31 de dezembro de 2012

Em tempo


Depreendo, portanto, que Narciso Mota e Rodrigues Marques, já que apareceram junto da mais visível demonstração de desagrado com a dita reforma (mal enxertada, diga-se) também cabem nesta descrição. É que se não é isso, parece. Quando o que deveria parecer é que uma reforma (necessária na minha opinião) mas mal construída e justificada, merece ser sempre repudiada.

Sobre a Acta incompleta/editada/seja o que for bem andou a mesa (mal seria) em retirá-la da ordem de trabalhos para posterior votação. O bom senso, que nem sempre impera naquela casa - a lista de exemplos é enorme e tem anos - aqui prevaleceu. Ao menos isso. Mas é cada vez é um menos mais pequeno.

Aproveito para desejar que 2013 seja um ano melhor para todos do que aquilo que se espera. Sem milagres e com muito realismo. Mas com esperança, que é aquilo que muitos, de várias cores, se entretiveram a  tentar matar.

30 de dezembro de 2012

Narciso comunista?


Já sabíamos que Narciso Mota defendia a despesa e o endividamento públicos para fazer funcionar a economia. Já sabíamos que defendia e praticava a oferta de emprego no estado e a atribuição de subsídios e apoios públicos a associações e a empresas. Ao findar o ano de 2012, aquando da manifestação contra a agregação de freguesias, ficámos a saber ainda que Narciso Mota era um feroz opositor ao Governo do PSD e um revolucionário, que organizava manifestações conjuntamente com a esquerda radical, para onde até mobilizava os seus vereadores, e que se manifestava ao som do hino do PCP “avante camaradas” e do hino da “internacional socialista”.
Ora vejam lá as voltas que a vida dá…

29 de dezembro de 2012

E agora... para algo completamente...novo?

A notícia do Jornal de Leiria desta semana vem lembrar-nos que a costela de Entroncamento que domina Pombal está ao mais alto nível.
Sendo assim, o reeleito presidente da Associação Distrital de Atletismo de Leiria (ADAL), o veterano dirigente Aníbal Carvalho, vai tomar posse do cargo habitual pelas 20 horas de hoje, sábado, numa cerimónia agendada para Pombal. Agora pasme-se no local da "cerimónia": o refeitório municipal. Certamente não haveria outro espaço disponível para o evento, a avaliar pela intensa actividade lúdica e cultural da cena pombalense. Ou então a comitiva vai fazer uma corridinha primeiro, ali ao lado, na pista, e entre dois pingos de suor e umas larachas aproveita para dar posse aos novos  corpos gerentes daquela prestigiada instituição.
Mal por mal...antes Pombal, não é assim?


27 de dezembro de 2012

Mais um prego...

Ele há actas da Assembleia Municipal que demoram a aparecer para se colocarem apartes, e agora há uma acta da última Assembleia Municipal para aprovação amanhã, dia 28, que está editada/depurada/censurada/extirpada (deixo à vossa consideração sobre qual a melhor qualificação a aplicar ao caso) de intervenções, para, aparentemente se conseguir justificar uma determinada posição sobre a agregação de freguesias. Não é uma questão de forma ou de conteúdo, embora puxe mais para este lado. É sobretudo de responsabilidade, para ficar por aqui. De quem gere um órgão, de quem é membro e que com isto compactua. E mais um triste espectáculo que, numa altura de diabolização da política, era perfeitamente dispensável. Depois indignem-se com as perguntas que se fazem sobre a necessidade deste e daquele órgão. Com exemplos destes, esperam mesmo que os cidadãos se revejam em quem os representa?

21 de dezembro de 2012

Subsídios (XIV)


Em OUT/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a ADILPOM, com dois subsídios:

- Um para as despesas com o Centro de Negócios, no montante de 44.218 €;

- Outro para despesas com diversas atividades, no montante de 25.050 €.

A ADILPOM revela um enorme dinamismo na recolha de subsídios. Se revelasse o mesmo dinamismo no cumprimento da sua, suposta, missão; Pombal seria um oásis económico.

Subsídios (XIII)


Em OUT/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Centro Social de Paroquial da Ilha, na realização de arranjos exteriores ao Lar, com um subsídio de 50.836 €.

Muito bem!

18 de dezembro de 2012

Isto aos bocadinhos vai lá

Nos concelhos à volta, quando não há verba para contratar iluminações de Natal (sempre gostava de ver essa poupança traduzida nalguma coisa de verdadeiramente útil...), as Câmaras lançam desafios à comunidade para que a criatividade passe pelas ruas. Mas para que isso aconteça é preciso que o executivo não saiba tudo, não possa tudo, e tenha algum interesse em alegrar a vista e a alma da terra. Ou então, nos casos em que os comerciantes ainda mandam alguma coisa, eles próprios se organizam entre si para trazer algum brilho às cidades já tão ensombradas por estes dias.
Acontece que nem tudo é normal em Pombal ocidental, nem oriental. E por isso, num ano em que é preciso poupar para obras grandiosas como o estádio das Meirinhas (já adjudicado, a propósito...) e para os subsídios (ahhhh, os subsídios!) quase não sobrava um tostão para pendurar uma gambiarra numa árvore. Ou então...isto faz parte de um jogo natalício para aguçar a felicidade das crianças, em que cada dia se vai acendendo uma luzinha: primeiro foi o edifício da Câmara, depois a Pérgola, agora uma palmeira onde chovem pontos de luz. Moral da história: nem toda a Luz desaparece para sempre ;)

16 de dezembro de 2012

PDM de Pombal


Num Jornal de Leiria li, na 1ª página, o anúncio de uma notícia da página 12, onde dizia: “Pombal, proposta de pdm regulariza tudo o que está ilegal”.
O título da 12ª página dizia: proposta votada por unanimidade na câmara, novo pdm de Pombal legaliza tudo.
Analisando depois o texto da notícia da página 12, verificámos que o conteúdo foi retirado de uma entrevista de Adelino Mendes, líder do PS de Pombal.
A 1ª impressão foi a de que afinal o crime compensa, de que a lei não é para cumprir e que quem cumpriu a lei é “anjinho”. Depois lembrei-me da cultura este país, melhor das obras feitas por ordem verbal dos edis, com o “faça”, faça”, e da necessidade de “apagarem” as suas irresponsabilidades.
Finalmente, interroguei-me sobre as razões de Adelino Mendes fazer de porta-voz do executivo camarário do PSD. Depois lembrei-me de que ele, o presidente da Câmara e alguns vereadores do PSD estiveram na organização e na participação da recente manifestação contra o governo PSD. Lembrei-me também do emprego de Adelino Mendes na “Ambipombal, empresa que, no seu início, teve a Câmara Municipal como um dos seus principais clientes”, questão que já aqui abordámos anteriormente…
Que mais pensar sobre promiscuidade ou credibilidade?!

15 de dezembro de 2012

Subsídios (XI)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Orfeão de Leiria, na realização do Festival de Musica de Leiria, com um subsídio de 1.500 €.
Muito bem!

14 de dezembro de 2012

Subsídios (X)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a Sociedade Filarmónica Louriçalence,  na realização do encontro de bandas do concelho, com um subsídio de 3.500 €.
Muito bem!

Subsídios (IX)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento 674 Pombal na participação do seu contingente no XXII ACANAC com um subsídio de 1.000 €.
Muito bem!


Subsídios (VIII)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Centro Social Recreativo e Cultural de Barbas Novas, na realização de obras na cozinha, com um subsídio de 2.000 €.
Muito bem!

Subsídios (VII)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a Associação Recreativa e Cultural de Pousadas Vedras, na realização de obras no seu edifício sede, com um subsídio de 3.000 €.
Passo por ali todas as semanas e constato o enorme potencial recreativo e cultural daquele lugar.
Muito bem!

Memória selectiva

Rui Benzinho (Santos), filho varão de Guilherme Santos, publicou ontem através do Facebook um texto curioso:

UM TEMPO


Faz hoje, para os menos atentos, 30 anos que o Partido Socialista conquistou democraticamente a Câmara Municipal de Pombal. Tinha á cabeça um líder…Guilherme Santos.

Permitam-me que diga, afiado o tempo e peneiradas as expectativ

as, que tinha um projecto que marcaria o concelho e a região. Não era um sacerdócio nem uma carreira, hoje prática corrente entre políticos. Era política pura e dura com missão, sem profissão no horizonte, antes a proposta de novos rumos políticos traçados com uma ambição desmedida e uma seriedade sem limites.

Uma manhã, uma curva, uma perda. Perdeu muito a família, perdeu também, permitam-me, o concelho de Pombal e a região.

Depois a história política do concelho foi sendo escrita, a avaliar por cada um, mas nunca conseguindo apagar uma memória e um projecto que continua válido. Branquear passado é difícil, quando os traços propostos continuam indeléveis em muitos homens e mulheres Pombalenses que ainda se revêm nas propostas apresentadas em 1982.

O Partido Social Democrata de Pombal terá sempre esta dificuldade para gerir, esperemos novos contributos que sublimem o passado exposto.

O Partido Socialista de Pombal, ao não evidenciar publicamente, mais uma vez, essa vitória de há 30 anos, projectando futuro, teve um lapso, que apenas entendo como uma falta que não é mais do que empurrar com a barriga para a frente, omitindo um passado que lhe é caro.

Nem todos têm a capacidade de “construir o presente com raízes no passado e olhos no futuro.” Infelizmente…

O texto do actual responsável máximo da Rádio Cardal é uma farpa assinalável, cravada à direita e à esquerda. Homenagem à parte (Guilherme Santos foi um homem muito à frente do seu tempo, que partiu tragicamente a meio do caminho, e disso ninguém tem dúvidas), vale a pena saudar o regresso à intervenção pública, num mês que lhe é caro: foi em Dezembro (mas de 1993) que, ainda muito jovem, ajudou entusiasticamente o PSD a recuperar a Câmara de Pombal. 

13 de dezembro de 2012

Subsídios (VI)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a Associação Cultural e Recreativa da Guístola, nas despesas com a construção do seu edifício sede, com um subsídio de 25.000 €.
Passo por ali todas as semanas e constato o enorme potencial cultural daquele lugar.
Muito bem!

Subsídios (V)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Clube Cicloturismo de Pombal, nas despesas do passeio “14 horas a Pedalar”, com um subsídio de 1500 €.
Muito bem!

PS: agora, compreendo melhor porque é que os pedaladores pedalam tão eufóricos!

Subsídios (IV)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a Cercipom, nas despesas com lembranças para os conferencistas e outros convidados do encontro de literatura infanto-juvenil, com um subsídio de 450 €.
Muito bem!

Subsídios (III)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Centro Social Paroquial da Ilha, nas despesas das férias da “Ilha do Sol 2012”, com um subsídio de 2.500 €.
Muito bem!



Subsídios (II)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar o Centro Social de Almagreira, na realização de arranjos exteriores ao centro, com um subsídio de 50.000 €.
Muito bem!


Subsídios (I)


Em AGO/12, a CMP deliberou, por unanimidade, apoiar a Associação Recreativa e Cultural de Pousadas Vedras, com o fornecimento de materiais, no montante de 1224 €, destinados à construção de um palco para as atividades culturais.
Faz muito bem. Passo por ali todas as semanas e constato o enorme potencial cultural daquele lugar. Já agora: porque é que não apoiam mais o vizinho lugar das Ereiras a concluir o seu salão de festas?

12 de dezembro de 2012

12-12-12

O projecto “One day on eart” convida-nos a filmar parte do nosso dia de hoje e submeter o vídeo para produção de um filme que dê uma perspectiva do que pode ser um dia no nosso planeta. Vamos pôr Pombal no Mundo?

11 de dezembro de 2012

Síntese do debate

Na sexta-feira passada o Hotel Cardal acolheu, simpaticamente, mais um debate da série "Um café e uma farpa". Para a sua gerência, as primeiras palavras de agradecimento.

A nossa proposta consistiu em colocar à discussão do tema “Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na?”. Com o desaparecimento de “O Correio de Pombal”, essa discussão tornou-se pertinente pois, pela primeira vez em 100 anos, Pombal deixou de contar com um jornal de âmbito concelhio.  

As intervenções iniciais (de 5 minutos) ficaram a cargo de Alfredo Faustino, a quem coube defender a tese do “morreu”, e de Paula Sofia Luz,  que assumiu a defesa do “mataram-na”. Percebeu-se imediatamente que o tema proposto, mais do que potenciar conflitos, foi gerador de consensos.  Tanto os defensores da “morte matada” como os da “morte falecida”, para citar o Daniel Abrunheiro, concordaram no essencial. A prova disso foi que, já o debate ia longo, a Sofia – uma jovem aluna de Comunicação Social – iniciou a sua intervenção com “concordo com tudo o que foi dito até agora”. Mas tal não significa que a discussão tivesse sido morna ou desinteressante. Antes pelo contrário. Puseram-se os “nomes aos bois” e debateu-se com profundidade.

Durante  hora e meia de discussão, foi caracterizado o cenário e identificados os protagonistas do enredo. E foram várias as causas apontadas para o infeliz desenlace. Destaco as que me pareceram mais consensuais: a falta de profissionalismo na imprensa local; a pouca disponibilidade das empresas para apoiar financeiramente um projecto jornalístico; uma classe política com sérios problemas em lidar com a crítica; um crescente desinteresse dos cidadãos, especialmente dos mais novos, pelos jornais locais, privilegiando novas formas de acesso à informação. Tudo isto num cenário de um país em forte crise económica e num concelho com pouca massa crítica.

Mas a riqueza do debate não esteve na constatação da tragédia mas sim nos tópicos que convocaram a reflexão. Este período de nojo em que vivemos, para usar as palavras de Carlos Camponez, deve fazer-nos pensar na grande importância que pode ter a imprensa local. O nosso sentimento de pertença à comunidade necessita de um espaço que dê eco às pequenas notícias, às festas populares, aos resultados desportivos, para já não falar nas secções de necrologia, dos aniversários, do cartaz do cinema e das farmácias de serviço.

Precisamos de uma imprensa regional de qualidade, comprometida com as causas sociais da comunidade em que vive e que saiba recuperar as redes locais de identidade. Uma imprensa regional gerida com rigor, que aprenda com a experiência e erros do passado e não se deixe deslumbrar com cintilantes modelos de gestão, muitas vezes desadequados. E, já agora, com jornalistas na redacção.

9 de dezembro de 2012

Imprensa de Pombal: a morte assistida

O segundo debate do ciclo "Um café e uma Farpa", que decorreu na sexta à noite, no Hotel Cardal, chamou à discussão uma plateia bem diferente daquela que tinha estado presente no primeiro encontro, em Setembro, sobre a Reforma administrativa. Voltou a confirmar-se a ideia de como renasce em Pombal a necessidade de debater ideias e coisas, e foi interessante contar com os contributos de jornalistas que há muito se afastaram do palco mediático. (As fotos estão na nossa página do Facebook).
"Imprensa de Pombal: morreu ou mataram-na" foi o mote para quase duas horas de discussão, na sequência das intervenções dos jornalistas Paula Sofia Luz e Alfredo A. Faustino, que aqui transcrevemos. Um agradecimento especial para o Carlos Camponez, professor de jornalismo na Universidade de Coimbra, que tem dedicado grande atenção às questões da imprensa regional, onde trabalhou, e cujas ideias partilhou no debate promovido por este blogue.
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Obviamente, mataram-na
Paula Sofia Luz


Pombal é tão peculiar que para contar esta história é melhor começarmos pelo fim:
O fim aconteceu oficialmente em Outubro deste ano, quando o último jornal em papel que restava, O Correio de Pombal, saiu pela última vez.
É discutível (em minha opinião) se ainda estava vivo. Faltavam-lhe há muito traços de jornal local, não raras vezes o que a edição continha em matéria noticiosa estava longe de corresponder ao que era a realidade da terra, o quotidiano do concelho. Faltavam-lhe entrevistas, reportagens, notícias de uma maneira geral. 
Em compensação sobravam-lhe anúncios cujo princípio de publicação contraria, em tudo, o que deve ser a linha editorial de um jornal local, aquele que chega às escolas, que devia incutir nos mais novos a ideia generalizada de informar, mas também de formar, pois é essa a dupla  missão da imprensa.
Mas a morte do Correio de Pombal  - e do  Eco (que dirigi durante quase nove anos) e do próprio Voz do Arunca não resulta apenas dos erros de gestão nem da sucessiva desprofissionalização do corpo redactorial, comercial e administrativo. Resulta também de um ADN próprio de Pombal, em que o poder político lida mal, muito mal, com a crítica, o tecido económico desvaloriza a importância dos media, os serviços raramente pagam assinaturas e os leitores, numa larga escala, optam por ler o jornal à mesa do café, sem o comprarem. 
E enquanto assim for, dificilmente algum projecto poderá sobreviver sem ceder a pressões (sejam elas políticas ou económicas), sucumbindo aos cortes da publicidade,  que é a principal fonte de receita  em qualquer jornal.
A este cocktail explosivo junta-se o factor proximidade, valor maior da imprensa regional, mas que é quase sempre um presente envenenado para quem ganha o pão através dos jornais ou das rádios locais.
E aí é o jornalista que faz de equilibrista na corda: se não és por mim, és contra mim. Então a forma mais fácil de acabar com a mensagem é matar o mensageiro. Pombal tem diversas histórias dessas para contar e algumas ainda por contar.
 Tem registo de humilhações públicas, para não falar dos processos em tribunal, que estavam na moda entre 2001 e 2005, sobretudo. E reconheço que talvez seja mais fácil viver de pancadinhas nas costas do que de olhares severos ou climas adversos.
Mas sendo Pombal apenas uma árvore da floresta, é preciso olharmos para o todo nacional: num país em que para abrir uma farmácia o responsável tem de ser farmacêutico, para abrir um infantário tem de ser educador de infância, mas para abrir um jornal qualquer um pode fazê-lo, não seria de esperar que o resultado fosse outro. 
Por tudo isto, quando me perguntam o que aconteceu afinal à imprensa de Pombal, só me ocorre dizer que obviamente, mataram-na.


*Foi jornalista na Rádio Clube de Pombal e n'O Correio de Pombal e dirigiu o jornal O Eco, em Pombal; foi jornalista e editora no jornal Região de Leiria; colaborou com os jornais "i" e Diário de Notícias. É actualmente jornalista freelancer.

A imprensa morreu
Alfredo A. Faustino



Pombal não passa de uma aldeia com pretensões a grande cidade. Com o desenvolvimento verificado nas décadas de 60, 70 e 80, passando de vila a cidade, perdeu as qualidades dos pequenos povoados e não conquistou as dos grandes centros; em contrapartida, não perdeu os vícios das aldeias e acrescentou-lhes os das cidades.
Pombal tem revelado não possuir massa crítica capaz de gerar a mudança, de sustentar projectos ambiciosos, sejam eles culturais, sociais ou empresariais. As associações nascem fruto de meia dúzia de vontades, normalmente com boas ideias; conseguem mesmo fazer “umas coisas”, mas, com o decorrer do tempo, acabam por estiolar, morrer, ou arrastarem-se com alguma, pouca, actividade, mercê de uns quantos carolas.
A imprensa local é também um pouco resultado dessas circunstâncias.
Pode surgir alguém que mostre interesse no lançamento de um jornal. Por norma, alguém com parcos conhecimentos do sector, julgando que lançar e fazer um jornal é o mesmo que comercializar um qualquer outro produto. Com os resultados que temos assistido…
Qualquer um, desde que disponha de dinheiro, pode ser proprietário de uma farmácia. Só que, para que este funcione, necessita de um licenciado em Farmácia. Com a imprensa, infelizmente, tal não tem sucedido. Um fulano regista uma “empresa na hora”, regista um título, contacta uma gráfica e põe um jornal na rua. As notícias vai busca-las à net, aos comunicados das empresas, das câmaras municipais ou dos partidos; pede a um ou outro amigo que lhe escreva uns textos a que chama pomposamente de crónicas (às vezes  num português sofrível), junta uma fotos e os primeiros números estão garantidos.
É este ainda o retrato de alguma imprensa no nosso país.
Faltam projectos com um mínimo de rigor e profissionalismo, feitos por quem perceba da poda, com garantia de um mínimo de independência.
E é aqui que chegamos, quando nos questionamos se a imprensa em Pombal – já que é aqui que vivemos e era aqui que gostaríamos de ter uma imprensa capaz! – “morreu” ou a “mataram”.
Estou dividido quanto a apontar uma causa concreta. Na minha opinião, os jornais de Pombal acabaram pelas duas razões, embora seja forçado a admitir que o último título “morreu por si”, por culpas próprias.
O jornalismo de causas pode prosperar durante um determinado período de tempo; depois, acaba por se desacreditar. Indo a um caso concreto: O Correio de Pombal nasceu do idealismo de alguém do sector, que pretendeu fazer um jornal a sério, empenhado, com uma informação de algum modo independente. Faltou-lhe, à época, o necessário suporte financeiro. Pombal e o seu meio empresarial não o acarinharam na altura devida e o jornal acabou por soçobrar, levando a insolvência ao seu proprietário. Passou por uma nova gerência (deslocalizada em relação a Pombal), manteve-se com altos e baixos perante algum desinteresse do empresariado local. Como do ponto de vista empresarial (o seu proprietário era, de facto, um gestor de empresas!), se tratava de um projecto pouco interessante, acabou por ser vendido a uma que, “da poda”, pouco entendia e que acabou por utilizar o jornal como um projecto pessoal, para conquista do “poder”, empenhando-se fortemente com uma candidatura autárquica. O Correio de Pombal deixava de ser um jornal independente, de informação local/regional, passou a ser “jornal de causas”, mas de “causas políticas”. Estava traçado o destino: a causa por que se batia o jornal, num ambiente político adverso, não augurava nada de bom.
Com o decorrer do tempo, encetou caminhos diversos, com avanços e recuos. Deixou de ser o jornal “do contra”, passou a fazer o jogo dos interesses instalados. A pouco e pouco, deixou mesmo de ser feito por jornalistas. No último ano da sua publicação, só com muito boa vontade se poderá considerar O Correio de Pombal como jornal.
No caso de O Correio de Pombal, não tenho grandes dúvidas, foi o jornal que morreu. Não o mataram, no sentido a que normalmente nós, jornalistas, damos ao verbo (mataram). Isto é: morreu por causas próprias e não por razões terceiras, normalmente tidas como pressões, sejam do poder político ou económico.
Aos possíveis interessados em ressuscitar um jornal em Pombal, permitam-me que lhes deixe um conselho: juntem um grupo de pessoas disposto a perder dinheiro, arranjem pelo menos alguém ligado aos jornais mas com algum traquejo, um ou outro jovem que queira “aprender” a ser jornalista e, pesados todos os contras (que são muitos) avancem com um projecto devidamente estruturado, com os pés assentes no chão. Deixem os idealismos de parte.
Para que não fiquem dúvidas, faço já o meu acto de contrição: não contem comigo, estou a ficar velho e descrente. O tempo dos sonhos foi sendo perdido com o decorrer do tempo. E os tempos que vivemos acabaram com a última réstia de fé que existia em mim! 


7 de dezembro de 2012

Hoje à noite

Pouco importa se os rumores de renascimento são verdadeiros ou falsos. Oxalá sejam verdadeiros, a coberto de boas intenções. Para já, importa discutir isto:


Autárquicas - candidatos


Nas próximas eleições, os eleitores irão desconfiar da grandeza e da facilidade das promessas e das soluções que forem anunciadas pelos candidatos autárquicos. Irão exigir explicações sobre a utilidade das obras e serviços, sobre a possibilidade da sua realização, sobre a garantia da existência de receitas e, sobretudo, sobre os encargos para os contribuintes e consequências sociais, nomeadamente a nível de pagamento de impostos ou do endividamento.
Os candidatos do PSD terão de ser claros e de saber apresentar e explicar projetos austeros e a necessidade de medidas impopulares impostas pela crise económica e social. Em contrapartida, os candidatos da oposição, nomeadamente do PS, não poderão fazer demagogia e aproveitarem-se dos efeitos da crise, que eles próprios criaram e para a qual recusam solução. 
Os eleitores, cada vez mais instruídos, sobretudo os mais jovens, irão exigir que os políticos falem verdade e que as suas condutas preencham níveis éticos elevados. Neste tempo de crise e de dificuldades para o futuro, os candidatos terão de ser transparentes e não poderão esconder-se por detrás do elogio, do pedantismo e da retórica, usando discursos “bonitos e redondos”, para gabarem atos e qualidades próprias ou do eleitorado e para evitarem tomar posição sobre os assuntos polémicos. A charlatanice e ou a cobardia não serão toleradas…

6 de dezembro de 2012

Pobre concelho


Muita gente acha que foram construídas demasiadas estradas. Talvez (tenho dúvidas que o dinheiro que se meteu nas estradas fosse melhor gasto noutro sítio). Mas pior do que construir estradas desnecessárias, é fazê-lo, e, de seguida, rasgá-las para enterrar o saneamento.
É o que se vê, por estes dias, por todo este concelho. Pobre concelho, não sai disto!

4 de dezembro de 2012

GPS na TVi

A brilhante reportagem da TVI (link abaixo) não mostra nada de novo aos mais atentos e interessados pela coisa pública, mas talvez desperte os mais distraídos e faça meditar os mais comprometidos ideologicamente com os méritos da gestão privada de serviços públicos. E tem o mérito de evidenciar claramente uma das formas de roubalheira organizada ao Estado (a nós), a fraude em que se tornou o ensino privado e os métodos modernos de exploração forçada.  

Pobre povo, que tem que carregar e sustentar tanto canalha, acorda! Eles não estão saciados. E agora, que o Estado está nas “lonas” querem que sejas tu a pagar-lhes diretamente. Acorda, por favor!

3 de dezembro de 2012

Manif em Pombal


A cidade de Pombal assistiu, na tarde de domingo, a uma manifestação contra o projeto de agregação de freguesias promovida por interesses e motivações espúrias.
É certo e sabido que os portugueses querem reformas apenas quando tragam sacrifícios para os outros. Quando as reformas afetam os nossos interesses e hábitos, somos contra. Contra é a posição mais fácil e a mais comum de quem não sabe nem deixa governar-se. Aliás, sabendo que o celeiro da quinta está vazio e que os campos não são cuidados e não produzem, exigem mesmo assim que o quinteiro lhes dê cereais e não aceitam fazer poupanças nem abandonar os seus hábitos de luxo ou de esbanjamento acima dos recursos disponíveis…
Adelino Mendes, vereador eleito pelo PS e dirigente local do PS, não tendo credibilidade e aceitação entre os militantes do PS e entre as populações, viu a oportunidade de mostrar que estava ativo. Carlos Lopes, outro vereador eleito pelo PS e membro da equipa de Adelino Mendes, auxiliou na atuação. Adelino passa a ir às freguesias falar com os Pesidentes de Junta sobre os protestos.
Quinta-feira, uma presidente de junta fala com o vice-presidente da Câmara a pedir a poio. Sexta-feira, Carlos Lopes reúne com Narciso Mota para recolher apoio. Adelino Mendes, Carlos Lopes e uma presidente de junta vão incentivar e persuadir um presidente de junta da zona oeste a participar e a mobilizar as populações locais para a manifestação. Rodrigues Marques expõe ideias confusas e usa linguagem extremista, como lhe é habitual e regressando ao seu passado de esquerda.
Narciso Mota promete empenhamento e apoio jurídico nas manifestações e nas hipotéticas providências cautelares. O homem que tanto fala de disciplina, de coerência, de lealdade e de integridade para exigir apoio aos seus dislates e desmandos, nunca mostra tais qualidades em relação ao seu partido e aos respetivos dirigentes. Parece que tem medo de que o responsabilizem pela solução deste projeto de agregação, face à possível defesa da existência de alguma freguesia, e preferiu ir a reboque de Adelino Mendes e do PS. Aliás, há poucos dias afirmava a um jornal de Leiria que as soluções do projeto eram aceitáveis. Agora toma posição ostensivamente contrária, como a que vimos na televisão. Na hora da despedida, parece querer deixar um PSD fraco…
Diogo Mateus, que dizia estar a fazer um estudo exaustivo sobre as vantagens da agregação de freguesias no concelho de Pombal e se exibia como o grande estratega de tal agregação, de repetente, rasgou os “papéis” que escreveu e passou a defender o contrário daquilo em que dizia acreditar. Andou pelas freguesias a apoiar a contestação. Aliás, parece ter-se submetido às posições de Narciso Mota, pois adota posições diferentes sobre os vários assuntos em debate, conforme se encontra ou não perante o seu presidente. O objetivo candidatura à presidência da Câmara Municipal exige muito contorcionismo… Que coragem, coerência e credibilidade terá como candidato e como presidente?
Micael António, vereador sem credibilidade social e política, teve a oportunidade de se colar a esta onda de populismo e de irresponsabilidade e de mostrar que era útil: passou a ir às assembleias de freguesia apoiar a contestação.
Grande parte dos presidentes de junta de freguesia nada sabem sobre a génese e a história religiosa das freguesias. Nada sabem sobre as causas da existência anómala de dois “níveis” poder autárquico, freguesias e municípios, em confronto com os outros países europeus, onde apenas existem municípios. Nada sabem e também não se informam para poderem informar os seus fregueses…
Assim estão os políticos locais do PSD e do PS. Mais me preocupam e desiludem os do PSD…
Da minha parte, defendo a agregação de muitas mais freguesias. Depois, a eliminação de todas as freguesia e a transformação em municípios mais pequenos ou maiores, conforme as necessidades, tal como funcionam noutros países…

28 de novembro de 2012

Sem atas


Deixámos, novamente, de ter direito às atas. Há quatro meses que não são emitidas. Porque será? Não é, com certeza, por falta de vereadores, dirigentes ou funcionários. Só pode ser por falta de respeito pela lei e pelos cidadãos eleitores.

23 de novembro de 2012

Histórias de alterne

O PS já pode importar candidato, se for esse o seu desejo. A CNE deliberou sobre a questão da limitação de mandatos. Contrariamente à lógica da própria lei. E a lembrar o "direito circular" em que interpretações do fisco se sobrepõem à Lei (mas essa também nunca é clara). De relembrar que já tínhamos assistido ao triste espectáculo do CDS votar contra uma proposta do BE para reduzir em 50% a subvenção das campanhas para depois propor esse corte ao PSD que, logicamente (mas alguma vez podemos prescindir do porco no espeto e a animação musical), não o aceitou.

Em Portugal legislamos mal e porcamente. Fosse a Assembleia da República uma empresa com avaliação de desempenho implementado e cheira-me que não havia semana sem despedimentos com justa causa. Mas esperem, há uma espécie de avaliação de desempenho. Periódica, até. Chamada eleições legislativas. Não consta que funcione de forma eficaz no que toca a eleger os melhores.

Eis a política local no seu melhor


A RATA terá pelo menos o mérito de revelar, com maior nitidez, as criaturas que gravitam na política local (e também nacional), constituída por demagogos, populistas, troca-tintas, vácuos, etc.
Eis mais um episódio que o confirma.

20 de novembro de 2012

Pombalenses excelentíssimos (e sem medalhas) I

O David Mendes é um rapaz de Vermoil que passa discreto em qualquer lugar. Foi assim quando colocou de pé o Museu João de Barros (então ao serviço da junta de freguesia local) e é assim agora, quando pairam sobre ele as luzes da ribalta. O David acaba de lançar um jogo didático (para miúdos e graúdos) sobre a História de Portugal. Chama-se Quinto Império e pode ser apreciado este fim-de-semana no Mercado de Santana, em Leiria. (http://www.facebook.com/events/295890283854348/?fref=ts)
Não consta que tenho recebido qualquer medalha.


19 de novembro de 2012

Dúvidas II

Sobre a falta de solução do PS local, continuando este ainda e sempre à espera do seu D. Sebastião, não tenho dúvidas como as que mencionei noutro post. Mas 20 anos de poder necessitariam de ter uma alternativa. Melhor do que uma alternância, uma alternativa. Mas os anos passam e a regeneração do partido, que apenas se vê nos actos eleitorais internos, continua adiada. Não me atrevo a achar que 2013 sejam favas contadas. mas parecem. A menos de um ano de distância, com o PSD a, mais uma vez, unir-se no cenário mais improvável (mesmo que tal como o Adelino Malho, tenha algumas dúvidas sobre a solidez dessa união), a solução, para o PS, não passa apenas por um candidato. Disso tenho a certeza.

17 de novembro de 2012

Mais um final infeliz


Encerra hoje, sábado, a Livraria K de Livro. Mais uma vítima da crise, apesar das várias tentativas para a fintar. Quando, há quase 10 anos, abriu este espaço (onde hoje encerra), surgiu também um espaço que só comercializava livros. Durante esses 10 anos, criaram-se hábitos, clientes e a casa tornou-se uma referência na irregular vida cultural da cidade. 

Agora, num cenário que se vai repetindo pelo país fora, os pequenos negócios sofrem com a crise e o que durante pouco tempo deixou de ser um luxo, o comprar um livro, apesar da ganância galopante das editoras que tanto valorizam capas, vendendo um produto a preços elevados (porque razão nunca o livro de bolso ou de capa mole e sem capas bonitas pegou em Portugal?), voltou a ser um luxo. E isso lamentavelmente, porque a cultura nunca o deveria ser. E Pombal também fica mais pobre. Dir-me-ão que isto, para além de todo o resto, resultado do mercado (e do oligopólio das editoras) e da opção dos próprios pombalenses em comprar noutras superfícies. Talvez. Eu que deixei praticamente de comprar livros que não fossem profissionais, sei bem que são as opções e escolhas económicas dos indivíduos que, as mais das vezes, vão contra o que idealizamos neste campo: livrarias pequenas e bem servidas, onde o serviço personalizado suplanta qualquer outro benefício (mesmo o de fazer todas as compras no mesmo sítio).

Por isso, desculpar-me-ão a nota pessoal, mas ao Gil e à Natalie fica, enquanto cidadão, o meu obrigado por terem ajudado a que a paisagem cultural de Pombal fosse menos árida durante quase uma década. Sobram naturalmente outras coisas, e boas, mas uma livraria faz falta, porque deverá ser tudo menos um lugar de luxo. 

E numa altura em que quem pensa volta a ver-se rotulado, pejorativamente, de "intelectual", uma livraria nunca devia ser um luxo a manter a todo o custo, mas algo de natural no funcionamento e tecido de uma cidade. Espero também que um dia se perceba que as regenerações são mais do que mudar fachadas e ruas, mas essencialmente garantir condições para um conteúdo que atraia. Fecha-se um ciclo. Espero que não para sempre. 

16 de novembro de 2012

Dúvidas I

A notícia é do Região de Leiria da semana passada e já aqui foi abordado, na sua maioria, o conteúdo da mesma. Mas continuo com dúvidas: 

- o que terá sido garantido a Narciso Mota para recuar (relembremo-nos que em relação aos mandatos, era por esta altura que recuava sempre no "nem mais um") e para apoiar a solução Diogo Mateus? Tendo eu a dúvida que seja uma questão de lucidez política, até porque quem vive com o coração ao pé da boca normalmente não oferece garantias disso (e o próprio Diogo que o diga), será a constatação de que valendo a lógica do "rei morto, rei posto", mais vale ir garantindo créditos para utilização futura? 

- Pedro Pimpão não passou de lebre, como alguém aqui escreveu em tempos ou o facto de, enquanto Deputado, defender, apesar de não a verbalizar, a posição do seu partido no que toca à RATA contra a vontade manifestada na Assembleia Municipal, imolou qualquer hipótese junto de quem arregimenta os votos localmente?

- A hipótese João Gouveia viola ou não viola a lei? Também aqui já foi discutido, mas esta transferência de candidatos, numa aparente violação do espírito da lei (já que nem os responsáveis se lembram do que queriam com a mesma), mais uma vez ajuda ao acto de pregar os pregos no caixão da credibilidade do sistema?

15 de novembro de 2012

Ainda o descrédito das medalhas


Já muito aqui se escreveu sobre o descrédito das medalhas, nomeadamente como o cidadão comum vê a atribuição desregrada de medalhas pelo município. Mas, nos últimos dias, ficamos a saber muito sobre como é que os medalhados (reais e potenciais) olham para as medalhas. Há de tudo um pouco: os que anseiam desesperadamente por uma (passaram por aqui alguns), os/as que as recusaram, os que as recusaram para depois as receberem e se gabarem disso publicamente.

Cada vez mais me convenço que o grande injustiçado na atribuição das medalhas foi o cão do JGF.

PS: os agraciados pelo município, tal como os agraciadores, nem se dignaram assistir ao espectáculo comemorativo do dia do município. Pobre gente: que faz pobre, pobre terra.

E o povo, pá?

Há qualquer coisa de onírico nas notícias que nos chegam das freguesias atingidas pela RATA. De repente, nascem grupos no Facebook de cidadãos de Albergaria preocupados com a supremacia latente de Santiago de Litém, como se lhes roubassem a própria independência. Ao mesmo tempo, a presidente de Junta de São Simão toma a iniciativa de avançar para o luto e para a luta, colocando a bandeira da freguesia a meia-haste. Na Ilha, já se fez sentir o desagrado do povo, em reunião própria, pois que está bem de ver no que vai dar uma agregação - em que a Unidade Técnica aponta para a junção daquela com as vizinhas da Guia e Mata Mourisca. Ora acontece que é precisamente ali, naquela pacata freguesia, que amanhã se realiza uma sessão extraordinária da Assembleia para debater o assunto. E isso trouxe-me à memória um dos episódios mais caricatos da minha infância: a localidade onde agora não se passa nada, já foi palco de manifestações populares tremendas, como aquela em que o povo saiu à rua armado de forquilhas e enxadas, nos idos de 70, em revolta contra um padre. Com aquele povo não se brinca. Nem com esse, nem com outro. E era isso que os mais altos responsáveis autárquicos de Pombal deveriam ter tido em conta, quando não perceberam o que estava em causa: esta gente do Governo não quer saber se há afinidades ou deixa de haver. E pouco lhes importa se a vontade do povo é ficar ou partir.
Tal como poucos vaticinaram quando o concelho se pronunciou sobre a Reforma, em Lisboa basta-lhes uma régua e um esquadro para dividir o mapa. Dividir para reinar, portanto.
Entretanto, pára tudo, que vem aí o PS marcar a agenda e clamar  uma reunião para discutir o assunto, o que quer dizer que são exageradas as notícias sobre a sua morte. Ou não.

Se o meu Castelo falasse

... Em Pombal a caminheira encontrou portões cerrados: "Tem uma placa à porta a dizer que está fechado e vi gruas lá dentro", sinal de obras em curso que, por sinal, já deviam ter terminado há bastante tempo.... (obrigado, João Coelho, pela chamada de atenção)

Sabemos que não é uma (só se houver outras mais pequenas lá dentro), mas não interessa. Qualquer dia está mais tempo fechado do que o tempo que levou a construir... Pombal, Concelho com estórias (e monumentos fechados e horários de museus de função pública).

Felizmente, nem tudo é assim: há a Anta da Arroteia, mas isso fica para outro post.

12 de novembro de 2012

Armadilhas


A “armadilha” do candidato do PSD está consumada. E, pasme-se, com unanimidade. Para tal bastou que Narciso Mota defendesse a candidatura do eterno delfim rival na comissão política. Narciso Mota teve que engolir o sapo todo e teve, ainda, que mostrar deleite. Hipocrisia ou interesse? Talvez um misto dos dois.
Mas o “pacto” armadilhado trará consequências: para desalinhados e, também, para alinhados, porque não haverá lugar para todos.
E dúvida das dúvidas, com tanta desconfiança e diferenças de estilo e orientações, resistirá o “pacto” muito tempo?

Arte ou tolice?

Como seria de esperar (e aqui foi dito) a RATA parida pelo PSD e seus correligionários do governo foi motivada por argumentos difusos e pouco fundamentados. Como tal revelou-se desonesta e nada séria.

Face a este cenário, qual foi a resposta do PS local? Fazendo fé nos ecos que chegam da comunicação social, a preocupação dos socialistas está no facto desta RATA criar um mapa eleitoral adverso ao partido em Leiria. Segundo os seus líderes, “a unidade técnica para a reorganização Administrativa do Território teve objectivos políticos e partidários” e o PS, neste cenário, corre o risco de perder 11 das 17 freguesias que actualmente lidera no concelho de Leiria.

Diz o povo: "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte". E a verdade é que engenho e arte não faltam a estes políticos. Tolos somos nós que votamos neles.

11 de novembro de 2012

É dia de festa?

A sessão solene(?) comemorativa do Dia do Município marcou, esta manhã, o fim de uma era. Narciso Mota sabia disso e fez uma espécie de balanço dos mandatos passados, entre quilómetros de estrada, tubagens de saneamento, dinheiro às IPSS's e medalhas ao quilo.
Como já aqui dissemos tudo o que o tema merece, serve esta nota apenas para dar conta de uma sintonia inesperada entre eleitos e eleitores: quando nem o próprio executivo se leva a sério (vereadores e presidente    mantiveram um registo jocoso durante quase toda a cerimónia), como é que nós o poderemos encarar?


10 de novembro de 2012

Última hora: medalhados extra

O presidente da direcção do Rancho Folclórico "As Ligeirinhas de Antões", José Silva (médico aposentado)     e a Nemoto (fábrica japonesa ainda instalada no Parque Industrial Manuel da Mota) entraram à pressa no rol de medalhados de amanhã.
Mas porquê? - perguntará, legitimamente, o leitor/munícipe.
É certo que o administrador da Nemoto já foi medalhado há anos pelo município - mas isso foi antes de fazer 70 anos  - e ter tido a cortesia de convidar o presidente da Câmara a assistir às comemorações, no Japão. Por isso, ano após ano uma pessoa/instituição vai subindo na hierarquia da medalha.
Ora, se a Câmara vai medalhar Carlos Mota Carvalho - que acumula a presidência do GD Guiense com a do Rancho Folclórico e Artístico de Antões - certamente caía mal na localidade de Antões (que vive há mais de 30 anos uma rivalidade anedótica à conta dos dois ranchos) tal discriminação.
Nesta hora, ocorre-me uma moda d'As Ligeirinhas, que diz mais ou menos isto: "fui ao baile aos Antões/e ninguém me lá bateu/cada um já tinha a sua/cada uma tinha o seu".
Agora passem no Cardal antes da cerimónia e não tenham cuidado...

8 de novembro de 2012

A UTRAT ratou


Como a Assembleia Municipal (AM) não se pronunciou, a Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) ratou: propôs, a sul, a agregação das freguesias de Albergaria-dos-Doze, São Simão e Santiago de Litém e a noroeste a agregação das freguesias da Guia, Mata Mourisca e Ilha.

As justificações da UTRAT para agregação das freguesias são patéticas. Para além de uma ou outra banalidade agarram-se à disponibilidade para a agregação manifestada pelas respectivas assembleias de freguesia, ignorando, no entanto, as diferentes motivações de cada uma delas.

Consequentemente, se a proposta vingar, ficaremos pior do que estávamos: mais desiguais e mais assimétricos.

Pobre País: que continua desgovernado por políticos fracos, que por populismo se demitem das suas responsabilidades; e por tecnocratas intelectualmente desonestos que não estudam os problemas e se limitam a fazer favores políticos, sem olhar às consequências das suas decisões.

6 de novembro de 2012

Parcerias de Regeneração Urbana. Par... quê?

A página sobre as Parcerias para a Regeneração Urbana começa por falar numa "Nova Cidade". Depois explica as intervenções, com apresentação e tudo, elencando os custos de algumas que até já foram feitas: 

  • Requalificação e Reestruturação da Área Histórica de Pombal - 3.852.793,95€ 
  • Passagens Pedonais Inferiores à Linha Férrea - 953.843,05€ 
  • Jardim das Tílias - 333.666,40€ (Obra concluída) 
  • Valorização Paisagística do Castelo de Pombal e Área Envolvente - 3.083.914,23€ (Obra a decorrer) - Esta é pior que as de Santa Engrácia. 
  • Recuperação da Ponte D. Maria - 618.678,91€ 
  • Intervenção no Largo S. Sebastião - 3.014.473,48€ 
  • Centro de Negócios - 991.093,56 € 
  • Reabilitação e Conservação da Igreja Matriz - 90.629,00€ 
  • Projectos de Animação de Parceria e Eventos - 360.000,00€
São cerca de 13 milhões de euros, comparticipados em 80% (se não estou em erro) de fundos comunitários. Ou seja, aproximadamente 3 milhões provêem do nosso Orçamento. 

Mas a questão do dinheiro é apenas uma das vertentes do problema. A questão central, que não é de agora, é outra: gastaram-se e vão-se continuar a gastar milhões para quê? Tal como outros posts já mencionaram, a zona Histórica está a desertificar-se de forma violenta e estas intervenções servem para quê? Já sabemos que as obras para espetar placa vão acabar (felizmente), mas esta intervenção - no geral - vai redundar em quê? Que as margens do rio que não existe vão ficar mais bonitas e acessíveis, tudo bem, mas a requalificação (a refundação dos autarcas, é o que é), vai dar exactamente em quê? Vai-se inverter a desertificação comercial e habitacional do Centro Histórico? Vai haver vida? Iniciativas? Vai-se aproveitar para transformar o único postal urbano que temos numa Praça e ruas com vida? É que esta também é uma das heranças do consulado de Narciso Mota: os projectos para a placa, onde não se pensa no depois mas apenas no como chegar lá. Mais um parque de estacionamento (Largo São Sebastião) ao pé de outro que foi, literalmente, um buraco. Para trazer pessoas para fazerem o quê? Há alguma proposta, por exemplo, que vise dinamizar o mercado de arrendamento naquela zona. Há algum estudo/ideia/projecto que crie uma centralidade na Zona Histórica? Não deveria ser esse o fim?

Construir uma nova cidade, diz a página. Sim, concordamos todos. Mas os espaços urbanos não se fazem apenas de construções, fazem-se de pessoas. Daquelas que têm espinha e dizem mais que sim. Se calhar esse é o problema. Um dos. 

5 de novembro de 2012

O Zé das Medalhas

Sou eu que sou piegas ou mais alguém se sentiu envergonhado com a lista de condecorações do dia do município? Desta vez o executivo camarário ultrapassou todos os limites.

Em primeiro lugar o número. Com tanta distinção, a importância do prémio é praticamente nula. Num país onde a expressão de Almeida Garrett  "Foge cão que te fazem Barão! Para onde, se me fazem Visconde?" já subiu à categoria de provérbio popular, quem nunca foi agraciado pela Câmara ou pelo Presidente da República corre o risco de ser apontado na rua.

Depois temos a lista em si. Para além de não se perceberem os critérios com que foi elaborada, por que raio de carga de água o nome de Ricardo Vieira (só para dar um exemplo) tem que aparecer ornamentado com todos os títulos académicos e o nome da esposa de Tomé Lopes não merece ser referido? E será que a tinta que se gastou nos Engs e Drs não daria para evitar o tratamento informal a Tó Silva e aos seus filhos?

Caro Presidente da Câmara, caros vereadores: a autarquia deve reconhecer o mérito sempre que for caso disso. Mas este só deve ser traduzido em medalhas e títulos municipais em ocasiões especiais. Caso contrário tornam banal o que deveria ser excepcional.

2 de novembro de 2012

O dia dos mortos

Cada vez que ouço notícias da nossa terra tenho a sensação de estar a assistir a uma novela mexicana. Agora até comemoramos o dia dos mortos (hoje, dia 2 de Novembro), com direito a procissão a exibir o defunto pelas ruas da cidade. O defunto é o jornal "O Correio de Pombal" e o mordomo o seu proprietário.

A diferença está que, no caso da tradição mexicana, o evento é carregado de simbolismo, de tal forma que a UNESCO já declarou a festa como património da Humanidade. No nosso caso, cheira mal. Simplesmente.

Dinossauro Gasossauro


A nossa região é rica em Dinossauros. Ficámos agora a saber que o das Caldas é do tipo Gasossauro. Usa como moeda de troca o Gasóleo.
Coincidências. É o que temos. Mais palavras? Para quê?

31 de outubro de 2012

BMW avariado


Há dias, cerca das 19 horas, um bmw comprado com os impostos dos contribuintes chegou a uma festa, vindo de uma outra festa da castanha e da água-pé. Parou em dificuldades, no meio da estrada, aparentemente devido ao “combustível”, e teve de ser auxiliado por populares para estacionar, o que não fez sem antes tocar numa corrente que vedava uma propriedade junto à estrada. Depois, abriu a porta e lá foi caminhando para um recanto mais distante das vistas de cerca de 150 pessoas.

Os últimos medalhados, ou os medalhados Bis!

A lista parece mais extensa que o costume, composta de nomes mais ou menos conhecidos do cidadão comum (dependendo do habitat). Boa parte deles já foi medalhado noutros anos. Como este 11 de Novembro será o último presidido por Narciso Mota, já nada se lhe pode levar a mal. O que custa, afinal, fazer a felicidade alheia, hum? Certamente que todos merecem tão digna distinção, sobretudo quando é a dobrar.
Uma nota especial para o nosso comentador de estimação, Rodrigues Marques (bem que a Câmara podia dar um sinal de elevação e convidar a farpearia para ir lá, entregar a medalha. Fica para a próxima, ok?)

24 de outubro de 2012

Isto precisa de entrar na ordem

Uma sala cheia, uma plateia interessada, um orador brilhante e um tema interessante fizeram da noite de ontem um momento raro em Pombal. António Marinho Pinto foi ao Teatro dizer umas quantas verdades sobre o país, que vão muito para além das teias da lei. Dos tempos de jornalista ficou-lhe essa habilidade excepcional de colocar o dedo na ferida, insistindo o suficiente para manter uma plateia desperta durante horas. Coisa rara.
A ideia era falar das Ordens profissionais, a convite do Rotary Clube de Pombal (que aproveitou a ocasião para prestar a costumeira homenagem a um profissional, desta vez a Tomé Lopes, o proprietário do Intermarché). Tudo estava bem até certo momento (como cantava uma banda punk-rock dos anos 80). Eis que o presidente da Câmara faz uma intervenção à sua maneira, fazendo mexer na cadeira muitos dos que o ouviam. Já sabemos que fala com o coração ao pé da boca. E que é impulsivo. E tudo e tudo. O que só não sabíamos era que, afinal, o segredo de Camarate é ele que o pode desvendar. Diz que viu. Que como era engenheiro mecânico e estava em Lisboa foi lá ver o aparelho. E que aquilo não foi acidente. Que o mataram. Que o avião caiu porque fez assim (para cima) e assim (para baixo).
Tanta comissão de inquérito. Tanta investigação. Melhor fora que tivessem vindo logo direitinhos à esquina do Cardal e pronto. Estava o caso Camarate resolvido.

Sugestão em tempos de crise


Fica o repto à sociedade pombalense, principalmente numa altura em que a crise matou o nossa imprensa escrita. Ou não terá sido a crise?

20 de outubro de 2012

Rendimento social de inserção


Com a entrada a publicação do Decreto-Lei 221/2012 de 12 de Outubro, em http://dre.pt/pdf1sdip/2012/10/19800/0585805861.pdf, e a respetiva entrada em vigor em 13-10-2012, parece que os beneficiários do chamado “rendimento mínimo” passarão a ter, pela primeira vez, também deveres. Falta saber se o “Tribunal do Santo Ofício” (Tribunal Constitucional) vai condenar também esta lei à “fogueira” por “heresia”…

18 de outubro de 2012

O Correio de Pombal (1990-2012)

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012.

O jornal que José Pimpão dos Santos fez nascer na primavera de 1990 deixou de sair para a rua. É um dia triste para Pombal, para a imprensa, para o que resta da democracia.
Eram conhecidas as dificuldades (financeiras, editoriais e sobretudo morais) em que o jornal se afundou nos últimos tempos. Até que esta manhã a edição já não chegou às bancas. Na sede/Redacção, um papel branco colado à porta anuncia "Férias", depois de ter sido comunicado aos poucos funcionários que o jornal  tinha acabado.
A reflexão que vale a pena fazermos é esta: há 20 anos existiam quatro jornais em Pombal. Nos últimos 100 anos Pombal sempre teve pelo menos um jornal. E neste século viveram-se guerras e revoluções, crises diversas, em épocas onde o analfabetismo e a iletracia se sobrepunham a quase tudo.
O Correio de Pombal foi o primeiro jornal em que trabalhei, e isso nunca se esquece. De resto, a verdade (a que temos direito) li-a por estes dias no mural de um camarada, no Facebook: "a expressão temos um jornal para fechar ganhou novo significado". Em Pombal e por esse país fora.
A úlitma edição, na semana passada.

15 de outubro de 2012

Mais ETAP


Correm rumores de que a Direção da ETAP poderá passar para Fernando Parreira.
A 1ª interrogação que se coloca é saber se Fernando Parreira tem autoridade (vontade, força e bom senso) para conduzir os destinos da ETAP e se esta escola dispõe de recursos financeiros para se equilibrar.
A 2ª questão é saber o motivo porque querem enviar o Fernando Parreira para a ETAP…

A surpresa

A AM de ontem, destinada a pronunciar-se sobre a RATA, mostrou o pior da política nacional: discursos redondos, dissimulados, enfadonhos, tacticismo, chantagem, desresponsabilização, etc.

Foram cinco horas de muita discussão e chicana politica para para não dizerem (quase) nada.

Mas houve excpeções (e veiram de onde menos se esperaria), nomeadamente a intervenção inicial dos dois membros da JSD.
 
PS: A proposta de resolução apresentada pela bancada do PSD é simplesmente patética e traduz tudo o que afirmo no primeiro parágrafo.

12 de outubro de 2012

FINIS

Nos próximos dias poderemos gritar: ALELUIA, o governo caiu. Fiquei convencido disso ao ouvir ontem os comentadores da Quadratura do Círculo (principalmente os ligados aos partidos da coligação governamental). Para dizerem o que disseram, e tendo inside information, estão convictos disso.
 
Desaparece sem história mas fica para a história como o pior governo do pós-25 Abril 74. Nunca vi um governo, após um ano de governação, atingir tal grau de desacreditação.

Aceitam-se apostas: o governo cai antes do orçamento ou depois do orçamento?



11 de outubro de 2012

Quem tem medo de Diogo Mateus?

Quem acompanha de perto o percurso de Narciso Mota na política - que é o mesmo que dizer na Câmara de Pombal - sabe que Diogo Mateus sempre foi o seu calcanhar de Aquiles. Em 2002 (o ano das eleições mais aguerridas de todo o seu reinado) empurrou-o mesmo borda fora. Mas o tiro haveria de lhe sair pela culatra, já que o vereador avançou para uma candidatura à Junta de Freguesia de Pombal, que ganhou, provando-lhe que a monarquia também ensina a travar duelos. E então, quatro anos mais tarde, o presidente  haveria de ver-se "obrigado" a aceitar-lhe o regresso, por pressão da própria comissão política e de alguns notáveis - no tempo em que os havia e ainda estavam para se chatear com isto.
Nos últimos tempos tem sido o que se sabe: Narciso vai embora daqui a um ano, e tudo fará para evitar que Diogo Mateus lhe suceda. Se dúvidas restassem, a entrevista que dá esta semana ao Jornal de Leiria vem dissipá-las. Mas afinal, de que tem medo o engenheiro?


Diogo Mateus é quem se perfila para seu sucessor ou poderá apostar-se num candidato mais jovem?
Fala-se em muita gente, porque muitos gostavam de ser presidente de câmara. Para presidente da junta é que, se calhar, qualquer dia não temos candidatos à altura. Já temos de pressionar e convencer homens e mulheres para se disponibilizarem. Os presidentes de junta são aqueles que estão mais próximos dos munícipes e não são compensados financeiramente pelo esforço que fazem no dia-a-dia. Gostaria que fosse um candidato com experiência de vida, que não fosse muito partidário – em termos de convicção política –, que fosse um homem que procurasse fazer melhor e me desse a garantia que o destino deste concelho estará salvaguardado, sem ceder a clientelas nem fizesse elefantes brancos só para ganhar eleições de quatro em quatro anos.
Vê alguém com esse perfil?
Vejo, mas não quero tornar público. Quero que a comissão política do meu partido saiba seleccionar três pessoas e que faça uma sondagem para ver qual é a melhor solução. Aquela que o povo mais considera para ser eleita democraticamente e para seguir a minha gestão social democrata, que considero das melhores, imodéstia à parte.
A Câmara de Pombal é das poucas que apresenta uma situação financeira confortável. Considera--se um bom gestor?
Considero-me um médio gestor, mas um gestor responsável que não tira partido das funções que desempenha. Tenho tudo centralizado e nada é adquirido sem preço de comparação, nomeadamente em valores superiores a 500 euros. A situação financeira da câmara é de tal modo positiva que até permitiu um roubo. A nossa gestão está devidamente estruturada, foi certificada e não foi preciso alienar património ou privatizar qualquer tipo de serviço. Não tenho elefantes brancos: não fizemos nenhuma escola, centro de dia, piscina ou lar sem necessidade.
excerto da entrevista, que pode ser lida aqui. Cheia de pérolas. http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php?id=8175

7 de outubro de 2012

Uma Praça Morta



Decididamente a CMP não sabe tratar da urbe. Ninguém consegue dar aquilo que não tem. As intervenções na Praça Marquês de Pombal são um bom exemplo.
Na praça existe:
Uma Igreja, sem devotos;
Um Café com Livros, sem café e sem livros;
Uma cadeia, sem guardas e sem presos;
Um Arquivo, morto;
Uma Sapataria, sem sapatos;
Um Celeiro, sem cereais;
Um Centro Cultural, sem cultura e sem cultos.
A CMP derreteu ali muitos milhões de Euros (e continua a derreter), mas a praça está, cada vez, mais morta. É verdade que embelezaram a praça e alguns edifícios, mas nada daquilo tem vida. Um cadáver pode estar muito embelezado, mas continua a ser um cadáver. .