29 de abril de 2014

Deus está nos detalhes

Por motivos profissionais, tenho passado muitos dias no estrangeiro. Como não sei funcionar com o Facebook (nem com nenhuma outra rede social), recorro aos sites dos órgãos de informação local para saber as notícias da santa terrinha. Depois da 97FM, da Rádio Cardal e do Notícias do Centro, agora consulto também a página do Pombal Jornal e a da PombalTV.  Como podem ver, estou muito bem informado! Mas não é sobre isso que agora quero falar.

Fui assinante d'O Eco e d'O Correio de Pombal até ao seu desaparecimento e, por isso, ocorreu-me também assinar o Pombal Jornal. É uma coisa minha; gosto de ler os jornais em papel. E foi ao consultar a nova página do Pombal Jornal que verifiquei que não é feita qualquer referência à sua ficha técnica. Espantoso! Como podem aspirar a ter credibilidade se não informam os leitores sobre quem são os responsáveis por aqueles conteúdos? Mas mais: com excepção do Notícias do Centro (que refere que Orlando Cardoso é o seu director) e da 97FM (que diz alguma coisa - pouco - nos "Contactos"), nenhum dos outros órgãos de informação refere a sua ficha técnica!  Está tudo muito lindinho, muito tenrinho, muito xuxu, mas falta o básico dos básicos. 

Sou dos que acredita no sucesso de uma imprensa regional de qualidade, gerida com rigor, comprometida com as causas sociais locais e, já agora, com jornalistas na redacção. Não numa imprensa que valoriza o supérfluo e descura o essencial. E se, como disse o arquitecto Mies van der Rohe, "Deus está nos detalhes", então a nossa imprensa local está totalmente fora da lei de Deus. 

27 de abril de 2014

Operação mãos limpas, já.

Os abiulenses elegeram um grupo inorgânico, independente, virgem na política porque lhes foi prometido uma operação mãos limpas na junta de freguesia. O atual executivo não pode defraudar este compromisso. Pode não fazer mais nada durante o mandato, mas tem a obrigação de expor publicamente as muitas irregularidades praticados pela dupla Carrasqueira & Agostinho e participar os eventuais crimes às entidades oficiais. Se não o fizerem são cúmplices e poderão ser responsabilizados pelo crime de cumplicidade e/ou omissão de deveres de fiscalização, quando abandonarem o poder.
O executivo informou – em off – que pediu uma inspeção à IGF. É pouco e não dará nada. A IGF não tem recursos para inspecionar todas as câmaras com irregularidades denunciadas, quanto mais uma junta. Se só fizerem isto defraudarão os abiulenses e os cidadãos em geral (nomeadamente aqueles que pagam impostos).
O executivo deve proceder o mais rapidamente possível ao levantamento das muitas irregularidades cometidas nos últimos anos. Para tal só tem uma via: pedir uma auditoria a um ROC, comunicar os seus resultados e agir em conformidade. Custa dinheiro, diz a presidente da junta? Custa, são os custos da transparência e da boa gestão da coisa pública. E sejamos claros: não são os membros do executivo que suportam os custos, é a junta, somos nós. A população exige-o por isso aceita a despesa. Estou convencido que a despesa pode trazer bons proveitos. Basta que os prevaricadores tenham que devolver parte do montante gasto nos almoços. Mas há muito mais!

É uma questão de higiene pública, como diz um amigo meu.

26 de abril de 2014

E depois de Abril

O meu tio Germano voltou da Guiné ferido de morte. Da mesma Guiné onde Salgueiro Maia ficara ferido, já antes dele. Era um rapaz bonito, o meu tio. O penúltimo dos 13 filhos da minha avó Maria, olho azul, como os outros, cabelo ondulado, a vida toda pela frente quando embarcou naquele navio – e de onde nunca regressou, verdadeiramente.

Voltou da Guiné sem feridas visíveis, por fora. De tal forma o corpo parecia são que ingressou nas fileiras da Guarda Fiscal. Na verdade, haveria de passar mais tempo internado na psiquiatria de um hospital militar do que em operações de fiscalização, que não as de fantasmas que atravessaram o oceano dentro dele. Esse retorno à aldeia (de onde partiram tantos outros rapazes) fez-se pouco antes daquela noite, há 40 anos. Nessa altura, vários irmãos (entre eles o meu pai, que teve a sorte de atravessar a guerra numa farda de marinheiro, a menos má da tropa) já tinham trocado os campos de milho da Moita do Boi pelos bairros ajardinados de uma cidade alemã.
A essa hora, enquanto o meu tio Germano tentava enterrar de vez os mortos que trouxe da Guiné, eu dormia descansada o sono de ano e meio de gente, no mesmo quarto onde a minha mãe pedalava o dia inteiro numa velha Singer, de cabeça verde. Escapou, com esse talento da costura, ao destino das irmãs, criadas de servir em casa de senhores de Leiria e arredores. Algumas (e alguns, num total de 10) ajudou ela mesma a nascer, na esteira onde dormia, com a minha avó. Correu quase sempre tudo bem, à excepção da penúltima, que morreu com um mês de vida, sem nunca se saber de quê, enquanto o meu avô amealhava francos nas obras e à noite fechava os olhos num bairro de lata dos arredores de Paris.
Para lá chegar, foi um tormento. Daqueles que fazem parte de uma infindável lista que hoje há quem queira branquear, como se nunca tivesse existido. Primeiro foi preciso arranjar um “passador”, a quem pagou e bem, o meu avô Zé Maria, já então cego de uma vista, por não ter recebido assistência médica atempada depois de um acidente de trabalho. Depois foi o calvário de que não gostava de falar: quatro dias em Espanha, sem nada para comer, até se verem obrigados a mastigar os canoilos do milho e os restos do trigo. A França renascida em betão no pós-guerra fê-lo quase esquecer, em dinheiro, aquilo que a alma guardou bem fundo. Não podia ele imaginar que seria o primeiro de várias gerações da família a povoar as vilas e cidades francesas, numa saga da emigração que conhece, por estes dias, o seu apogeu. Por toda a parte, pelo mundo inteiro. Nessa altura, nessa noite de há 40 anos, ele já dormia numa cama a sério, ao lado da minha avó. Deixara em França três filhos, um deles desertor. A ousadia valeu-lhe ficar 13 anos sem voltar à terra nem aos seus.
Na verdade, dormíamos todos mais ou menos descansados aqui pelo litoral à hora em que os militares seguiam para Lisboa e o país acordava. Nos anos seguintes, o rádio ainda passava a canção da “gaivota”, que eu cantarolava desde que me lembro. Passava a Grândola, a marcha do MFA, e era um dia festivo, em que a minha mãe simbolicamente não se sentava à máquina para trabalhar. Explicava-me, à maneira dela, que estávamos a festejar muita coisa, mas sobretudo a liberdade.
- sabes que antes disso não podíamos dizer mal daqueles senhores do Governo. Aliás, se estivéssemos ali no café a falar num grupo, podiam vir os homens da Pide e levavam-nos presos.
De tal maneira que eu cresci com a ideia de que, se fizesse ou dissesse asneiras, ia presa.
Nunca fui. Nasci em ditadura mas cresci em liberdade. Desde muito nova tive sempre uma imensa pena de não ter nascido uns anos antes para poder viver em pleno aquela madrugada, aquela revolução. Contá-la em reportagem, no mais perfeito dos cenários. Emociono-me com as histórias dos capitães, com o relato dos camaradas da época, como aconteceu ainda na semana passada ali na Arquivo, na apresentação do livro Os Rapazes dos Tanques, de Adelino Gomes e Alfredo Cunha.
Por causa dessa história que é a da minha família, mas também a do meu país, sou eternamente grata àqueles rapazes todos. E mesmo sem ter vivido em ditadura, senti-lhe os efeitos secundários, que aqui ficam lavrados: a guerra, a censura, a mortalidade infantil, a ausência de um Serviço Nacional de Saúde. E as feridas invisíveis, como as do meu tio Germano, que um dia, no Verão de 77, acabou com aquele sofrimento todo no fundo de um poço, lá no quintal da minha avó. Foi o Ultramar que o matou. E isso nunca se pode perdoar a regime nenhum. Da mesma maneira que nunca poderemos perdoar a cada um de nós aquilo que estamos a fazer à democracia, menosprezando-a, demitindo-nos do papel de cidadãos em toda a linha, sem perceber que um dia a coisa se pode inverter: quem adormece em liberdade, acorda em ditadura.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!
Nota: Este texto foi escrito originalmente para a Preguiça Magazine, onde  à quinta-feira escrevo "O Barulho das Luzes". Não tenho por hábito publicar no Farpas textos que faça para outras publicações, sobretudo por não ser esse o espírito da casa. Mas esta minha história é a de muitos de vós. E é preciso contá-la, tantas vezes quantas forem precisas.

25 de abril de 2014

Seis anos de Farpas - Viva a Liberdade!


Faz hoje seis anos que o Farpas viu a luz dos computadores. Um brinde e um cravo a toda a "comunidade Farpas" - designação criada pelos próprios leitores e comentadores - que abriu a janela desta casa para sacudir a poeira que anda por baixo dos tapetes.

Adelino Malho
Paula Sofia Luz
Adérito Araújo
José Gomes Fernandes
Daniel Abrunheiro

"E depois de Abril? Viemos nós, os que nos habituámos a pouco valorizar a liberdade, porque nela crescemos. Os que fomos, aos poucos, cedendo tanto, sem, às vezes, disso nos apercebermos. Os que aceitámos a premeditada censura, ou a auto-censura, como se fosse uma necessária moderação feita à medida e fomos abdicando de falar, de escrever, de pensar, de estar. Mas é tempo de assumir outra atitude. É tempo de afirmar a liberdade, a diferença, a cidadania. É tempo de reflectir, de criticar e de denunciar “progresso da decadência”.
Passados 30 anos, o nosso mundo divide-se – outra vez – por uma cortina de liberdade: entre os que têm a coragem de afirmar a liberdade e os outros, que se escondem atrás do ecrã, no anonimato, à espera da benesse.
Nesta esquina colectiva em que nos juntámos, só há lugar para os primeiros.
Viva a liberdade!"
25 de Abril de 2008

Caíram de gordos

Assisti ontem a meia reunião assembleia de freguesia de Abiúl. O suficiente para sair de lá empanturrado com verdadeira “democracia popular” servida a quente - uma boa forma de comemorar Abril.
É verdade que não satisfiz a curiosidade sobre os resultados da prometida inspeção às contas referentes aos anteriores mandatos. Mas o pitéu servido pela presidente de que o anterior executivo, liderado pela dupla Carrasqueira & Agostinho, tinha gasto 20.000 € em almoços, em pouco mais de meio ano, deliciou o muito publico presente.

Está explicada a derrota: caíram de gordos!

22 de abril de 2014

Rei morto, rei posto?


Os amigos social-democratas estão a preparar o terreno. A homenagem a Narciso Mota está marcada para dia 9 de Maio, à noitinha, numa das suas obras mais emblemáticas: o Expocentro. A coisa promete. Os interessados em assistir de perto ao momento podem consultar os pormenores aqui.

21 de abril de 2014

Esbanjamento local

O novo executivo da Câmara Municipal do Porto, liderado por Rui Moreira, vai vender os edifícios construídos para albergar Casa Museu do Cineasta Manoel de Oliveira porque deixaram de ter uso com a ida desta para o Museu de Serralves.
Por cá, constroem-se e adquirem-se edifícios sem fins em vista e, depois, pedem-se ideias de como os ocupar ou permanecem vazios.

18 de abril de 2014

Com duas letrinhas apenas



Com duas letrinhas apenas

Está ainda no activo profissional uma certa apresentadora de TV que é visada no “milieu” da estação em que e para que trabalha com a mimosa alcunha de “Cebolinha”. O gracioso epíteto não tem nada a ver com a outrora célebre personagem de livros aos quadradinhos criada pelo brasileiro Maurício no entrecho da série Turma da Mônica. Chamam-lhe “Cebolinha” por ter um cu que até faz chorar.
Para quê este primeiro parágrafo assim sem mais nem menos? Calma. Eu explico. É porque o artigo recente do rapaz Pedro Brilhante em defesa do Manuel António poderá causar a um Rodrigues Marques o enésimo episódio lacrimal também, mas para mim não é cebolinha: porque nem me faz chorar, nem vale um cu.

Posto isto, nada mais tenho a dizer de momento.

14 de abril de 2014

O Castelo: tudo está bem quando acaba bem


O vídeo da Pombaltv/Rádio Cardal permite ver parte do que lá se passou, e do que lá está feito com os tais três milhões e meio de euros que vão mudar a nossa história, a avaliar pela expectativa criada. Talvez ainda se possam arranjar uns trocos e colocar uma protecção nas muralhas, que fazem as delícias dos mais pequenos. 
Ah, o mamarracho de pedra (afinal não é betão) choca menos de perto do que nas fotos. Mas choca.
De resto, foi quase como há 40 anos:

E a festa continuou
Já que ninguém tinha nada a perder
Só ficou um trovador
P'ra contar o que acabava de ver.



11 de abril de 2014

Do acessório ao essencial


Lado a lado, como na geografia deste distrito, o Pombal Jornal oferece duas notícias curiosas na edição desta semana: a eleição (!) da nova direcção da Associação dos Industriais do Concelho de Pombal, que pelos vistos quer criar uma empresa (...) para apoio à exportação; e a criação de 200 postos de trabalho no vizinho concelho de Ansião, através de uma empresa têxtil que para ali vai transferir a sua sede social, ao mesmo tempo que "salvou do desemprego 112 pessoas".
Toda a gente sabia, ma é sempre bom ouvir do nosso estimado engenheiro Rodrigues Marques  - presidente da AICP nos últimos 15 anos -  que "a sucessão já estava a ser trabalhada há três anos". Ficamos a aguardar então esse ambicioso projecto que é "a criação de uma empresa, da qual a associação será sócia, e que pretende ser um meio para a exportação do produto local". Nós e os industriais deste concelho, que são aos magotes, mas certamente andam muito ocupados.

9 de abril de 2014

Manhosos

Como se diz na “linha editorial” deste blog, “farpearemos os interesses e os poderes instalados, os oportunistas e os manhosos”…
Conheço muitas pessoas generosas à frente de algumas associações. Mas também conheço vários “manhosos” à frente de outras associações. Refiro-me aqueles que apenas estão nas associações para tirarem proveito económico pessoal, justificando-se em resultados obtidos através das receitas públicas devidas por atividades sociais simuladas e mediante dados forjados.
No final, ainda acusam os críticos de inveja e são tolerados pela cobardia dos seus pares ou daqueles a quem comprometeram com um pouco do saque e pela paz podre que a sociedade exige. Foi por condutas “politicamente corretas” dos cidadãos, relativamente ao funcionamento viciado de várias instituições, que se fabricou uma dívida para as próximas gerações pagarem, como aconteceu no caso BPN.
Não podemos aceitar que se diga: “chegou, viu e venceu, quem não tem vergonha todo o mundo é seu”…

Série Outdoors Pombalenses - I


Ponto de vista



Perdoem-me os leitores do Farpas mas eu não pretendo crucificar o atelier de arquitectura COMOCO que desenhou as obras de requalificação do Castelo de Pombal. Apesar de ainda não perceber a necessidade de um edifício com aquela volumetria no interior do castelo, o diálogo entre a modernidade e a tradição parece-me interessante e pode permitir uma nova vida ao nosso principal monumento. A elegante intervenção do atelier de Coimbra contribuir, quanto a mim, para uma leitura renovada do testemunho do castelo com a vantagem de conferir algum valor cultural acrescentado pela contemporaneidade. 

Face a uma proposta arrojada e polémica como esta, esperava do município um programa em coerência para o monumento. Um programa que justificasse o investimento efectuado e dignificasse a opção tomada. Provavelmente é isso que está na cabeça de Diogo Mateus e da sua equipa. Mas, se assim for, alguém me consegue explicar como se justifica um Mercado Medieval para o dia da inauguração?

8 de abril de 2014

Faz & desfaz (II)

Afinal, Diogo Mateus (também) não gosta do urinol. Assumiu-o publicamente e disse que vai exigir a reformulação da “obra”. Mas vai tarde. Ia a tempo se, quando era vice-presidente e candidato assumido, tivesse manifestado atempadamente a sua discordância e evitado a construção do mamarracho. E não era preciso ser muito audaz ou esclarecido. Bastava ler o Farpas ou falar com o povo.
Agora, a correção tem custos: económicos (derreteu-se dinheiro sem qualquer utilidade), políticos (associados ao fazer & desfazer) e outros.

Feito o grande elogio do antecessor é tempo de começar a desfazer a sua obra.
Mas, não havia necessidade!

3 de abril de 2014

Série Azulejos Pombalenses - I


Abriu a caça ao Manuel António e a todos quantos se atreverem a ter cabeça própria e pensamento dentro dela





As imagens que V. disponho à viseira são do Jornal de Leiria de hoje, 3 de Abril de 2014.
Aparentemente, é jornalismo.
Para mim, é sabujice.
Destaque-se a “oportunidade” da matéria noticiosa.
Pense-se se tal “denúncia” não vem mesmo a calhar como retaliação à acção de Manuel António na tragicomédia grotesca da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Pombal.
Desiluda-se todo aquele que alguma vez pensou que isto das caneladas à Narciso tinha acabado.
Em jornalismo a sério, o mensageiro escriba está sempre consciente deste princípio: “A fonte é sempre parte interessada.”
Estas coisas são perigosas. Configuram a ditadura a votos em que já de facto vivemos.
As desinformações ad hominem são uma indecência.
Talvez para azar deles, Manuel António e Guilherme Domingues são dos poucos políticos do PSD com sede em Pombal que me não fazem mudar de passeio quando nos cruzamos na rua.
As imagens falam por si.
Mas por mim, não falam: por mim, falo eu.
E o que digo – é isto: tem juízo, rapazinho, olha que o cancro também mata os beatos.

2 de abril de 2014

O MANEL RODRIGUES MARQUES QUE CHORE MAS É DE RISO e/ou OUTROS DESEJOS CONFESSÁVEIS EM HASTA PÚBLICA QUE NINGUÉM VAI LEILOAR PORQUE ISTO DE POMBAL É TUDO MUITO GIRO, MUITO LINDO E MUITO BONITO MAS DAR A CARA ESTÁ-QU’ETO-Ó-MAU

1. Há quem ande por aí a dizer, e há muitos anos tal diz & repete, que “em Pombal não há oposição que se veja”. Pois digo-vos eu de fonte limpa que isso acabou. Digo-vos eu: em Pombal há não uma mas duas oposições. 2-Oposições-2, sim. E elas têm nome(s), que são os das duas pessoas que dão alma e manifesto às torrenciais correntes oposicionistas respectivas: Paula Sofia e Adelino. Por outras palavras: o Gang da Malha e o Gang do Malho.
Ambas as forças enxameiam quanto é sítio e assunto de interesse público. E ganharam especial força desde que, à imagem copiada do Durão Barroso, o Alvim fugiu para a Capital. O resto é circunstância. Mas aqueles Gangs não o são.
2. Só gente da mais insensível neurocórnea ainda se não apercebeu de que o nosso mais célebre adepto da política-do-alinhamento-com-o-Sistema-dê-o- Sistema-as-barracas-que-der, ou seja, o por todos estimado Manuel Rodrigues Marques, entrou em plena andropausa oratória. Não me refiro àquela chatice da menopausa dos homens. Não. Nada disso. Refiro-me, sim, ao facto de ele já só reagir de duas maneiras ao que aqui no Farpas se farpeia, aventa, publica & comenta. Que duas maneiras? Estas:
a)    Chora.
b)   Fica triste.
Ora, isto do ficar triste e aquilo do chorar são coisas que, sobremaneira num homenzarrão albergariense como ele, me arreliam. Eu não gosto de ver um macho chorar. Em sede (e seio) de fêmea, o pranto é tão natural, que é quase obrigatório. Mas num Homo Albergarianis é o descalabro. Todos queremos mas é que ele, Manuel, se ria rodriguesmente; todos não desejamos mais do que ele, Rodrigues, marquesmente se alegre à vela toda numa ventania de bolin’alegria a mais desfraldada. O nosso Manel não tem de ter aquela sisudez de criança que perdeu a infância no seminário – o nosso Diogo, que percebe de seitas o suficiente para não se meter com súcias, knows damn well what I mean in nomine Dei, que é como quem diz: “Saias na Câmara, antes as de furtivos sacerdotes do que as de haréns michaelianos como a daquela feiosa que até nas revistas cor-de-PS deixou de andar.”
3. No decurso do recente desafio Guiense-Sporting de Pombal, que os Leões do Arunca venceram por claros 0-3, diz-que-diz que certo cidadão da terra do Man’el António, digitando maltosa pombal que estava de traseiro escarrapachado na bancada, escarneceu com um pérfido “Ah, com qu’então vocês andam na bruxa, hein?”. Isto do Farpas é, na verdade mo digo, mo reitero e mo repito, terrível: a gente pensa que é tudo em família, que isto é tudo amena cavaqueira-à-beira-da-lareira como o Zé Cid naquele teledisco a cantar a Cabana – e afinal não é, afinal vai-se-a-ver e há quem leia isto. E aprenda.
4. Também ouvi dizer que aquilo da escadaria de betão no Castelo proveio da anterior Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Pombal. Eu disse da anterior. Porquê? Porque posterior ou é
a)    ficção científica
ou
b)   sinónimo de traseiro almofadado por nalgais bochechas.

5. Termino por hoje o rol de pontos com esta pergunta: vai ou não tornar-se prática corrente a Junta de Freguesia urbana saltar para as cavalitas dos cidadãos com cabeça e iniciativa próprias e autopectorar aqui-del-rei, como foi agora o caso do Xadrez Humano do Jorge Barrento, que os chico’spertos-de-saloia-esperteza logo quiseram fazer seu emaranhando-o com não-sei-quê-dia-dos-centros-históricos-etc.? Daqui os aviso que o xadrez propriamente dito tem cavalos. Dois brancos e dois pretos. Burros, dispensa-os ele bem. Sejam eles de que cor forem, sobretudo daquela cor que eles têm quando fogem mas nunca mais nos desamparam a loja.

1 de abril de 2014

E se o castelo falasse?


Se há coisa de que os pombalenses gostam (na net, pelo menos) é do Castelo. Não há foto ou vídeo que por aí circulem onde se vejam as muralhas que não bata record de partilhas. Foi assim também com esta imagem, na semana passada. Depois de partilhada a foto pelo Município de Pombal através da página no Facebook, foi um fartote. Tudo porque o Hugo Neves, presidente do Grupo Protecção Sicó (o outro GPS) deixou uns comentários à foto que foram eliminados por quem gere a página. Censurados, sim. 
Como esta semana vem cá o Paulo Rangel, é perfeito para retomar o debate em torno da "mordaça", que o alavancou na campanha das europeias, há quatro anos. 

Um doce a quem adivinhar a gravidade dos comentários na página do Município.