30 de setembro de 2016

Estádio II

A história é simples:
Em Leiria um Plano de Mobilidade incendiou a cidade este ano. (itálico, note-se, significa que é uma força de expressão...)
Um grupo de cidadãos organizou-se e constituiu um Movimento de Cidadãos por Leiria, para contestar alguns aspectos desse Plano. Recolheram-se mais de 6000 assinaturas.
A Autarquia decidiu constituir um Grupo de Trabalho, integrando todas as forças partidárias e este Movimento, para produzir um relatório.
Democrático, não?
Só que o relatório, afinal, não traduz o que se passou nas muitas reuniões de trabalho.
Hoje à noite, em Monte Real, na Assembleia Municipal, a entrega deste pseudo-relatório (itálico, note-se) está agendada para o fim da sessão, que começa às vinte e uma horas no auditório do Cine-Teatro.
Mas a vida é muito mais que este relato a seco, não acham?
Na verdade, o futuro de Leiria e a forma como nos vamos, ou não, poder deslocar, viver e circular está em jogo. A discussão faz-se, convenientemente, longe dos holofotes, em Monte Real, hoje.
E pergunto-vos, a todos os que vivem em Leiria:
se pudessem ter participado em algum momento, no destino da vossa cidade e ter impedido o erro histórico que foi e continua a ser o estádio, teriam saído de casa a uma sexta-feira à noite?
Pois bem, têm agora a oportunidade de poder fazer alguma coisa de realmente importante pelo futuro de Leiria:
estejam presentes hoje na reunião da Assembleia Municipal de Leiria em Monte Real.
Vejam com os vossos olhos o destino de Leiria a desenhar-se.
Sejam parte activa na construção da democracia.
Ou então não.
Mas depois, se tiverem de viver numa cidade onde a mobilidade será uma miragem, calem-se.
Para sempre.

P.S. e sim também tenho filhos pequenos em casa, tarefas domésticas, mais que fazer à sexta à noite, mas tenho de viver com a consciência que me diz diariamente que se não fazemos alguma coisa pelo mundo que queremos ele não se construirá sozinho por milagre.
Partidas às 8,30 em frente ao Teatro José Lúcio da Silva e boleias partilhadas. Divulguem...

Mais e melhores farpas


Setembro despede-se do Farpas em grande, com a entrada de um novo membro no blogue. A partir de agora junta-se aos da casa Alexandra Azambuja, que traz com ela a realidade de Leiria - onde passamos a cravar farpas, na porção de ferro estritamente indispensável para deixar pendente um sinal.
Sabemos que chegamos a milhares de pessoas todos os dias, nos quatro cantos do mundo. Há muita gente interessada em saber tudo sobre os interesses instalados. Cá estaremos para o contar, como sempre.

27 de setembro de 2016

De como o príncipe está a sentir o cerco a apertar-se

Depois de uma semana laboriosa e de um fim-de-semana longo, cheio de eventos e ajuntamentos, de onde era esperado retorno muito proveitoso que invertesse o derribamento para infortúnio, o príncipe iniciou a semanada subindo pesarosamente a longa escadaria até ao trono. Tinha passado uma noite mal dormida, com pequenos apagamentos intervalados por sonhos sobressaltados com assombrações de fantasmas furibundos – confessou-o na abertura da reunião com o seu escudeiro.
O príncipe entrou no gabinete, deixou a porta aberta, e sentou-se no cadeirão. Sentia-se cansado: corpo dorido e cabeça pesarosa. Chamou o fiel escudeiro:
- Pança, vinde cá…
O escudeiro entrou e perguntou: - o que deseja Vossa Mercê?
- Senta-te, Pança, precisamos de falar, e eu de te ouvir. Sabes bem que te considero um fiel escudeiro, sempre pronto para todo o serviço. Tens-me ajudado nas muitas pendências em que me tenho metido, reconheço-o, por isso tenho sido generoso contigo… Mas, como sabes, as coisas estão complicadas, e por mais que me esforce para ser o que não sou, não se descomplicam. Dize-me, tu que te mexes bem no meio do povo, o que preciso de fazer mais, para ter povo.
- Quem sou eu para dar conselhos a Sua Alteza. É verdade que Vossa Mercê mudou muito nos últimos tempos, e tem usado todo o cardápio de afabilidades: sorrisos, simpatias e beijos; e abusado de esmolas, prebendas, feitorias, … Mas concordo com Vossa Mercê: a mesinha não está a resultar…
- Interrompeu o príncipe, ansioso: - dize-me Pança, por que não está a resultar, se eu me tenho esforçado tanto; e não sabes tu o quanto me tem custado, que isto de forçar o corpo, custa; mas contrariar a nossa natureza, violenta.
- Pois o problema pode estar aí mesmo; mais no curador do que na doença. A doença é muito ruim…
Atalhou logo o príncipe: - De que doença me estás a falar, Pança?
- Calma, calma, Senhor. Eu vou tentar explicar; e faltando-me doutas palavras, pego num exemplo conhecido, que se aplica bem ao (seu) caso. A sua maleza é uma espécie de tuberculose. E ocorre aqui como no caso do tuberculoso: no princípio é fácil a cura e difícil o diagnóstico, mas com o decorrer do tempo, se a enfermidade não foi conhecida nem tratada, torna-se fácil o diagnóstico e difícil a cura. Sua Alteza estará, com certeza, a aplicar a receita correcta; mas começou tarde, e talvez não vá a tempo da cura.
- E dizeis-me só agora, isso, Pança? O que dizem os meus ministros? Também eles, pensam como tu?
- Desculpe-me Alteza, mas entre príncipe e ministros não se deve escudeiro meter.
- Mas dize-me, dize-me, Pança? – inquiriu o príncipe marfado - sabes bem que te ordenei que os vigiasses.
- Quer mesmo saber a verdade, Senhor? Quer?
- Fala, Pança…Evita-me este penar.
- Acho que estão mais descrentes do que eu. Dizem-no à boca cheia pelos corredores, e lá por fora.
- Mas sabes bem, Pança; que estamos todos no mesmo barco, e se formos ao fundo…
- Eu não… Eu regresso aonde saí…
- Enganas-te, Pança. Ajuda-me a salvar-me, que te salvas também a ti.
- O que está feito, feito está; agora paciência e fé em Deus, e na Sr.ª do Cardal (minha querida Senhora). Da minha lavra, não sei o que se pode usar mais. Mas já agora, porque não se mexe Sua Alteza, junto de quem controla as forças divinas, onde se movimenta muito bem. Eu não o faço porque a minha condição não mo permite, mas continuo a assistir à missinha e faço as minhas orações, regularmente.
- Pobre terra - exclamou o príncipe - que nem tem com quem se possa tomar conselho nas incertezas, alívio nos queixumes, nem remédio na desgraça.
                                                                                                                                                                                                          Miguel Saavedra      

26 de setembro de 2016

Acto de contrição





Nada como agradecer e nomear a todos em geral e a cada um em particular. Foi há três dias, como poderia ter sido no século XIX.

O arranque da campanha

                                Foto publicada por António Sales
Falta exactamente um ano para as eleições autárquicas, e como não está marcado o dia, a única certeza que temos é que será a última edição organizada por este executivo de Diogo Mateus. Por isso mesmo, o arranque da campanha eleitoral aconteceu no evento que ontem terminou - e que voltou a ser um sucesso, se o medirmos em gente, movimento, e desta vez até em animação musical, bastante melhorada. 
Já se sabe que o PSD não precisa de fazer grande coisa para se fazer notar, pois que a presença do partido, organizado, nas festas e romarias, é uma certeza tão grande como o Natal em Dezembro. Também já percebemos que o CDS está apostado em ocupar o espaço da oposição, com uma pequena nuance: comporta-se como se fosse poder, trazendo figuras diversas e contribuindo para o êxito das feiras. Afinal, a herança de Portas ainda está para durar...
Ora acontece que foi o PS quem levou às tasquinhas esse arranque da campanha eleitoral. Se dúvidas houvesse, bastou a febre de sábado à noite, com mais de 50 militantes, quadros locais e distritais do partido, uma espécie de Perdoa-me dos nossos dias com a presença de António Sales e o regresso de Adelino Mendes (O registo de dinâmica continuará hoje à noite, com um plenário distrital em...Pombal). Observando ao pormenor, destacam-se ali os três vereadores do PS e a sua mudança de estilo na oposição. Já todos reparámos que perderam as peneiras e já votam contra, quando se justifica, como apontam o dedo e abandonaram o registo unanimista e morno que caracterizava Marlene Matias, Aníbal Cardona e Jorge Claro. É este quem está a dar a cara à estratégia.
Temos candidato.

22 de setembro de 2016

Academia, mas pouco


Os nossos sociais-democratas promoveram nova sessão de homenagem a Mota Pinto. E se, há dois anos, apelidaram a iniciativa de tertúlia, desta vez optaram pela pomposa designação de Academia. Nada contra; cada um escolhe o nome que mais gosta. O que me entristece, mais uma vez, é a opção por limitar os intervenientes à estrita esfera partidária. Será que não há ninguém fora do partido e da família que consiga dizer duas palavritas elogiosas a propósito de tão insigne pombalense?

21 de setembro de 2016

O Orçamento Participativo

A ideia é uma boa ideia: financiar as propostas do cidadão comum, aquele que não lidera uma colectividade nem fez carreira partidária autárquica. Mas a história volátil do Orçamento Participativo em Pombal faz-se mais de oportunismo do que de oportunidades para a sociedade civil. São as colectividades - já abonadas pela Câmara, como em poucos concelhos do país - que têm levado vantagem. De maneira que ver ali no meio do rol deste ano um projecto como este - apresentado por pais de crianças autistas - é uma boa razão para levar o caso a sério e votarmos. A lista está disponível aqui, e a discussão pública decorre esta quinta-feira, 22, pelas 21 horas, no Teatro-Cine de Pombal.

19 de setembro de 2016

O exemplo de Ansião, outra vez

                                                   foto retirada da página do Facebook do PSD/Pombal

O presidente da Câmara de Ansião anunciou estes dias que não se recandidata ao cargo. Fê-lo nas páginas de um jornal local, e embora não seja muito claro a explicar as razões deste abandono prematuro, dá um sinal que devia servir pelo menos para reflexão, a muitos correlegionários. 
Lembro-me de Rui Rocha enquanto adjunto de Fernando Marques, enquanto líder da JSD, e mais tarde enquanto vereador. É discreto, ponderado, e tem uma dose de coragem que aprecio nos políticos, o que faz dele o homem certo na comissão política distrital do PSD, sem folclore.
Não sei se vai ser administrador de alguma empresa, se quer ter a experiência (legítima) da Assembleia da República, mas sei que no vizinho Ansião deixa uma marca, à conta daquele equilíbrio entre o rapaz da terra que faz por ela tudo o que pode, e o político que escapa à propaganda, sabendo que isso da Jota já foi há 20 anos e por isso há um tempo para tudo...
A verdade é que é mais um quadro do PSD em condições de ocupar qualquer lugar fora daqui. E isso não é bom para D. Diogo nem para Pedro Pimpão, em primeiro plano, nem para todo o séquito, em segundo. Mas é bom para o eleitorado.

15 de setembro de 2016

Quando o feitiço se volta contra o feiticeiro

O feitiço é a nova e grandiosa Extensão de Saúde da Guia: um presente envenenado que o príncipe quis ofertar ao Estado e aos súbditos do oeste. Engano seu: o Estado não o agradeceu e a maioria dos súbditos rejeitam-no. Assim, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. O príncipe foi, mais uma vez, pouco astuto: fez o que não lhe competia fazer e arrisca-se a ficar com o odioso da coisa, a ter mais prejuízo que proveito, à porta das eleições
Tanto assim é, que o empreendimento está concluído há muito tempo, mas ninguém lhe quer pegar. Até já foi ocupado clandestinamente, mas, estranhamente, ainda não foi inaugurado. Há muito que os senhores doutores ocuparam os gabinetes do novo empreendimento, e por lá ficaram sem reparo. Recentemente os funcionários administrativos, por não suportarem o efeito de estufa da envidraçada sala de recepção, nos tórridos dias de Agosto, seguiram-lhe o exemplo: pegaram nos computadores e mobiliário e mudaram-se para as novas instalações. Falha deles, que logo chegou à tutela que ordenou o retorno imediato às velhas instalações (nesta terra não são permitidas veleidades à arraia-miúda). Só que, decisões despropositadas e injustas são de implementação difícil; e, apesar de a temperatura ter amainado, os funcionários continuam nas novas instalações.
O príncipe revela muita indecisão; mas, nestas coisas, costuma dizer-se que o perigo está na tardança. E o pior está para vir!

13 de setembro de 2016

Obras benditas que se tornam malditas

As obras necessárias são sempre bem-vindas, se vierem no tempo certo. Não é o caso das obras na Etap e Rua Fernando Pessoa / Escola Marquês de Pombal. Este tipo de obras, dentro das escolas ou na sua periferia, deveriam decorrer no período de férias.

É verdade que a capacidade de planeamento da CMP nunca foi muita, mas parece ter-se agravado. Fazer obras volumosas nas escolas ou na sua periferia durante o arranque do ano lectivo revela uma enorme falta de bom senso, porque colocam em risco a segurança das crianças, pais e transeuntes.

9 de setembro de 2016

De vez em quando lembram-se de Mota Pinto



No princípio, era o busto: várias figuras de Pombal clamaram, durante anos, por uma homenagem a Carlos Alberto Mota Pinto, que aqui nasceu e viveu até à juventude, embora nunca tenha estabelecido com Pombal grande ligação. Depois veio a Junta de Freguesia com um prémio que não passou da primeira edição, e só depois a Câmara decidiu comprar a casa onde nasceu o professor, primeiro-ministro de Portugal em 78/79, fundador do PPD e um dos vultos da memória social-democrata. Depois foi o que está à vista, na casa em frente ao Teatro-Cine de Pombal.
Entretanto, os órgãos locais do partido acabam de criar um evento com o nome do vulto: é a Academia Mota Pinto, descrito na página do facebook como "Um evento de formação e reflexão cívica que se pretende anual". 
Talvez seja mesmo essa a melhor forma de homenagear um pensador. É preciso é que seja consequente, e não à imagem do que têm sido as tentativas falhadas pelos órgãos autárquicos. E por favor, não o tentem transformar numa espécie de universidade de verão.

7 de setembro de 2016

O Dia da Educação: obrigada, Eduardo Sá

                               Foto: Município de Pombal. Retrato da plateia

Nota prévia: Começo este post como os oradores de ontem, no Dia da Educação: a agradecer ao Município de Pombal, o município "Educador", como lhe chama Diogo Mateus numa brochura distribuída aos participantes (educadores de infância e professores do primeiro ciclo), em que divulga ao pormenor os investimentos avultados nos edifícios que albergam as escolas. Mas essa é outra conversa. Participei na sessão enquanto mãe, integrada numa pequena delegação da Associação de Pais de Pombal, em formação, cujos primeiros órgãos sociais hão-de ser eleitos nas próximas semanas, depois do regresso às aulas. Obrigada à Câmara de Pombal por ter convidado Eduardo Sá. Espero que tenham filmado tudo e reproduzam num filme bonitinho, como é costume, porque todos merecem ver e ouvir o que disse.

"Se eu mandasse um bocadinho, convidava o senhor presidente da Câmara a colocar em todas as portas dos jardins de infância de Pombal a frase: Proibido ensinar a Ler e Escrever", disse ontem em Pombal Eduardo Sá, que o Município convidou para palestrar no Dia da Educação - uma operação de charme anual para dar as boas-vindas aos educadores de infância e professores do primeiro ciclo. Nessa altura Diogo Mateus já não estava na sala, mas alguém lho disse, certamente. O que o psicólogo queria dizer é que começa aí o combate contra a criação de "uma linha de jovens tecnocratas, primeiro de fraldas e depois de mochila". Todos iguais, bem comportadinhos, melhores alunos dentro da sala de aula, exemplares no recreio, excelentes na extensa lista de actividades que lhes preenchem os dias e as noites.  "A escola não serve para isso", disse Eduardo Sá, que ali desfiou uma série de verdades incómodas para a esmagadora maioria da plateia. Antes dele, tinham subido ao palco os três directores dos agrupamentos de escolas de Pombal (Fernando Mota) , Gualdim Pais (Sara Rocha) e  Guia (António Duarte). Depois de o ouvirem, tenho a certeza de que alguns guardaram rapidamente os papéis, corados de vergonha. Retive, contudo, a intervenção de Sara Rocha. Regozijou-se com a boa-nova de um jardim infantil que a Câmara vai construir na Gualdim Pais, "porque a escola é muito mais do que a sala de aula". Porque, como tão bem lembrou, "há crianças que ali chegam às 8 da manhã e só vão embora às 19". Mas este é o país em que os adultos reclamam "35 horas semanais para a função pública, enquanto as crianças passam 52 horas na escola", disse Eduardo Sá, ele que teve esperança "que a ASAE olhasse para alguns recreios". Seria bom, sim. Assim como seria boa a sugestão que deixou, de "criar um quadro de honra para os alunos faladores", ou "um quadro de excelência para os que têm uma vida familiar desastrosa e que ainda assim não desistem, contra a escola e contra os pais". Em vez disso, a escola resolve colocá-los de castigo no intervalo, privando-os dele. "Vivemos numa escola mentirosa e batoteira, que segrega os meninos de uma determinada faixa social", notou, certo de que "todas as crianças são geniais e todas têm necessidades educativas especiais", que precisam de brincar, sobretudo. porque "brincar não é uma actividade de fim-de-semana". No fundo, o que o psicólogo diz é tão simples: olhemos para os alunos como crianças, como pessoas, e menos como números da excelência e do sucesso. Não sei o que pensam disto os senhores do EPIS, mas calculo.  Acredito que teríamos uma sociedade muito  melhor, no futuro, se gastássemos menos energias com a ditadura dos trabalhos de casa e mais com actividades que os enriquecessem, pessoalmente. Depois lembro-me de uma reportagem que fiz no mês passado para o DN, e dos números dramáticos sobre a média de idades dos professores em Portugal. Sobre o número crescente de professores com doenças incapacitantes. Como é que queremos uma escola nova sem sangue novo?
E depois há a realidade, que nos apresenta milhares de professores no desemprego, parte de uma geração em que investimos tanto. Não poderia ter sido mais adequada a escolha da música que a jovem Íris foi cantar ao palco, naquela sessão: "Para os braços de minha mãe", esse hino à emigração legada pelos últimos anos de austeridade, que assenta tão bem neste concelho. Provavelmente, essa foi a parte destinada aos pais e encarregados de educação. 


2 de setembro de 2016

OPA florestal

No geral, o poder local tem tido dinheiro a mais e políticos a menos – incapazes e sem visão (sem modelo de desenvolvimento para o concelho). Quando há boas ideias nunca há dinheiro a mais, mas quando não há ideias pode haver dinheiro a mais. Pombal é um caso desses.
Nas três décadas posteriores ao 25-Abril de 74, o poder local granjeou uma imagem positiva. Na maioria dos concelhos faltava quase tudo: infraestruturas básicas (estradas, água, saneamento) e equipamentos sociais (pavilhões, piscinas, escolas, lares, espaços de lazer, etc.). Logo, não havia dúvidas no que fazer, só era necessário fazer. Os autarcas criaram a imagem de grandes fazedores de obras e de reivindicadores de fundos. Os governos interesseiramente foram-lhes alimentando os propósitos, as obras foram-se fazendo e os orçamentos das câmaras foram crescendo, até que, as necessidades de obras foi decrescendo mas os orçamentos continuaram a crescer. Há hoje municípios onde está tudo feito, no que toca a infraestruturas e equipamentos socias. No entanto, muitos autarcas continuam a gastar o que têm e o que não têm, a destruir recursos e a acumular endividamento com obras sem utilidade: asfaltagens de estradas onde ninguém circula, construção ringues onde não há jovens, recuperação de aldeias condenadas ao abandono, empedramento de estradas e construção de parques de merendas onde não há vida, já tomadas pelas silvas.
No meio disto encontram-se algumas câmaras com gestão mais prudente, que satisfizeram as necessidades básicas e mantiveram sempre um bom equilíbrio económico-financeiro. E há até câmaras, como a de Pombal, que satisfizeram as necessidades básicas e acumularam reservas financeiras avultadas. Mas, como diz o povo: após um poupador vem sempre um gastador.
A câmara de Pombal é um caso extremo de dinheiro a mais e ideias a menos. Atiram-se a tudo: o que não é preciso e o que não lhes pertence (infraestruturas e equipamentos do governo, IPSS, benfeitorias privadas). Chega a parecer que a preocupação essencial é esvaziar o cofre.
A última “brilhante” ideia é uma OPA sobre a floresta. Por várias razões, a OPA não terá sucesso. E ainda bem que não o terá. Se o tivesse transformava um problema em dois, não resolveria o problema do ordenamento florestal e, se houvesse grande adesão e um investimento significativo, colocaria em risco a sustentabilidade da câmara. Logo, não é para levar a sério, é mais um show-off próprio de campanha eleitoral.
Uma câmara que vê todos os dias árvores que plantam na cidade e as deixa morrer à sede não pode ter grande preocupação com o arvoredo, o seu ordenamento e manutenção.

Adenda: A apresentação da OPA foi um desastre: falta de espaço para as pessoas, não audível pela maior parte dos presentes e sem direito a perguntas. Pelos vistos, destinava-se unicamente à recolha de fotografias para os sites. Uma sugestão: não usem as pessoas.