31 de maio de 2016

O príncipe continua com o passo trocado

O príncipe continua a marchar (muito), mas com o passo trocado: na Educação (e não só) faz o que não lhe compete, e não faz o que lhe compete – anda atarefado na defesa dos contratos de associação com os colégios, e obstrutivo ao desenvolvimento da escola pública.
Resultado: “Nos últimos dez anos, o concelho de Pombal perdeu 30 turmas, 600 alunos. Isto é que é preocupante!”- Como bem lembrou o representante da DEGEsTE na reunião do Conselho Municipal da Educação.

Acerta o passo, Diogo. Até o Passos já viu que esta “guerra” não lhe traz simpatias…

Desnorte no Cardal

Há poucas semanas o gabinete de propaganda da câmara usava todos os canais para divulgar a agenda (cheia) do príncipe. Entretanto, a agenda deixou de estar acessível.
O príncipe está doente, foi de férias ou suspendeu a divulgação da agenda?

A malta gostava de saber…

30 de maio de 2016

A ambição de ser camisola-amarela


Vejo as imagens da manifestação de ontem, organizada pelo Movimento "em defesa da escola, ponto" que desfilam nos murais de muitos amigos.Tudo o que penso sobre o assunto já o disse neste post. A mim também me marcou muito o Instituto D. João V, mas isso não me tolda o pensamento. Revolta-me até às entranhas que muitos não consigam perceber a gravidade e a consequência dos seus actos. E isso vale sobretudo para os dirigentes locais (e regionais) do PS. Quando nas próximas autárquicas, o PSD colocar as unhas de fora, fazendo uso de todo o discurso anti-Governo, anti-PS, anti-esquerda, anti-cortes-nos-colégios-privados, vamos assistir àquele momento hilariante que acontece sempre que vestimos demasiado uma camisola: um dia ela vai à lavagem e encolhe, e depois fica bastante ridícula. Por enquanto são todos felizes, lado a lado, nas fotos. Partilham-se uns aos outros.
Foi com surpresa que assisti à defesa férrea feita por um antigo autarca e dirigente socialista de Pombal, do patrão e dos colégios privados (está tudo aqui, a partir do minuto '25). É com surpresa que assisto às tomadas de posição públicas de dirigentes actuais do que resta do PS em Pombal, numa clara oposição à corajosa medida deste frágil Governo. 
É verdade que, lá diz o povo, "ideologia cada um tem a sua". E esta é uma questão ideológica, sim, que defende um serviço público em vez de coutadas privadas. Se dúvidas houvesse, veja-se a partidarização feita de imediato, enrolando nesse abraço todos os que se deixaram levar. E ainda faltava Assunção Cristas, líder do CDS, num momento infeliz, sugerir ao Estado sacrificar as escolas públicas.
Com amigos destes, o PS não precisa de inimigos.


27 de maio de 2016

Afinal, estamos alinhados

Os resultados comprovam-no: duplicação do número médio de visitas e elevação da linguagem. A explicação por quem estuda estas coisas.

"Depois do abuso, o fim dos comentários online

A nova liberdade oferecida aos leitores por websites e imprensa online nas secções de comentários está a ser abusada por pessoas não identificadas. Não contribuem para mais conhecimento nem valorizam o debate democrático.
Estudos académicos sobre imprensa online nos EUA revelaram que, quando os leitores são expostos a comentários incivilizados e negativos no fim dos artigos, a tendência é para terem menos confiança na peça jornalística que lhes deu origem. The Atlantic, uma revista, descobriu que os comentários negativos conduziam os leitores a ter menor consideração pela notícia.
A codificação da liberdade de expressão tem pouco mais de 300 anos. Em 1689, a Declaração de Direitos aprovada pelo Parlamento inglês estabeleceu que a liberdade de expressão não pode ser impedida. Precisamente cem anos depois, é publicada em França a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Declara a liberdade de comunicação como a primeira das liberdades. Nesse ano de 1789 entra também em vigor a Constituição dos EUA, que estabelece no ‘First Amendment’ que o Congresso não pode aprovar leis que restrinjam a liberdade de expressão.
Em 1948 é adotada em Paris, pela ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Consagra o direito individual à liberdade de opinião e de expressão. Em 1950, é iniciada em Roma pelo Conselho da Europa a ratificação da Convenção Europeia dos Direitos do Humanos que estabelece aquele direito. Em 1976, a Constituição Portuguesa postula, logo no Art. 2º, o direito e liberdade ao pluralismo de expressão. Este conjunto de diplomas revela bem o valor primordial da liberdade de expressão. É preciso cuidar dela.
A Internet veio ampliar os meios disponíveis à liberdade de expressão. Facilitou e multiplicou o alcance da opinião expressa através da propagação em cascata (‘retweet’, ‘forward’, gosto). Esta bênção oferecida à cidadania é por muitos utilizada a favor do bem comum. Fadi Chehadé, CEO da ICANN, a corporação responsável pela estabilidade da Internet, considera que esta é “uma plataforma para a solidariedade”. Mas é também um instrumento para a prática do crime (‘cyber bullying’, fraude, terrorismo, tráfico ilegal de medicamentos e armas, etc.).
A liberdade de expressão é regulada em todas as democracias por dispositivos legais que lhe impõem limites, em particular quando entra em conflito com os valores e direitos de outros como, por exemplo, quando é utilizada para insultar, difamar ou exaltar o ódio. Mas é preciso conhecer quem prevarica para poder acionar a lei.
Esta nova liberdade oferecida aos leitores por websites e imprensa online nas secções de comentários está a ser abusada por pessoas não identificadas. Tem sido utilizada para insultar, difamar, destilar ódios. É raro encontrar-se um debate sério e construtivo. E, aparentemente, são sempre os mesmos autores, alguns deles utilizando vários pseudónimos, que em palavras apressadas e quantas vezes vulgares, promovem ignorância e ideias negativas. Não contribuem para mais conhecimento nem valorizam o debate democrático. Um mundo de diferença civilizacional em relação aos comentários de um jornal como o Financial Times.
A vulgaridade é universal. Muitos jornais americanos aboliram as secções de comentário, apesar de estarem legalmente imunes quanto à responsabilidade por esses conteúdos. Em 2013, a Popular Science desligou os comentários. Em 2014, Recode, Mic, the Week, Reuters, Bloomberg, the Daily Beast também. Dos 137 maiores jornais americanos, mais de 49% não permitem comentários anónimos e pelo menos 9% não têm essa possibilidade. Depois do National Journal ter eliminado a secção, o tráfego online aumentou.
O mais recente abolicionista foi Above the Law, um website especializado em direito. O que tinha começado por ser um sítio de comentário substantivo, transformou-se num meio de propalação de ofensas. Quando antes havia informação sobre sociedades de advogados e piadas, conhecimento relevante e civismo básico, passou a haver commentariat – abusos e insultos.
Uma alternativa à abolição é a (re)introdução de moderação por jornalistas que aprovam comentários dignos de ser publicados. Mas é mais um custo. Diz Above the Law que, num ambiente mediático cada vez mais competitivo, os websites não podem permitir que os seus conteúdos e marcas sejam manchados deste modo. Alguns dos commentariats de Above the Law transferiram a sua bílis para o Facebook. A liberdade de ser vulgar encontrou um ‘escape’".
                                                                                               Nuno Cintra Torres, Investigador e Professor Universitário 

26 de maio de 2016

Nos passos do mestre (II)


Quando Diogo Mateus, na sua tomada de posse, declarou querer seguir o exemplo de Narciso Mota, só pedimos que essa vontade não fosse extensível às tristemente célebres alarvidades do seu antecessor. Qual quê! Bastou sentir-se acossado pela iminente candidatura do agora rival, para vir a público com afirmações boçais e homofóbicas.

Vale a pena ler a notícia do Pombal Jornal. O discurso proferido em Abiúl, "não raras vezes impregnado de ironia", é de um marialvismo tão bacoco que a única coisa que revela é um politico beato, em fim de carreira, numa busca desesperada por algum protagonismo.

Os donos da bola

No meio do parco espírito associativo que caracteriza esta terra, talvez poucos tenham dado conta de que a direcção do Sporting Clube de Pombal está demissionária, há várias semanas.Enquanto os poucos sócios interessados aguardam  Assembleia Geral, a 9 de Junho, a direcção (que esteve menos de um ano em funções) partiu-se em duas listas, potenciais candidatas à liderança do clube. Ou melhor: o presidente demissionário, Manuel Matias, recandidata-se por um lado; do outro aparece José Guardado, candidato à Câmara pelo CDS nas últimas autárquicas, e que já nas últimas eleições era dado como certo na corrida à liderança. Dois professores aposentados, com tempo e vontade para isto. Mas há sempre lugar para o insólito, no Pombal ocidental: dois vice-presidentes do clube, demissionários, usaram esta semana a imagem do Sporting de Pombal para um comunicado (que deveria ser pessoal) divulgado em 1/4 de página no Pombal Jornal. Pergunta para queijinho: qual das listas vão integrar?

24 de maio de 2016

Um cartaz caracterizador

A má arte revela o artista que a produziu, tal como a pedra talhada revela o pedreiro que a talhou.
O cartaz da JSD (na figura) revela o(s) criador(es) e divulgador do cartaz. Se F. Pessoa fosse vivo, diria, ao olhar para aquilo, que “A este género de espírito chama-se ordinariamente apenas grosseria. Nada há mais indicador da pobreza da mente do que não saber fazer espírito senão com pessoas”.
O PSD deixou, há muito tempo, de ser um partido de matriz social-democrata. Talvez nunca o tenha sido se descontarmos o período pós-revolucionário – altura em que, de certeza, não conseguiria ser o que hoje é. Nos últimos tempos, tornou-se um partido ultraliberal, com uma agenda política centrada no desmantelamento do Estado Social (Educação Pública, Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social) e até na limitação de outras funções associadas à soberania do Estado. Mas a rapaziada (crescida) da JSD é, ainda, mais extremista do que o partido, o que não surpreende - os dirigentes do partido têm de lá saído, e não tem saído grande coisa.
A colagem do PSD, e da JSD, à polémica do momento sobre os contratos de associação entre o Estado e os colégios privados, revela tudo sobre a agenda ideológica do partido: retalhar a Escola Pública em contratos de associação com os privados, e depois estender o modelo à Saúde e à Segurança Social. Há muito que o PSD abdicou da construção de um Estado melhor, que assegure serviços de qualidade aos cidadãos, para se transformar no maior defensor do Estado subordinado aos interesses particulares.
Esta polémica política não se baseia em critérios de racionalidade económica, é puramente ideológica e emblemática, tanto para a corrente liberal como para a social-democrata. A corrente social-democrata assenta o desenvolvimento da sociedade num contrato social com os cidadãos em que o Estado fornece serviços públicos a todos os cidadãos, com altos padrões de qualidade, e os cidadãos financiam os serviços com impostos. A corrente liberal e ultraliberal – do PSD actual – defende que o afortunado - “os que têm unhas é que tocam viola” - não pode ser reprimido no exercício da tirania sobre os desafortunados.

Nesta guerra ideológica, vale tudo: ataques de carácter, baixeza política, enxovalho de ministros; pincelado com muita ignorância e falta de memória política. O cartaz da JSD inscreve-se neste ardil. 

20 de maio de 2016

Laranja podre


Que o PSD faz do município uma coutada privada, já há muito se sabia. Há quem se incomode mas, pelos vistos, a maioria da população aceita isso passivamente. Entristece-me... O problema é que, perante tanta passividade, a falta de decoro agrava-se e, a partir de certa altura, nem os próprios se apercebem da indignidade das suas decisões.

Vem a propósito da cerimónia de inauguração da nova Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que vai ocorrer hoje, pelas 17 horas, nos Paços do Concelho. Há muito que a APEPI - Associação de Pais e Educadores para a Infância - reclamava da necessidade de uma nova Casa Abrigo e a autarquia, nos finais de 2013, acedeu assumir as despesas da obra, reconhecendo "a importância do projeto e a incapacidade da administração central em poder assumir este investimento". Até aqui tudo bem. 

Mas onde isto tudo começa a cheirar muito mal é no que vem a seguir. Para começar, a Casa Abrigo vai chamar-se Teresa Morais. O nome da antiga Secretária de Estado da Igualdade, cuja ligação a Pombal presumo que seja apenas por ter sido a cabeça-de-lista pela PaF (e antes do PSD) em Leiria às eleições legislativas, vai passar a fazer parte da nossa toponímia local. E mais: como havia necessidade de marcar uma data para a inauguração em que a senhora pudesse cá vir, nada melhor do que fazê-lo para o dia em que se realiza o jantar das Mulheres Sociais Democratas de Pombal. Matam-se dois coelhos de uma só cajadada: cerimónia oficial às 17h; convívio às 20h30. 

Será que só eu é que me incomodo com isto? Estamos todos a pagar - sim, caro Diogo Mateus: o dinheiro é nosso - para os laranjinhas se andarem a bajular uns aos outros? Conseguiram transformar uma iniciativa interessante numa sabujice política. Haja dignidade! 

Quanto mais a luta aquece, mais longe está o PS


As eleições desta sexta-feira vão trazer para a ribalta um novo líder do PS/Pombal. Não conheço o senhor Alberto Gameiro Jorge, mas espero, sinceramente, que esteja à altura dos desafios. É verdade que desconfio sempre de quem só se lembra que é de Pombal no outono da vida - embora, no caso, me pareça que foi alguém que se lembrou por ele - como o próprio admite em declarações ao Jornal de Leiria.
Numa altura em que o PSD está a braços com a pior crise de que tenho memória (a iminente guerra fraticida entre Diogo Mateus e Narciso Mota), seria de esperar que o PS aproveitasse para cavalgar a onda e instalar-se onde há brechas. Mas isso era se o partido existisse entre eleições, se houvesse trabalho feito, e se os dirigentes locais soubessem fazer a destrinça entre o que são problemas internos e a causa pública. Não sou militante (nunca serei) mas já dei a cara e a alma pelo partido, como independente, nas eleições autárquicas de 2013, integrando a lista candidata à Junta de Freguesia de Pombal. E o que aconteceu depois disso legitima-me para questionar um partido que utiliza as pessoas de quatro em quatro anos, para depois as abandonar à sua sorte. 
Como é que um líder local se demite de funções, a pouco mais de um ano das eleições autárquicas, sem dar justificação do acto? 
Esperará ele - e os outros membros da comissão política igualmente demissionários - que os eleitores tenham compreensão pelas razões desconhecidas? 
O que importa ao cidadão comum que as guerras intestinas do PS tenham levado mais de meia dúzia de dirigentes locais do PS a um processo judicial ainda sem fim à vista, por causa das eleições para a federação, há dois anos? Ou melhor: o que interessam as guerras internas ao cidadão comum? Zero. O que falta ao PS - e aos eleitos pelo partido - é qualquer coisa de muito básico: perceber que o eleitorado que, de 4 em 4 anos, às vezes a vida toda, vota naquele projecto político, merece respeito e defesa até ao fim. Que um eleitorado que não se revê na forma como o PSD faz política há 20 anos.
É por isso que a unanimidade não é apenas burra (como dizia Nelson Rodrigues), mas é também uma falta de respeito, quase desprezo, para com aqueles que acreditaram - noutra gente, noutro projecto, noutra forma de estar e fazer política. Ser oposição é isso. É mostrar que há outra forma de fazer as coisas, e ter coragem de o dizer. Já se sabe que ter opinião cria muitos inimigos, mas lá dizia o outro: quem não suporta o calor não se chega a cozinha. 
Como sou crente, fico à espera dessa mudança que aí vem. Até porque identifico no grupo gente de muito valor.
Ou isso ou o PS corre o risco de ser rapidamente ultrapassado pelo CDS nas próximas eleições. É que esse, se conseguir libertar-se do espírito PaF, está com todas as condições para capturar esse eleitorado descontente. O resto, aquele resto que alinha pouco em centralismos, obviamente penderá para a esquerda, em Bloco. Se os candidatos se aproveitarem, claro.

17 de maio de 2016

Uma dúvida


O Narciso Mota faltou à festa de aniversário dos bombeiros?
Não pode...!

A campanha eleitoral começou

O povo diz que o tempo já não é o que era: faz sol quando deveria chover, chove e faz frio quando deveria estar sol e calor – as estações parecem andar trocadas ou, pelo menos, desfasadas. Na política local, também: já não se respeitam os ciclos, anunciam-se candidaturas extemporâneas e faz-se campanha eleitoral fora de tempo, quando se deveria estar a governar. 
Neste frenesim, até o aniversário dos bombeiros foi utilizado como coutada de caça ao voto. O presidente da câmara utilizou a cerimónia para (tentar) “comprar” votos aos bombeiros com uma oferta variada: apoio jurídico, prioridade na atribuição de habitações sociais, acesso gratuito a iniciativas de carácter desportivo ou cultural, piscinas municipais de forma gratuita, apoio na aquisição de livros e material escolar, passe gratuito nos transportes, etc.
Tudo isto, antes de aprovação das medidas pelo executivo (percebe-se: os vereadores não riscam nada). 
Tudo isto, depois de ainda há pouco tempo, tudo terem feito tudo para retirar rendimentos e regalias aos bombeiros.

Haja um mínimo de decoro.

15 de maio de 2016

Guia prático para quem vai ao "novo" Centro de Saúde


Depois de lá ter estado na sexta-feira (algumas horas antes do senhor que caiu nas escadas e seguiu para o hospital, com prognóstico reservado), atrevo-me a pedir cautelas aos que, forçosamente, não escapam - uns porque não querem, outros porque não podem - ao serviço público de saúde. 

1. Ao chegar, tenha cuidado com as enganadoras portas de vidro. Não se percebe qual delas abre, por isso é melhor aproximar-se com pés de lã.

2. Quando entrar no edifício não vai encontrar qualquer sinalética (a não ser que a coloquem no fim-de-semana). Terá a sensação de estar no velho edifício, mas pintado de novo. Há uma mesa e umas cadeiras à volta, apenas, no átrio. Descanse, não lhe vão dar formação de como usar o serviço, embora não fosse mal pensado...

3. Como não há sinalética, damos uma ajuda: as consultas da USF (Unidade de Saúde Familiar) do Marquês e de São Martinho funcionam no primeiro andar. O rés-do-chão ficou destinado aos serviços de secretaria, saúde pública e afins. Estamos em crer que os autores deste projecto pensaram ao pormenor no envelhecimento activo, e no exercício físico que é recomendado aos nossos idosos. Sendo certo que a maioria não é muito chegada aos elevadores, a alternativa é subir as escadas se quiser ser consultado.

4. Quando descer, faça-o com cuidados máximos. Quem usa lentes progressivas queixa-se das fitas pretas que delimitam os degraus, traiçoeiras, por isso toda a atenção é pouca.

5. No interior do edifício procure falar baixo. Falhou ali qualquer coisa na insonorização do edifício, por isso é natural que a péssima acústica baralhe funcionários administrativos, enfermeiros, médicos e utentes.

6. Faça um esforço por não precisar do "ginásio", suposta sala de recuperação. Como o edifício se revelou aquém das necessidades mesmo antes de ser inaugurado, foi necessário colocar lá umas secretárias...

7. À saída, aprecie a beleza do edifício por fora. Lembre-se que também pagou parte daquele 1,2 milhões de euros que custou a remodelação.

13 de maio de 2016

A carta da JSD que alerta para "uma guerra fraticida"

                                  Seminário "Pombal 2030", organizado pela JSD. Tudo corria bem, até certo momento...


Quando a comissão política se sentar esta sexta-feira 13 na sede da rua Dr. Luís Torres, para debater uma extensa ordem de trabalhos, há um ponto a sobrepor-se a todos: "análise da situação política". Ao contrário do era previsto por Narciso Mota - que preside à mesa da Assembleia Geral - nas declarações à imprensa, a actividade partidária fica-se por aqui, e não haverá plenário de militantes, o tal em que o ex-candidato-futuro presidente da Câmara iria anunciar oficialmente a sua candidatura. E não haverá porquê? É uma espécie de quarto segredo de Fátima. Terá sido Narciso que se esqueceu de o convocar? Seria esse um trabalho para a secretária ou para o vice-presidente da Mesa? Não se sabe ainda a resposta, mas também já pouco importa, numa altura em que Narciso aproveitou o seminário "Pombal 2030" organizado pela JSD para fazer publicamente o anúncio.
O mal-estar instalou-se na família laranja de imediato. Até então, ainda havia esperança que Narciso recusasse. Paradoxalmente, foi a JSD quem melhor fez a leitura dos acontecimentos, como o mostra uma carta enviada pelo presidente, João Antunes dos Santos. Está bem escrita e é muito clara:

"Estando o Eng. Narciso Mota presente, sentiu-se naturalmente provocado e acabou por anunciar que iria ser candidato à Câmara Municipal de Pombal, nas próximas eleições autárquicas. Era desnecessária a provocação despropositada que levou a este desfecho, pelo que lamento profundamente a atitude de ambos! (...) Lamento que em vez de se colocar água na fervura, se coloque combustível. E lamento que não estejamos todos a pensar no melhor para o partido e para as próximas eleições. Numa altura em que temos o partido mais activo do que nunca é triste que se esteja disposto a deitar tudo a perder. É triste que quando dezenas de pessoas se mobilizam por todo o concelho para defender o PSD, contribuindo ainda mais para a sua implementação no concelho, haja quem contribua exactamente para o contrário".

O jovem advogado percebeu como poucos o que está em causa, lamentando que os protagonistas tenham usado uma iniciativa daquelas "para declarar aberta uma guerra que será fraticida". E por isso, na mesma carta, diz esperar "que na próxima reunião do partido se debata frontalmente este assunto". Há-de ser logo à noite, numa reunião que contará com as ilustres presenças de: Pedro Pimpão, Diogo Mateus, José Gomes Fernandes, Mário Santos, Pedro Brilhante, Guilherme Domingues, Ana Gonçalves, Ana Cabral, Andreia Marques, Edite Pascoal, Manuel António, Nelson Pereira, Sofia Amado, Célio Dias, Felismino Neves, Fernando Silva, Adelina Gomes e Leontino Ribeiro. Duzia e meia de cérebros para pensar como é que sai deste imbróglio. E Narciso de fora (da discussão, entenda-se).

12 de maio de 2016

Pedro e o lobo, a fábula que encanta Pombal

Está ao rubro o ambiente nos bastidores do PSD local, especialmente desde sábado, quando Diogo esticou mais um bocadinho da corda em que vai puxar por Narciso Mota, nos próximos tempos. A "brincadeira" fez estragos consideráveis internamente, e levou mesmo o líder da JSD a escrever a escrever uma carta (fica para outro post) que fez chegar por e-mail a todos os membros dos diversos órgãos do partido.
De maneira que cresce entre os admiradores do estilo e da forma de Pedro Pimpão uma vontade férrea de o ver avançar, personificando a terceira via. É verdade que corremos o risco de ver reproduzir-se em Pombal a história de Pedro e o lobo: quando um dia for a sério, já ninguém acredita.
Ainda assim, parece-me cedo para tamanho risco. O Pedro está em forma e não é só por causa das corridas. Quem o viu ontem, na comissão de Educação, Cultura, Desporto e Juventude - com direito a uns minutos da sua brilhante intervenção nos noticiários da TV - percebeu logo que anda bem assessorado.

video

11 de maio de 2016

Onde pára a Feira do Livro?



Ao fim de 21 edições a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Pombal decidiu (ou alguém decidiu por ela) que era tempo de acabar com a Feira do Livro. Talvez por fruto da sua extensa formação na área da mercadologia, Ana Gonçalves concluiu que o evento não interessava aos consumidores. 

Todos sabemos que as feiras do livro já conheceram melhores dias. Nos últimos anos, os certames realizados fora dos grandes centros têm apostado na literatura infanto-juvenil que - por muito que alguns pensem o contrário - é a única faixa etária que tem vindo a aumentar o número de leitores. Mas como os jovens não votam, não foram incluídos nos doutos estudos da Srª vereadora. 

Mesmo não tendo grandes expectativas quanto ao interesse da vereação laranja pelas coisas da cultura (acham mais piada brincar ao carnaval disfarçados de Marquês de Pombal), atrevo-me a dar um conselho: porque não entregam a organização do evento a quem sabe do assunto? Não faltam exemplos no país de iniciativas de sucesso em que o livro é protagonista. Mas, para isso, é necessário que os promotores tenham imaginação e acreditem genuinamente no que estão a fazer. 

Numa altura em que a Junta de Freguesia de Pombal, em boa hora, voltou a lembrar a figura de António Serrano, custa ver o desprezo com que a Câmara trata a literatura. 

PS: Muitos parabéns ao Nuno Gabriel e restantes premiados na edição deste ano do Prémio Literário António Serrano.

10 de maio de 2016

A ilusão de Ícaro (e de D. Diogo)

A divulgação, pelo Farpas, da (re)candidatura de Narciso Mota à CMP, e a imediata confirmação pelo próprio, desencadeou um terramoto político em Pombal (e não só).
Admitindo, como plausível, que Narciso Mota sempre teve o desejo de regressar aonde foi feliz, o que o conduziu à concretização do desejo foi a imprudência do príncipe: cometeu muitos erros, gerou muito odioso, a maior parte das vezes sem necessidade, o que criou as condições para o regresso. Bem pode o príncipe arguir traição política, fazer-se de vítima e apontar cúmplices - é uma propensão natural atribuir infortúnio à malignidade de alguém – mas foi da sua arrogância que o conduziu ao infortúnio. Se o príncipe conhecesse (e tivesse interiorizado) a lenda da ilusão de Ícaro ou se prestasse atenção ao Farpas, tinha evitado muito desgosto e a queda em desgraça. Bem sabemos que é pedir muito: o príncipe é incapaz de corrigir a sua natureza e jamais leria o Farpas. Erro seu e virtude de seu pai (político) - Narciso Mota – que não o sabia ler, mas lia-o, religiosamente.
O príncipe deslumbrou-se com o poder “absoluto”, cometeu a ilusão de Ícaro. Diz a lenda que Ícaro morreu no Mar Egeu (ou Mar Icário) vítima de sua arrogância. Seu pai, Dédalo, era um exímio artesão. Condenado por sabotar a obra do rei Minos (que capturou o Minotauro), Dédalo criou uma incrível trama para escapar da prisão: criou um par de asas para ele e seu filho. Depois de fixar as asas com cera, prepararam-se para fugir. Dédalo alertou Ícaro para não voar muito perto do sol. Mas, encantado com sua capacidade mágica de voar, Ícaro desobedeceu ao pai e voou alto demais. Todos sabemos o que aconteceu: a cera derreteu e Ícaro, o filho adorado, perdeu suas asas, caiu no mar e morreu.

O príncipe ainda não morreu, mas caminha a passos largos para tal desgraça. Que se tenha deslumbrado com a herança de um reino rico e obediente, percebe-se. Mas já não se percebe a forma como tem reagido ao assalto do pai: as precipitações, os tiros nos pés – tudo feito ao contrário. Quando a fragilidade da compreensão e a perversidade de vontade colaboram mutuamente, o caminho para o desastre fica traçado. Ou será que o príncipe já deu o trono como perdido?

6 de maio de 2016

"Eu é que escolho". E quem é que paga?


No princípio do verão de 1987, o meu pai chegou a casa com uma indicação de agenda, para uma tarde na Associação da Moita do Boi. Constava que deixaria de haver transporte para a Guia, a escola transformada em C+S depois do 25 de Abril, antigo externato privado. Além disso estava a nascer no Louriçal "um colégio novo" - que oferecia transporte, claro - e um dos sócios dispusera-se a explicar, detalhadamente a cada família, o projecto no seu todo. Lá fomos. Nunca me esquecerei da imagem de António Calvete, à época rapaz de sub-30, camisa e calça de ganga, sapatilhas, óculos redondos e olhar certeiro. Estava sentado sozinho, numa mesa ao cimo daquele salão de baile. Falava pausadamente, discurso estudado e fluente, abusava da bengala de linguagem "no fundo", e no fundo eu sabia que de pouco adiantava dizer ao meu pai que não queria estudar no Louriçal, que ninguém queria passar os dias na vila, que vivia há anos na sombra do foral manuelino e do convento, mais o mercado ao domingo. Estava escrito nas estrelas, e lá fui, meses depois, para o primeiro 9º ano da vida do Instituto D. João V: 300 pessoas ao todo, entre alunos, funcionários e professores. 50 professores. A nata da nata que havia em Pombal e Figueira da Foz.
Naqueles primeiros tempos  da escola fomos todos muito felizes. A vila ganhou uma vida que não tinha, a comunidade assistiu a uma explosão cultural que nunca conhecera. Era a feira medieval, eram as semanas culturais, os desfiles de carnaval, as marchas populares, o concurso dos vestidos de chita e mais tarde os festivais da canção. Funcionávamos como uma grande família, que à hora de almoço se reunia na  cantina para comer uma sopa - que a D. São fazia em casa, ali a poucos metros, e trazia à cabeça, dentro da panela. Pouco tempo depois, já ninguém tinha saudades da Guia, ou do Paião, de Pombal ou da Figueira. Estava criado um ecossistema de afectos, que haveria de nos ligar para sempre, a muitos de nós. Muito do que sou devo-o ao Instituto D. João V e não me esqueço disso: quando escolhi a variante de jornalismo/turismo da área que se chamava Humanísticas, a escola fê-lo para quatro alunas. Outra de nós enveredou pelas Clássicas; a escola mandava vir uma professora exclusivamente para lhe dar aulas de grego, uma vez por semana. Um luxo suportado pelo ensino particular e cooperativo, com dinheiro público. Mas isso eu só haveria de perceber mais tarde. Logo aos primeiros anos estava lançada a fama da escola, de tal modo que, de repente, transferiam-se para o Louriçal não as moças mais lindas do bairro operário, mas as meninas da cidade, que descobriam na vila um sítio muito melhor do que Pombal para estudar. Não tardou muito para se multiplicarem as salas e as turmas. Ao mesmo tempo, o IDJV transformava-se num organizador de eventos ímpar. Já a fama da escola estava cimentada quando demos corpo a uma marcha popular: o João Portulez ensaiou, o Daniel Abrunheiro fez a letra, a banda da Sociedade Filarmónica Louriçalense acompanhou, e lá fomos, Louriçal abaixo, escola acima, a marchar, alunos e professores, o povo a aplaudir. Antes, porém, o Dr. Calvete reuniu os marchantes, no final de um ensaio. Tratava-se de convencer a todos e a cada um comprar uma t-shirt com a marca da escola, coisa para custar mil escudos, pois que vestir a camisola deveria ser um orgulho. Aquilo não me soou bem. Cá atrás, levantei o dedo e disse-lhe o que pensava: não me parecia normal passarmos semanas ali, depois das aulas, nos necessários ensaios, dar tempo e trabalho a uma iniciativa da escola, e ainda pagar por isso. Instalou-se a confusão e acabámos por marchar de camisa branca, cada um com a que tinha. Foi uma grande festa, aquela, dos santos populares de 1991: marchas populares, um arraial na escola, um desfile de vestidos de chita, um baile abrilhantado pelo conjunto musical "Carapaus de Prata", a prata da casa. Aquele era "o elenco do Instituto", como dizia o patrão dos colégios. Em troca, sorrisos, tiras de presunto e queijo, e um caldo-verde.
Naquele tempo nasciam empresas por toda a parte, Portugal já estava na CEE de corpo e alma, havia dinheiro fresco e abundante. Apareceram os cursos de formação financiada, um novo filão para as escolas como aquela. Nesse jogo da sorte lembro-me do canalizador lá da minha aldeia que se fez professor, assim, à medida dos montantes. Nunca mais soube do que acontecera à escola da Guia, nem às outras. O meu mundo era aquele, e aos 16 ou 17 anos ninguém pensa muito nos modelos de financiamento, contratos de associação e outros demónios. 
A escola trouxe gente, a gente precisava de morar ali perto - especialmente os professores. E então nasceram prédios e moradias à medida dessas necessidades. O Louriçal cresceu à sombra do Instituto, e o Instituto ganhou tentáculos noutras áreas de negócio. Era assim o mundo nos anos 90, quando as famílias tinham emprego, trabalho certo e esperança no futuro. Com a garantia de transporte de Pombal para a vila (a que Narciso Mota resistiu o quanto pode, coadjuvado de forma veemente por Diogo Mateus, que nessa altura era crítico do 'sponsor' do PS, António Calvete, como lhe chamava), disparou o número de alunos. Tinham a modalidade de natação nas aulas de educação física, um pavilhão gimnodesportivo para a prática de outras modalidades. Era o tempo do desporto escolar transformado em jogo profissional, equipas na primeira divisão nacional. 
Mas o mundo mudou. E no IDJV as mudanças sentiram-se cedo, aos primeiros sinais de recuo financeiro. Acabou-se o basquetebol, o futsal, fechou-se a piscina. Os professores foram dos primeiros a perceber que o tempo era outro, especialmente os casais que se viram no desemprego, com casas para pagar, no mesmo Louriçal para onde se haviam mudado. Nos últimos quatro anos dezenas de professores foram convidados a sair do grupo GPS (que entretanto agrupou vários colégios dos empresários Calvete e Madama). Conheço vários que não voltaram a trabalhar na área, ou que oscilam entre uma ou outra substituição nas escolas públicas. Não são eles que escolhem. Nem os filhos deles.

Na freguesia do Louriçal (como em Albergaria dos Doze, Redinha ou Meirinhas) o milagre não se fez sentir: a natalidade caiu, a emigração aumentou, fecharam empresas, encerraram muitas escolas do ensino básico. Quando passo na aldeia da minha avó, custa-me ver a escola primária de Antões transformada numa sede de rancho folclórico. É melhor do que estar fechada, ao abandono? Claro que sim. Mas lá na terra toda a gente preferia ver o recreio cheio de corridas, macacas e jogo da apanhada. Eu também. No mundo ideal, o Estado não se limitava a pagar aos privados (muito e bem) para o substituírem quando fosse preciso, mas dar-se-ia ao luxo de lhes pagar sempre, independentemente do número de alunos; os negócios seriam um dado adquirido para todo o sempre, sem prazo. Num mundo melhor, não teriam encerrado centenas de jornais neste país, nos últimos anos, nem outras empresas. A pobreza não teria disparado para níveis que doem.
Ora acontece que a realidade é uma desmancha-prazeres, e tem vindo a esvaziar escolas públicas sucessivamente, aquelas que todos pagamos - e onde, apesar dos pesares, se mantêm professores de excelência. A manta é curta. E chegámos aqui, ao momento em que um governo de esquerda teve a coragem de fazer o que tinha de ser feito, para minimizar os estragos. Como bem escreveu Mariana Mortágua, " O Estado tem obrigação de ter uma boa rede de ensino público, universal e gratuito. Tem obrigação de, quando essa rede não existe, pagar aos privados para que o façam. MAS não tem obrigação de financiar privados quando há uma escola pública, vazia, ao lado. E isto não é acabar com a liberdade de escolher privado. Quem quiser pode fazê-lo. Não nos podemos meter nas escolhas de terceiros, mas também não temos que as pagar!".
Dantes, o presidente da Câmara de Pombal também pensava assim. Mas foi sem surpresa que o vi nas imagens amplamente difundidas pelo IDJV, em manifesta solidariedade para com aquele privado - ele e três vereadores: dois antigos alunos e um antigo professor. 
Aqui por Pombal só não temos a Igreja metida ao barulho, como acontece numa boa parte do ensino privado. 
É isto, afinal: "Como a escolaridade é obrigatória e o nosso Estado é laico, é obrigação do Estado garantir que existe uma escola laica. Um Estado laico não pode obrigar uma família a inscrever as suas crianças em escolas de inspiração católica. A implicação lógica é simples: onde há escola pública, não se deve financiar escolas privadas. A não ser, claro, que o Estado deixe de ser laico, como grande parte da Direita gostaria". 
O que me custa? Que em Pombal seja uma parte da esquerda a alinhar nessa onomatopeia.

Sai uma depilação

O convento de S. António tem funcionado, nos últimos tempos, como um verdadeiro depilador, tal a quantidade de vezes que foi chegada-a-roupa-ao-pelo aos funcionários. Porque o trabalho não foi bem feito ou por sadismo, a câmara resolveu protocolar a conclusão do processo de depilação com as cosméticas locais, assegurando um desconto aos funcionários.

Mas, como a chegada-de-roupa-ao-pelo foi feita a frio, não seria mais conveniente protocolar uns tratamentos de pele? E uma reparação dos neurónios, aos mais sofridos?

5 de maio de 2016

Síndrome do unanimismo

O PS local sofre da síndrome do unanimismo – uma espécie de raquitismo político, que os protege – no seu fraco entender - dos perigos. A doença é antiga, mas agravou-se nos últimos tempos - tornou-se crónica.
Quando fiz parte da AM - no mandato 2005-2009 – a doença já se manifestava. O cabeça de lista da altura – Jorge Silva (o mesmo deste mandato) – chegou a defender que deveríamos abandonar a AM, porque, dizia ele, o presidente não respondia às nossas questões e a bancada da maioria nunca aceitava as nossas propostas. Expliquei-lhe na altura - sem o convencer - que a eficácia da nossa acção politica não estava dependente das respostas do presidente ou do apoio da bancada da maioria, mas da pertinência das nossas questões, da qualidade dos nossos argumentos e da diferenciação das nossas propostas.
Agora a situação piorou – ou melhorou, depende da perspetiva. O PS (também) faz questões e o presidente actual responde as todas. Mas as questões são “deixas” - tal como as da bancada da maioria - para o presidente brilhar.
Na última AM o CDS e PSD apresentaram moções de defesa (e reforço) do ensino privado. E o que fez o PS? Aprovou-as, com a abstenção envergonhada de três membros da bancada.
A não renovação dos contratos de associação com os colégios privados, nos locais onde o Estado tem oferta educativa, é uma medida com toda a racionalidade económica, nomeadamente quando o Estado não tem dinheiro. Logo, só por esta razão, deveria ser apoiada por todos os partidos. Mas um socialista deveria saber que se trata de uma medida ideologicamente emblemática deste governo. Votar contra ela é uma enorme quebra de solidariedade política com o frágil governo do PS, que devia fazer corar de vergonha um verdadeiro socialista.
A falta de preparação politica ainda se tolera - tal o nível a que já descemos - mas a ausência de consciência política, não.
Oh Jorge, convence lá esse pessoal a abandonar a assembleia municipal. Fazias um belo serviço ao partido.

4 de maio de 2016

O mistério da sala que falta no Centro de Saúde


Desde a apresentação do projecto que médicos e enfermeiros foram alertando para algumas falhas no edifício do novo Centro de Saúde de Pombal, que deverá abrir portas na próxima semana. A coordenadora alertou, os profissionais também, mas chegámos ao fim da obra com o insólito: falta uma sala de enfermagem na Unidade de Saúde de São Martinho. Como é possível tamanha leviandade numa obra que custa milhões, e que deveria ser projectada para o futuro? 
Quando na segunda-feira os responsáveis foram à Câmara para tentar uma solução, nos contentores (onde tem funcionado o Centro de Saúde) os profissionais sabiam que não havia muito por onde remendar. E assim foi: vai fazer-se à pressa uma divisória, para caberem todos. 
Ora aí o pior do planeamento, remendando uma obra mesmo antes de a inaugurar.

3 de maio de 2016

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - sempre a pensar na carreira

Pedro Pimpão – Líder da Concelhia do PSD – anda atarefadíssimo a tentar, por todos os meios, abafar o tsunami lançado por Narciso Mota, no concelho e no PSD, tentando convencê-lo a não avançar para a câmara, o que vai ser difícil – digo eu.
Mas aquando do processo de destituição de Luís Garcia - baseado numa dessintonia política menor, opinativa, referente a uma área – Saúde – onde o executivo local não tem atribuições e responsabilidades, Pedro Pimpão teve um comportamento bem distinto (para não dizer oposto), bateu-se pela destituição. Na altura, disse e escreveu:
E agora, Pedro, o que dizes e o que fazes? Qual vai ser o teu voto? Vais liderar a destituição de Narciso Mota?
Ficamos à espera. Atentos.

2 de maio de 2016

O reality show da Assembleia Municipal



Este era o segredo mais bem guardado da Câmara Municipal em matéria de entretenimento. A transmissão em directo (agora disponibilizada em gravação no youtube) das sessões da Câmara tem sido qualquer coisa de aborrecido, mas a da Assembleia Municipal superou toda e qualquer eventual decepção que eu pudesse ter. Ainda não percebi se aquilo é uma parceria com a pombaltv, se é uma cedência de meios, se é uma adjudicação directa. Seja o que for, é muito bom. Os concelhos à volta que ponham os olhos nisto...
É o nível das intervenções das diversas bancadas.
É a quantidade de deputados que ali vai receber a senha de presença e picar o ponto, sem abrir a boca.
É o deputado que se incomoda com as questões "bagatelares" da árvore e do buraco da estrada (que mania que o povo tem de se preocupar com coisas menores).
É o presidente da Câmara que demora mais tempo a responder aos deputados do que o total gasto pelos ditos.
É o presidente da mesa da Assembleia que não consegue auto-regular a sua intervenção.
E é a cereja no topo bolo: o secretário da mesa que dá ordens ao presidente.
É do melhor. Ide ver.

Chamem os bombeiros


Ao minuto 47 da gravação da Assembleia Municipal da passada sexta-feira, o presidente da Câmara de Pombal explica com detalhe por que razão não está em vigor no nosso concelho o Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios. Legalista militante, Diogo Mateus coloca nas mãos da Justiça a resolução de um processo kafkiano cuja culpa atribui ao Instituto de Conservação da Natureza. Diz o autarca que não é por aí, pois que o Plano Operacional Municipal existe - e é esse "que disponibiliza o conjunto de meios que estão prontos a fazer intervenção, se forem necessários os mecanismos de prevenção". Fazendo fé nas palavras supremas, está tudo bem. Mas diz a imprensa que os Bombeiros Voluntários de Pombal se debatem com falta de gente, lamento assumido publicamente na última assembleia geral da associação humanitária, aqui há dias. Foi na mesma altura em que os sócios aprovaram as contas - que limpam a imagem da casa um ano depois da tempestade directiva. Sabe-se que esta direcção da AHBVP tem funcionado ao estilo "Tide lava mais branco", implacável no alcance dos resultados, entretanto afixados no placard das secções. Tudo está bem quando acaba bem. 
Ora acontece que, apesar da proximidade a Fátima, os milagres não se verificam num instalar de dedos. Como não se pode ter sol na eira e chuva no nabal, são compreensíveis os receios manifestados pelo presidente da assembleia geral, José Manuel Carrilho, que já dirigiu com mestria a associação e sabe do que fala. Sem ovos ainda não se fazem omoletes: sem voluntários não há corpo de bombeiros. Sucedem-se os cursos e também o número dos que nem sequer terminam as formações; os incentivos e regalias foram sendo sucessivamente dizimados, e por isso ser bombeiro é hoje mais penoso do que aliciante para qualquer voluntário. Posto isto, o melhor é aproveitar as peregrinações de Maio para rezar e pedir protecção divina para a floresta. Ou então mudar a agulha na estratégia organizacional, onde tantas vezes o essencial é invisível aos olhos. 
Se perguntarem aos bombeiros, rapidamente percebem que isto não vai lá com trail's.