número dois da lista vencedora o futuro número dois do executivo – o vice-presidente e o potencial presidente. Logo, quando um presidente da câmara, depois de empossado ou durante o mandado, não atribui a vice-presidência ao número dois, ludibria o eleitorado, assume que jogou com a popularidade do/a número dois para captar votos mas não lhe reconhece capacidade para o substituir.
Bem sabemos que a popularidade e a competência andam muito desligadas, mais ainda do que quando Óscar Wilde afirmou que “para ser popular é necessário ser uma mediocridade”, mas a desonestidade política deveria ter limites.

14 de novembro de 2017

Orçamento Participativo: a brincar ou a sério?

Este é o terceiro ano em que vamos ter Orçamento Participativo em Pombal. Vejo esta iniciativa como complemento e ampliação da democracia representativa, que pode aproximar os cidadãos da vida política. Mas, para que tal aconteça, a Autarquia tem que publicitar convenientemente o evento (não é à última da hora) e a sociedade civil Pombalense deve mobilizar-se para apresentar muitas e boas propostas.

Na última edição, o projecto Projecto de Apoio e Recurso para  Autismo (P.A.R.A) - Pombal foi o justo vencedor.  A proposta propunha implementar, nos 12 meses de execução previstos no Orçamento Participativo 2016/2017, um serviço de apoio diário e gratuito às crianças   com Perturbação do Espetro do Autismo do concelho de Pombal e respetivas famílias. 

Como não acompanho diariamente a realidade Pombalense, não faço ideia se o projecto foi concretizado ou não. Se foi, tenho pena que as notícias sobre as suas iniciativas não tenham merecido o destaque conveniente nos órgãos de comunicação social ou na página da Autarquia. Se não foi, a Câmara não está a cumprir o seu dever. E isso é grave!

Fazer Orçamentos Participativos não é como brincar aos legos. É um assunto sério que exige responsabilidade. Se a Autarquia não tem capacidade para realizar os projectos que aprova por sugestão directa dos cidadãos, deixe-se de brincadeiras e não menospreze uma ideia com tão grande mérito. 

Prebendas & recompensas políticas

O despacho tem data de 21 de Outubro, dia da tomada de posse dos órgãos autárquicos, mas só na véspera do feriado municipal foi comunicado aos trabalhadores do Município. Afinal, ainda havia jobs for the boys na Câmara de Pombal. A saber:


  • O lugar de coordenador da Biblioteca Municipal (deixado vago por Ana Cabral, que 'subiu' à vereação) passa a ser ocupado por Nelson Pedrosa, que já era técnico superior nos museus municipais, actual tesoureiro e antigo vogal da Junta de Freguesia de Pombal.
  • O lugar de secretária de apoio à presidência (deixado vago por Andreia Marques, que passou a adjunta de Diogo Mateus neste mandato) passa a ser ocupado por Filipa Matos, que aguardava como suplente nas listas do PSD à Câmara, de 2013 e 2017.
  • O lugar de secretário à vereação é uma novidade: Até à data sempre fora destinado a funcionárias municipais, mais ou menos experientes, tendo em conta a natureza dos cargos. Pois passa a ser ocupado pelo enfermeiro Nuno Carrasqueira, certamente apelando à experiência adquirida enquanto secretário da Associação dos Industriais do Concelho de Pombal. Esta última nomeação deixa-nos a esperança de que se cumpra finalmente a lei, e que o lugar que assumiu - irregularmente - na Assembleia Municipal de Pombal, seja de facto ocupado pelo eleito, José Gomes Fernandes, que pedira a suspensão mandato, sem dele tomar posse. Não nos falhes, Fernandes!

13 de novembro de 2017

Histórias de encantar

…Que não sabemos contar. Partilho esta.
PS: Mas quando o rei vai mesmo nu, evitamos dizê-lo, evito dizê-lo, não o disse, e havia muito que dizer. 

12 de novembro de 2017

Estamos a empobrecer

O INE publicou sexta-feira o Indicador de Poder de Compra per capita, referente a 2015.

Pombal contínua muito abaixo da média nacional, mas estava num processo de recuperação, que foi interrompido a partir de 2013: 85,32 em 2013 e 82,79 em 2015.

Diogo Mateus trouxe empobrecimento.

10 de novembro de 2017

Medalhas de (de)Mérito

A Câmara Municipal de Pombal (CMP) atribuiu a Medalha de Mérito Empresarial (prata) à Rádio Cardal, “pelos mais de 30 anos de vida e pelo trabalho desenvolvido na área da comunicação social”.
Recentemente, a CMP foi distinguida com o 6.º lugar num ranking municipal sobre Transparência, e logo de seguida arrasada pela Inspecção Geral de Finanças por desrespeitar de forma grosseira os princípios da legalidade, da concorrência e da transparência na contratação pública
O Mérito Empresarial está para a Rádio Cardal como a Transparência está para a CMP.
Apresentar a Rádio Cardal como exemplo do Mérito Empresarial é ofensivo para todo o tecido empresarial do concelho, e gabar-lhe o trabalho desenvolvido na área da comunicação social, quando há muito não a faz (ou a faz de forma irregular), é desfaçatez pura.
Quando o mal remendado gaba o roto, e o roto propagandeia o mal remendado, perdeu-se definitivamente o sentido do ridículo.
A distância entre a bondade e a maldade é curta - ténue até -, ao contrário daquilo que o senso comum apregoa. A distinção que a CMP fez à Rádio Cardal não foi uma bondade, foi uma MALDADE. 

9 de novembro de 2017

A política a preço de feira



O oeste não pára de nos surpreender. Esta semana o salão José Maria Duarte, na Guia, foi pequeno para acolher a multidão que quis assistir à sessão extraordinária da  Assembleia da União de Freguesias. Eram quatro pontos, dois sensíveis: o retorno da feira dos 10 ao próprio dia (de onde nunca deveria ter saído) e a apresentação, discussão e votação das contas de gerência intercalares do ano financeiro de 2017 (período entre 01 de Janeiro a 20 de Outubro).
É sempre bom verificar que uma comunidade não se mobiliza apenas para a mudança (como aconteceu nas últimas eleições), mas que está interessada no que à sua terra diz respeito. A Feira dos 10 é um património colectivo, de toda uma região e não apenas dos guienses  (alguém explique isso àquela rapariga da bancada do PSD) e que pode morrer, como tantas, mas é justo que morra no seu dia, se tiver de ser, e não na solução aventada pelo executivo de Manuel António, em 2012. O esforço - de a encostar ao fim-de-semana mais próximo - foi bom, mas o resultado revelou-se desastroso. Feirantes e fregueses há muito que se manifestavam a favor da mudança. Coerente consigo próximo, o ex-presidente Manuel Serra e a bancada do PSD votaram contra, os proponentes do actual executivo liderado por Gonçalo Ramos, do Movimento NMPH votaram a favor, Dino Freitas, eleito pelo CDS, também, e o único eleito da bancada do PS, Hugo Sintra,...absteve-se. A abstenção é um voto que não é carne nem é peixe. O que condiz pouco com as promessas feitas antes das eleições. Mas o pior estaria por vir: O mesmo eleito do PS votou favoravelmente as contas do anterior executivo, dando-lhe todo o seu aval. E nesse ponto, a maioria eleita para a União de Freguesias - a mesma a quem Manuel Serra classificou de impreparada para governar o Oeste, esteve mal: absteve-se também. Agir politicamente sem ser consequente é inabilidade. E em política, a inabilidade paga-se sempre. 

Notas sobre as medalhas atribuidas pela CMP










...

5 de novembro de 2017

Vitorino e Janita Salomé em Pombal: A malta só não gosta da esquerda de cá


Não deixa de ser curiosa a escolha dos irmãos Vitorino e Janita Salomé para o espectáculo comemorativo do Dia do Município, marcado para domingo, 12 de Novembro, no Teatro-Cine de Pombal. O concerto é protagonizado pelos dois irmãos, acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras, e vem na linha de outros que o(s) executivo(s) de Diogo Mateus oferecem ao povo, por ocasião do feriado municipal. 
É um tanto esquizofrénica esta ideia subliminar que o poder tem, de se mostar muito aberto, muito alternativo no estilo musical, assim a piscar o olho a um público pouco dado a fadistagens do regime, e depois barrar o acesso ao debate sobre o futuro da esquerda em Pombal, promovido por munícipes que pouco contam, como estes gatos-pingados do farpas. Este tempo está-me perigosamente a fazer lembrar um outro, que trouxe a Pombal Sérgio Godinho, já lá vão uns anos, a um elitista café concerto da época.

3 de novembro de 2017

Lei da rolha

Conforme aqui foi dito , o Conselho de Administração (CA) da PMUgest recusou a cedência do Café Concerto para a realização de um debate promovido pelo Farpas argumentando que, face aos seus Estatutos, "não se afigura ajustável à utilização do espaço do Café Concerto a realização de eventos de cariz político". Perante esta resposta, o Farpas pediu para ser esclarecido relativamente a três questões que considerou legítimas (e que aqui também demos conta). Até hoje, o CA da PMUGest não se dignou a dar qualquer resposta.
Se a PMUgest fosse uma empresa privada, esta ausência de resposta poderia ser vista apenas como uma indelicadeza. Mas não é disso que se trata. Sendo uma empresa municipal, o CA da PMUGest está obrigado à boa conduta administrativa - responsável, transparente, imparcial e equitativa -, a fundamentar as suas decisões e a esclarecer cabalmente os munícipes num prazo razoável. 
O silêncio ostensivo do CA da PMUGest permite que as dúvidas se adensem e as questões se tornem mais pertinentes e de âmbito mais vasto.

1. - O CA da PMUGest autorizou a realização dos eventos da JSD e das mulheres sociais-democratas ou os eventos foram realizados à sua revelia (sem o sem conhecimento e consentimento)?

2. – O CA da PMUGest teve conhecimento e consentiu a realização dos espectáculos privados da sua administradora não executiva e da gerência do Café Concerto? 

O CA da PMUGEST tem o dever de responder, em tempo oportuno, às questões colocadas. Se não o fizer, coloca-se na posição de “quem cala consente”, assume que violou os mais elementares deveres da boa governação, nomeadamente os deveres de transparência e da imparcialidade.

30 de outubro de 2017

Onde se dá conta do raspanete do Príncipe ao Pança

O Príncipe saiu da primeira contenda com a nova velha oposição inchado e pomposo, com a forma como tinha espezinhado o Comendador e o seu ajudante. Mas estava-lhe atravessado terem-no apanhado em falso naquilo que é mais forte: os papéis.
Mal terminou a refrega, o Pança aproximou-se do Amo e começou logo a massajar-lhe o ego - “boa coça, Alteza”, “boa coça, Alteza”,… - pensado que, enchendo-o de elogios, evitava as arrochadas. Sem resultado. O Príncipe ordenou-lhe logo de forma seca: - apresentai-vos no meu gabinete com a vossa ajudante, depressa.
O Pança chamou a ajudante e apresentaram-se de imediato...
- Entrai, entrai…. Explicai-me: o que tendes andado a fazer para não terdes feito nada do que devíeis terdes feito? – perguntou o Príncipe, agastado.
- Senhor meu Amo, os bacharéis atrasaram-se - não trabalham ao nosso ritmo - e, agora, falta-me tempo para andar sempre em cima deles – disse o Pança.
- Como tendes o descaramento de dizer que vos faltou tempo, se tivestes vinte e tal dias para preparar e enviar todos os papéis? – perguntou o Príncipe, exaltado.
- Eu agora tenho outros afazeres, e fiquei com menos uma ajudante – afirmou o Pança.
- Tendes menos uma ajudante porque quisestes correr com ela…- rematou o Príncipe.
- Tem razão, Alteza – anuiu o Pança. Mas…
- Não te desculpes com outros afazeres; escudeiro é escudeiro, não tem outro Senhor nem ócios - tornou o Príncipe.
- Eu dedico o dever, assim como a alma, primeiro a Deus, depois a Vossa Alteza; mas, agora, também tenho que dedicar alguma atenção aos meus fregueses; até porque o Boi não sabe nada daquilo – aditou o Pança. 
- Pança; conheceis a história da rã que se quis igualar ao boi? - perguntou o Príncipe, com ar irónico.
- Não, Alteza. Mas contai, que deve ser engraçada – pediu o Pança.
- …Fez-se inchar; tanto, tanto, …, que rebentou! – disse o Príncipe.
- O Senhor é mesmo muito engraçado, e desagradecido…- afirmou o Pança, com alguma malícia. E prosseguiu: - E não deixa ninguém brilhar…Ainda agora acabei de me expor, e expor o meu tarefeiro, com o corte do directo, para proteger Vossa Excelência da censura pública, e já estou aqui a levar porrada ao pé da minha sujeita.
- Pança, não te agradeço; o cometido feito de que te orgulhas me enxovalha – afiançou o Príncipe.
- Mas, Vós mesmo, Alteza, me insinuastes o feito – atalhou o Pança. 
- Cala-te, Pança; senão ainda mais razões me dais para repisar a merecida reprimenda – avisou o Príncipe.
- Merecida uma ova – retorquiu o Pança. E acrescentou: - O que Vos deixou tão colérico?
- Tem juízo; Pança. Obedece e não faças perguntas – reavisou o Príncipe.
- Vossa Mercê está de uma maneira que nem Satanás o atura. Se não temperar essa ruindade perde o resto do cabelo – tornou o Pança.
- Por tua vida, Pança, nem mais um pio! – ordenou o Príncipe. E acrescentou: - Melhor te fora nunca terdes nascido, do que deixares de agradar-me agora.
- Não vos agastais meu caro Senhor; estamos aqui, a vossos pés, para sermos mandados e obedecer – disse o Pança.
 - É melhor que assim seja. Porque hás-de saber, Pança, se o não sabes, que há duas coisas, que mais que todas as outras, não tolero: o erro e o demando – afirmou o Príncipe.
- Eu sei, Alteza. Mas não preciseis de ser tão colérico com escudeiro tão fiel. Guardai as bordoadas para aqueles traidores danados; eles merecem-nas todas, e só se perdem as que caem no chão – disse o Pança.
- Devíeis de saber, Pança, que quem faz imoderado uso da espora, termina por matar a montaria. Ao soberano interessa sempre manter vivo um inimigo – afirmou o Príncipe.
- Mas digo-lhe mais: quando ele falou no mano fiquei fora de mim, se o Senhor me tivesse dado um sinal, tinha-lhe dado umas boas murraças – afirmou o Pança, ainda a ferver.
- Põe-te no teu lugar, Pança; este tipo de pendências não é para ti. Mas sereis necessário, quando for preciso sujar as mãos – rematou o Príncipe.
                                                                                                               Miguel Saavedra

28 de outubro de 2017

Ser ou não ser homenzinho

Quem acompanhou os 20 anos de convivência entre Diogo Mateus e Narciso Mota sabe do que foram feitos. Da mão que se estendeu e do tapete puxado, até o sacudir, nas autárquicas de 2001, levando-o a candidatar-se à Junta de Freguesia de Pombal, e é se quis sobreviver politicamente. Mais ou menos como agora aconteceu com Pedro Pimpão, embora as personagens e o enredo tenham tudo para um desfecho diferente.
Quem assistiu à primeira reunião de Câmara deste novo executivo, pode ter a certeza de que Diogo iniciou uma nova era, disposto a acabar com o que sobra de Narciso Mota. Ninguém tenha dúvidas dos esqueletos que vai tirar do armário nos próximos tempos. Há, no entanto, uma cautela que o autarca absoluto deveria ter: não cuspir para o ar. Já basta a ideia que passa de cuspir no prato onde comeu. Ora, quando se ouve Diogo a contar este episódio, ninguém imagina que, horas antes, in extremis, foi confrontado pela sua antiga adjunta com a eventual dispensa, quando na Câmara já todos sabiam, menos ela. A coragem e a hombridade não devem servir apenas para atirar à cara dos outros, senhor presidente. 

27 de outubro de 2017

Acusações graves

Na primeira reunião do executivo, Diogo Mateus fez um ataque fortíssimo a Narciso Mota, a Michael António e a todo o movimento NMPH.

Já no final da reunião derreteu a honorabilidade de quem já tinha passado pela câmara e lá voltou, dizendo que trabalham mal, não gostam de trabalhar, queriam tirar vantagem porque têm negócios. Quem ouve estas acusações graves e se cala, não tem carácter nem condições mínimas para exercer um cargo político.  

26 de outubro de 2017

E a seguir quem é?



Diogo Mateus designou para seu vice-presidente o vereador Pedro Murtinho. Não é ilegal, mas é o primeiro sinal de como o eleitorado foi ao engano. Na lista candidata à Câmara, a número dois é Ana Cabral - directora da Biblioteca Municipal - agora investida de pelouros sensíveis como a Educação e Acção Social, sem a Cultura - que continua (bem) entregue a Ana Gonçalves.
Quando se faz uma lista, os nomes não são colocados ao acaso, da mesma maneira que o eleitor esclarecido não vota ao acaso. E Diogo Mateus jogou com isso: Ana Cabral iria cativar algum voto à esquerda, pese embora a viragem que fez, nos últimos anos.  Naquela primeira reunião do (novo) executivo da Câmara, o presidente mudou as regras do jogo. Se no mandato passado apregoou a rotatividade para a vice-presidência, neste ficou-se pelo operacional que era 3º na lista, pelo menos "nesta fase". Não queremos acreditar que Ana Cabral não soubesse, nesta fase da vida, que há sempre uma "primeira fase". E queremos acreditar que Diogo Mateus tem presente o que significa a ordem da lista. 

O momento mais negro


A primeira reunião do novo/velho executivo começou mal, foi baixando de nível e terminou de forma inimaginável (até agora): corte na transmissão para cortar o contraditório.
Naquela sala, toda a gente viu o tarefeiro dar a ordem (que foi imediatamente cumprida) e percebeu quem foi o mandante.

25 de outubro de 2017

Política não entra?

Há quem possa não acreditar mas nós, aqui no Farpas, somos muito ingénuos. Vejam lá que chegámos a acreditar que a PMUgest iria acolher positivamente uma iniciativa que pretendíamos levar a cabo no Café Concerto!

Após o péssimo resultado da esquerda nas eleições autárquicas, pareceu-nos pertinente promover um debate da série "Um café e uma farpa", subordinado ao tema "A esquerda tem futuro em Pombal?". O Café Concerto (apesar do desleixo da página web) afigurava-se como o espaço ideal, não só pela sua centralidade, mas também por ter sido palco de inúmeras iniciativas, de cariz público e privado, levadas a cabo por inúmeras instituições. E, convenhamos, existindo desde 2008, o Farpas não é propriamente uma entidade obscura em Pombal. 

Como muitos de vós já devem estar a imaginar, o nosso pedido não foi atendido. Citando as 16 alíneas do Artigo 6º dos Estatutos, o Conselho de Administração comunicou-nos que  "não se afigura ajustável à utilização do espaço do Café Concerto a realização de eventos de cariz político". 

Louvo o zelo da empresa municipal no cumprimento escrupuloso dos deveres enumerados nos seus Estatutos. Mas, sem querer discutir a pertinência da sua decisão - há quem tenha medo de falar de política -, são legítimas algumas questões. Em que alínea dos Estatutos a PMUgest encontrou fundamento para aceder ao pedido da JSD/Pombal para realizar o evento que teve lugar no Café Concerto no dia 18 de Março de 2015Ou, noutro caso, a 7 de Março de 2016, uma conversa sobre empreendedorismo feminino, organizada pelas Mulheres Social-Democratas? Será, por ter sido a JSD/PSD  a pedir, o "cariz político" foi encarado de forma diferente? 

Como empresa municipal que é, PMUgest não pode ter dualidade de critérios nas suas decisões. Se assim o fizer reforça a ideia instalada de que o Café Concerto é gerido como uma coutada privada da sua Administração, com a porta escancarada para os seus amigos  e fechada para os restantes pombalenses.

Ode aos mensageiros da propaganda


"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade". A frase é normalmente atribuída a George Orwell por essa internet fora, mas terá sido dita por William Randolph Earst, proprietário de vários jornais e revistas, que de resto inspirou o filme "Citizen Kane", de Orson Welles. Elevar o nível é o mínimo que podemos fazer quando vamos citar o discurso de Diogo Mateus na sua tomada de posse, em que dedicou um minuto e dez segundos "aos órgãos de comunicação social" que acompanharam o último mandato.
Da ascensão e queda dos media em Pombal já reza a história, e Diogo Mateus tem capítulos reservados. Mas, por ora, não é desses que importa falar. Importa antes sublinhar como interpreta o papel dos órgãos de comunicação no exercício da democracia. Na verdade, tem a imprensa que lhe dá jeito, que não levanta ondas nem questiona, que não publica uma linha que belisque ou comprometa o "bom relacionamento", que prefere desempenhar o papel de mensageira, porque é muito mais cómodo. Ou alguém se lembra, nos últimos quatro anos, de qualquer "notícia" que não seja transmissão do que a Câmara disse, fez, ou pensa fazer, à laia de caixa de ressonância?
Retrocedemos muito, sim. Desde o tempo de Orwell ou Earst, quando Pombal ombreava com o resto do país, pela diversidade de jornais, isto para não irmos ao tempo do célebre "Cão de Fila". 
Diogo tem razões para agradecer, sim. Muitas. E o povo? Tem aquilo que merece, claro.

Adenda: Com uma imprensa desta, Diogo Mateus pôde dar-se ao luxo de promover a secretária Andreia Marques a Adjunta, e de mandar embora a adjunta para a comunicação, Alexandra Serôdio.

Reunião do executivo: uma verdadeira zaragata

O executivo da CMP reuniu ontem pela primeira vez. Foi uma verdadeira zaragata, entre a arrogância extrema e a impreparação extrema.
Nietzsche afirmou que “a guerra faz estúpido o vencedor e maldoso o derrotado”; mas, às vezes, quando a guerra é uma simples zaragata, fica difícil escolher o mais estúpido e o mais maldoso; tal o esforço que ambos fazem na exercitação da maldade, e a estupidez que usam nisso.
Diogo Mateus conquistou o poder absoluto; mas em Democracia, acima do poder, está a Lei. Na primeira reunião mostrou uma arrogância extrema: no registo irado, na forma como não preparou a reunião (distribuição dos documentos em cima da reunião, documentos com erros e com versões diferentes) e na prepotência como a conduziu.
Narciso Mota (e o seu ajudante) mostrou uma impreparação extrema: desnorte e a pior de todas as debilidades, a superficialidade.
Foi uma luta de pequenos tiranos que teriam gostado de se comer vivos; com meia dúzia de figurantes a assistir.

24 de outubro de 2017

A Assembleia Municipal de Pombal e a Lei

No passado dia 20 de Outubro, tomaram posse com a devida pompa e circunstância, os membros eleitos para a Assembleia Municipal e Câmara Municipal de Pombal. A Câmara Municipal foi instalada ou empossada nos precisos termos do diploma que regula tal acto – Lei 169/96, de 18 de Setembro, porém, o mesmo não se poderá dizer da instalação dos membros da Assembleia Municipal, pois em certo momento ocorreu um vicio que poderá colocar aquele órgão autárquico fora da lei. Refiro-me concretamente ao momento em que José Gomes Fernandes “solicitou expressamente a suspensão do mandato para o qual foi eleito pelo período de 180 dias, nos termos do artigo 77º da Lei 169/99 de 18 de Setembro, alterada e republicada pela Lei 5-A, de 11 de Janeiro, com a última alteração introduzida pela Lei 7-A/2016, de 30 de Março, pelo que se procede à sua substituição nos termos do nº 4 do artigo 77º da mesma lei, chamando a ocupar o seu lugar, o membro imediatamente a seguir eleito na lista do PPD/PSD, Nuno Filipe Agostinho Carrasqueira.”. E assim se procedeu. A invocação daquele normativo legal, isto é o disposto no nº 4 do artigo 77º da Lei 169/99, de 18/9, deve ser objecto de análise de modo a verificar-se se a bota bate com a perdigota.
Refere a norma invocada:
1 - Os membros dos órgãos das autarquias locais podem solicitar a suspensão do respectivo mandato.
2 - O pedido de suspensão, devidamente fundamentado, deve indicar o período de tempo abrangido e é enviado ao presidente e apreciado pelo plenário do órgão na reunião imediata à sua apresentação.
3 - São motivos de suspensão, designadamente:
a) Doença comprovada;
b) Exercício dos direitos de paternidade e maternidade;
c) Afastamento temporário da área da autarquia por período superior a 30 dias.
4 - A suspensão que, por uma só vez ou cumulativamente, ultrapasse 365 dias no decurso do mandato constitui, de pleno direito, renúncia ao mesmo, salvo se no primeiro dia útil seguinte ao termo daquele prazo o interessado manifestar, por escrito, a vontade de retomar funções.
5 - A pedido do interessado, devidamente fundamentado, o plenário do órgão pode autorizar a alteração do prazo pelo qual inicialmente foi concedida a suspensão do mandato, até ao limite estabelecido no número anterior.
6 - Enquanto durar a suspensão, os membros dos órgãos autárquicos são substituídos nos termos do artigo 79.º
7 - A convocação do membro substituto faz-se nos termos do n.º 4 do artigo 76.º
José Gomes Fernandes foi eleito, tendo sido mandatado pelos munícipes para exercer o cargo de deputado municipal. Apesar do mandato conferido, não o pretendeu exercer temporariamente pelo período de 180 dias. Não renunciou, suspendeu. Acontece que suspendeu um direito que ainda não se tinha iniciado, uma vez que ainda não tinha sido instalado ou empossado no órgão para o qual tinha sido mandatado. Nos termos da norma invocada, jamais o substituto Nuno Carrasqueira poderia sido instalado, empossado e prestado juramento, como se eleito ou mandatado tivesse sido. Nuno Carrasqueira, ao ser empossado, só poderá ter um significado – a renúncia ao mandato por parte de José Gomes Fernandes. Mas não foi isso que foi solicitado expressamente pelo” suspenso”. A renúncia ao mandato, nos termos do disposto no artigo 76º, nº 1 do mesmo diploma legal refere que:
1 - Os titulares dos órgãos das autarquias locais gozam do direito de renúncia ao respectivo mandato a exercer mediante manifestação de vontade apresentada, quer antes quer depois da instalação dos órgãos respectivos.
Ora, a renúncia ao mandato pode ser manifestada, quer antes quer depois da instalação dos órgãos respectivos, mas a suspensão do mandato para ser exercida, pressupõe com toda a clareza que aquele que a pretenda exercer esteja empossado ou instalado no competente órgão. O que não foi manifestamente o caso.
Chegado aqui, não posso deixar de retirar algumas conclusões:
1 – O exercício do direito à suspensão do mandato por José Gomes Fernandes foi manifestado em desacordo flagrante com as normas legais que o disciplinam.
2 – Nuno Carrasqueira, ao ser empossado/instalado no órgão Assembleia Municipal, como se eleito tivesse sido, configura um manifesto caso de usurpação de mandato eleitoral.
3 – Tal situação coloca a atual Assembleia Municipal em situação de confronto directo com a Lei, podendo acarretar que as suas futuras deliberações possam padecer de vicio que as tornem inválidas.
4 – Tal ocorrência, salvo melhor opinião em contrário, poderá levar à impugnação do acto de instalação do órgão autárquico – Assembleia Municipal de Pombal
5– O facto ocorrido, não prestigia a Assembleia Municipal como órgão fiscalizador da atividade do executivo camarário, uma vez que no seu próprio seio, se cometem afrontas desta natureza no âmbito do exercício dos mandatos conferidos pelos munícipes.
Cumpre-me finalmente, observar que a Mesa da atual AM, com as competências que a lei lhe faculta, não vai ter a vida facilitada, apesar da maioria que a suporta. O perigo espreita a todo o momento da bancada do PPD/PSD.
Farpas Convidadas: Adelino Leitão (advogado)

Surpreende-nos, Pedro

Hoje à noite, no Celeiro do Marquês, Pedro Pimpão vai tomar posse como presidente da junta (com pompa e circunstância - mau presságio). E de imediato vai ter que fazer uma escolha (difícil) e comunicá-la aos pombalenses: fica na Assembleia da República ou na Junta de Freguesia de Pombal?

A escolha entre o amor e o interesse é um dilema clássico, que o Pedro cavalgou durante toda a campanha, com juras de amor à terra, aos pombalenses e à família. Poderá, agora, optar pelo interesse pessoal, o dinheiro e o estatuto? Ou ficar a meio da ponte, como costuma fazer? Poder, pode. Mas não é a mesma coisa!

20 de outubro de 2017

O dia em que D. Diogo toma posse de Pombal. E do PSD

foto: Pombal Jornal

A tomada de posse da Câmara e da Assembleia Municipal de Pombal, esta tarde, às 18 horas, está tão instável como o tempo. Se no que respeita ao executivo não há grande coisa a esperar, já a Assembleia Municipal tem o seu pico de interesse: a esta hora ainda não se sabe se o PSD vai avançar com o nome da cabeça de lista, Fernanda Guardado, ou de João Coucelo. E disso dependerá a constituição do resto da bancada. Nas hostes social-democratas este pode ser o dia do juízo final, já que o anunciado regresso de José Gomes Fernandes à bancada pode ficar-se pelo panfleto. Também não é certo que Guilherme Domingues tome posse, pois que o ex-autarca de Santiago de Litém nunca digeriu a humilhação de ter entrado e saído da lista de Diogo. 
Se vencer a opção Coucelo, Diogo Mateus não toma apenas posse da Câmara, com a maioria absoluta em que a estrutura do partido não acreditava. Tomará conta do PSD, definitivamente, relegando Pedro Pimpão para o papel de presidente de junta, apenas e só, ao invés de se tornar a "segunda via" desenhada desde as últimas eleições para a concelhia. E com excepção de duas ou três figuras, a bancada do partido na AM tornar-se-á um filão da Jota. Nessa altura, Pedro Brilhante - que a partir de hoje é vereador - verá legitimada a "conversa" que teve com Diogo Mateus, antes da constituição das listas. 
Do resto, não há muito a esperar. O movimento de Narciso Mota ocupa seis lugares na Assembleia, a bancada do PS tem apenas 4, o CDS os mesmos dois, e o Bloco de Esquerda estreia-se com Célia Cavalheiro e todo o seu registo 'fora da caixa'. 
Venha daí o debate, e o combate!

18 de outubro de 2017

Realpolitik à D. Diogo

Renovado o poder nas urnas, D. Diogo partiu de imediato para a sua consolidação e reforço. Começou pelo condado mais acessível: Vila Cã. Usou a intermediação de um amigo comum – Carlos Cardoso (Redinha) - para se aproximar de Ana Tenente, depois de fortes desavenças. Juntaram-se num almoço que deve ter selado a união, há muito desejada pela “Independente” e há muito recusada pelo partido.
Na Redinha esboça aproximações; a Oeste espera sinais seguros de afirmação ou falhanço do novo poder para avançar.
Pelo meio vai deixando cair correligionários não submissos.   
Quem pode, pode. E D. Diogo pode muito! 

17 de outubro de 2017

Mas que falta de “chá”

Enquanto D. Diogo representava para a sua equipa de propaganda, em camisa branca e sapato-de-vela, a sua entrega no combate ao incêndio, a princesa Mafalda chamava palhaço ao Primeiro-ministro, no facebook, sem qualquer justificação.
Na declaração ao país, António Costa não desrespeitou ninguém - limitou-se a dizer o óbvio (pouco mais há para dizer, nestas circunstâncias). Todos têm o direito de criticar a declaração e a exigir outro tipo de respostas; mas não têm o direito de ofender o António Costa, nem a desrespeitar o Primeiro-ministro. Ao fazê-lo desrespeita o Estado, mostra a sua índole e a urbanidade que não tem.
É pena! Porque, como bem diz o povo: o que não vem com a idade, tarde ou nunca vem.

O salvador da Pátria


Fotos da publicação "Notícias da sua Terra"

À hora em que o Primeiro Ministro falava ao país sobre a catástrofe que nos assolou a todos, já se apagara o fogo em Nasce Água, ali ao Grou, na União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca. Também já se apagara o outro, que consumiu a Mata do Urso, na freguesia do Carriço, mais umas casas de habitação. Estava igualmente extinta a maioria dos fogos que tornaram o dia 15 de outubro como o mais negro da história dos incêndios neste país. E enquanto António Costa e a sua ministra ardiam com mais intensidade na fogueira das tv's e das redes sociais - por considerar que o Governo não tem uma "solução mágica"para evitar novas tragédias - Diogo Mateus era elevado à categoria de salvador, em várias páginas, pois que se deixou fotografar assim, no meio da mata, em camisa branca e mocassins, no combate às chamas. 
Costa, a solução está aqui.

14 de outubro de 2017

Pombal dos pequenitos

Respigando o que já escrevi no "O Eco" em 2003, reafirmo que a salvação das democracias ocidentais encontra-se no reforço dos partidos minoritários. Reduzir as eleições a um confronto bipolar, para além de perverso, é perigoso. Os actos eleitorais são momentos de escolha entre diversas opções políticas que devem ser exercidos em total liberdade. Os constantes apelos ao voto útil, aliados a uma menor capacidade financeira dos pequenos partidos, enviesam a decisão dos eleitores e, como consequência, muitos deixam de se rever nos seus representantes e de acreditar na democracia.

Em Pombal, forças políticas como o CDS, a CDU e, mais recentemente, o BE, têm tido dificuldade em se afirmar. O CDS, apesar do enorme empenho dos seus protagonistas, não conseguiu reforçar a sua representação. Por outro lado, a CDU, que tinha conquistado um deputado municipal em 2013 (fruto do aumento do número de representantes na Assembleia Municipal), perdeu-o agora para BE. Com uma votação ao nível do movimento Independentes por Pombal - claramente a candidatura autárquica mais mal preparada de sempre -, a CDU teve uma evidente derrota. O número de votos é preocupantemente baixo, tornando legítima a dúvida de saber se já não foi ultrapassado o ponto crítico da sobrevivência.

Como estive envolvido na candidatura da CDU, não enjeito responsabilidades. Considero mesmo que os camaradas que, tal como eu, participam nas listas sem assumir a militância são os primeiros culpados. Não se podem ganhar eleições sem o empenho de todos e a CDU em Pombal tem sobrevivido com o esforço de poucos. Mas há que reconhecer que é difícil fazer omeletes sem ovos. As estruturas partidárias, com uma castradora política de coligações, impedem, muitas vezes, o aparecimento de soluções credíveis a nível local.

Há muito que defendo uma coligação CDU/BE (para já não falar com o PS) para concorrer às eleições autárquicas em Pombal. O trabalho efectivo que a CDU tem dado à vida democrática do nosso concelho - muito para além do que era esperado pela sua fraquíssima prestação eleitoral -, aliado aos votos e ao dinamismo do BE, sobretudo junto dos mais jovens, poderia resultar numa dinâmica interessante, com forte possibilidade de sucesso e bem mais consistente do que as candidaturas protagonizadas por movimentos independentes.