22 de maio de 2017

A representação física da parolice

                                                                                                                                                                                  Foto: Paulo Cunha/Lusa
Um emigrante mandou erguer uma estátua em bronze, com seis metros de altura, a Rui Patrício (futebolista vivo e em actividade). Está no seu direito. Há extravagâncias piores. E formas menos eficazes de sair do anonimato. Mas que um presidente da câmara (e respectivo executivo) se aproprie da parolice para fazer um número, é demais.
Leiria não é uma vila da província, despida de cultura e bom gosto. É a capital de distrito. Deveria ter políticos com essa dimensão, não saloios.
Leiria tem um estádio morto. Agora tem uma estátua de um vivo vulgar. É vulgaridade demais.

19 de maio de 2017

Sérgio & Diogo: a poesia e a demagogia aliadas

Estou surpreendido com esta dupla maravilha, a qual preside aos destinos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal. E logo eu, que sou cada vez mais difícil de surpreender...
Mas vamos aos factos. Primeiro fui surpreendido pelo presidente da direcção da AHBVP, que não aceitou debater uma questão do domínio público, devidamente balizada. O que me surpreendeu mais não foi sequer a recusa no debate, mas sim a reacção do mesmo, quando Sérgio Gomes escreveu o poema épico: “Se tens algum problema pessoal comigo vens até Pombal que nós resolvemos isso, ok?” Lembrei-me logo dos Village People e do épico Macho Man, de 1978. Estou mesmo a ficar velho, pois já não tenho aquela reacção a quente que tinha mais novo. A experiência de vida ensinou-me a não ligar demasiado a patetices e a divertir-me com elas.
Descendo na hierarquia, passo então ao vice-presidente da AHBVP, Diogo Mateus, que há 2 ou 3 anos vi a “passear” num Veículo Florestal de Combate a Incêndios, em Pombal, como que se um VFCI servisse para transportar autarcas num incêndio (a não ser que todos os carros da câmara estivessem avariados). Diria apenas que é coisa de colarinho branco.
Há poucos dias li, no Diário de Leiria, que Diogo Mateus sugeriu uma daquelas ideias peregrinas, ou seja a instituição da carreira de bombeiro florestal, sublinhando depois que isso aumentaria seguramente o número de voluntários. Ora, enquanto geógrafo físico e tendo eu 18 anos de actividade bombeirística, fiquei perplexo com aquela afirmação, já que demonstra grande desconhecimento de causa e mostra que ano de eleições é mesmo um ano pródigo em ideias peregrinas.
Com que base pode afirmar que aumentaria seguramente o número de voluntários? Menos populismo por favor! Quer mesmo aumentar o número de voluntários? “Simples”, dê, enquanto presidente da câmara, mais benefícios aos bombeiros voluntários, directos e indirectos, pois é por aí que vai conseguir não só manter os que ainda vão tendo o espírito para aguentar a difícil vida de bombeiro voluntário, bem como motivar aqueles que pensam vir a ser bombeiros voluntários. Baixa de IMI, descontos na água, actividades lúdicas e apoios aos filhos em idade escolar, é por aí que algumas corporações estão a apostar (muito poucas ainda...). E mesmo assim isso não é suficiente, pois nada paga uns dias ou umas noites em branco a arriscar a vida e a dar o melhor de nós. Nada substitui deixar os que gostamos em casa e ir para cenários de terror, seja incêndios ou acidentes muito graves. Já pensou por exemplo em dar um subsídio extra aos ECINs´? Sabe que há aqueles grupos de 5 elementos que, no Verão, fazem de “bombeiros florestais”, certo? Além dos míseros 1,87 euros à hora que os elementos destes grupos recebem, que tal aumentar mais 2 ou 3 euros, de forma a ser um valor minimamente aceitável/digno? Refeições gratuitas aos grupos de ECIN´s é outro exemplo. Para que quer os bombeiros florestais? As corporações já têm os ditos bombeiros florestais, que já fazem esse serviço na época de Verão, uns melhor capacitados do que outros  é certo. Quanto às capacidades técnicas e profissionais, sabe ao menos que actualmente as corporações já têm muitas pessoas preparadas, desde jovens com cursos profissionais específicos, jovens licenciados, alguns mestres e raros doutorados, que apesar de terem competências técnicas e científicas em várias áreas afectas às áreas de acção dos bombeiros, não são reconhecidos nos próprios corpos de bombeiros? Sim, é uma realidade que raras vezes se fala, uma tema tabu, talvez porque alguns elementos dos quadros de comando e chefias vêm estes elementos como “ameaças” ao status quo. Como vê, e mais uma vez, não está devidamente informado sobre as várias realidades que ocorrem nos vários quadros de bombeiros voluntários. Diria apenas que este é um discurso tanto pleno de desconhecimento como de demagogia. Já oiço ideias peregrinas desde o início da década de 90, quando ingressei pela primeira vez num corpo de bombeiros, mas confesso que ainda me conseguem surpreender com algumas ideias peregrinas, tipo copy paste, pensadas eventualmente aquando de uma visita a um país estrangeiro, mas não devidamente transpostas e de acordo com as especificidades históricas, culturais e outras mais do país e da região de Sicó. É por essas e por outras que andamos a brincar aos incêndios há 40 anos, sem que se vá ao cerne da questão. O importante, para alguns, são as ideias peregrinas, que possibilitam destaque nas notícias em ano de eleições. Mera curiosidade portanto. Admito, contudo, que, por vezes quem tem ideias peregrinas não se aperceba do disparate que elas representam, daí a importância da blogosfera, que ajuda a esclarecer estas coisas.
É bom e de salutar que surjam ideias, contudo dispenso as ideias peregrinas. Em vez de se andar com a mania de inventar a roda, melhore-se o que de bom já temos, já que a base existe e recomenda-se.
João Forte (Geógrafo Físico/bombeiro voluntário)

18 de maio de 2017

O triunfo dos porcos

Foto: Pombal Jornal

Por estes dias há uma realidade desmancha-prazeres a mostrar o Arunca em todo o seu esplendor: uma nova descarga mexeu na dita e, já se sabe, quanto mais lhe mexemos mais ela cheira mal. Não fica bem nas fotografias ao estilo I love Pombal, nem nos discursos paz-e-amor de Pedro Pimpão. Uma chatice, portanto. Mas quem fica mal nesta fotografia é uma Câmara que recebe prémios de tudo e um par de botas, não sei quê florida e acessível. Pior do que passar quatro anos sem cumprir a grande obra prometida - o parque verde (alô meninos da Jota, cadê as fotografias em 3D, tão bonitinhas?) - é chegar ao fim com este legado: Pombal soma e segue todas as semanas com descargas no rio. À falta de um pelouro do Ambiente que se veja, talvez esteja na hora de ressuscitar a Aurora, uma associação criada há muitos anos por vários ambientalistas cá do burgo, entre os quais se contava nada menos que... o actual presidente da Câmara! 
Por vezes, somos forçados a concordar com  Diogo Mateus. Por exemplo, quando dizia, aqui há tempos, numa reunião do executivo: "somos todos trampa". O Arunca que o diga, em cor e cheiro. 

17 de maio de 2017

Insegurança no Convento de Santo António

Reina a insegurança no Convento de Santo António, em toda a estrutura: vereadores, dirigentes e funcionários. Manifesta-se na inacção ou na conflitualidade entre serviços.

Para agravar a coisa, a empresa de Segurança deu de frosques. 

Autárquicas - PSD

Nestas autárquicas, impera a imprevisibilidade: os avanços e os recuos, os compromissos e as rupturas.
José Grilo passou de despedido de mandatário a cabeça de lista à Assembleia Municipal (AM).

Fracassada tentativa de reconciliação de Diogo Mateus com Luís Garcia (porque este tem memória), e após as negativas de outras individualidades, avança José Grilo para cabeça de lista à AM.

16 de maio de 2017

Que trata da falta de transparência, e não só

A fiscalização feita pela Intendência Geral do Reino, aos negócios do principado, foi uma grande contrariedade para o Príncipe; pelo momento e, acima de tudo, pelo conteúdo. O relatório reduz a pó a imagem, artificialmente criada, de um principado transparente.
Ciente dos impactos negativos que o relatório poderia provocar, o Príncipe tratou de conter os danos externos: desvalorizou o relatório e reforçou a propaganda. Começou por classificar as irregularidades como coisas menores, que já tinham sido ou estavam a ser corrigidas, e tratou de maquilhar a coisa internamente, com um toque aqui e outro acolá, mexendo nos regulamentos, mas deixando tudo na mesma, como interessa. Para tal, ordenou ao Pança que pusesse a Seródia a trabalhar forte na propaganda da imagem de transparência e marcasse uma reunião urgente com a Secretária-Geral.
Não foi fácil, ao Pança, marcar a dita reunião. Nesta época, o Príncipe tem a agenda sobrecarregada com as visitas necessárias para se mostrar ao povo, e a Secretária-Geral está sempre enrolada no seu emaranhado de formalidades e ocupada com os seus afazeres privados. Passado algum tempo, o Pança lá conseguiu sentar os dois à mesa; mas, como a coisa não avançava foi necessário chamar uns amanuenses mais instruídos para engendrar uma forma de dar resposta formal às irregularidades e, ao mesmo tempo, manter os esquemas que a Secretária-Geral impõe aos serviços com cobertura do Príncipe.

Como os intervenientes e os súbditos mais atentos sabem - e o relatório expõe -, os esquemas estabelecidos na contratação pública, nomeadamente nos ajustes directos e avenças, servem para entregar os contratos aos amigos. A Secretária-Geral sabe bem como actuar, para agradar; e sabe que, agradando, beneficia. Vai daí, protege-se muito nas formalidades, mesmo que isso comprometa a funcionalidade dos serviços e exponha os vícios do sistema. Do que ela não abdica é do cumprimento das formalidades. Logo, não deixa avançar formalmente os processos sem a existência de três propostas. Mas como é difícil obter três propostas para um ajuste directo que já se sabe a quem vai ser entregue - mesmo solicitando ao escolhido que arranje as propostas - os processos ficam bloqueados e os serviços emperrados. Nalgumas situações (exemplo: eventos com data fixa), o serviço começa a ser executado antes da adjudicação formal. E depois lá anda o comprador e o escudeiro a pedir propostas para encobrir as irregularidades. Algumas entidades amigas – as mais beneficiadas - já resolveram este problema formal - o limite do montante adjudicado por entidade – criando várias entidades com os mesmos sócios (como o relatório assinala). O tuga é especialista a contornar leis, e abomina a transparência.
                                                                                                                     Miguel Saavedra

11 de maio de 2017

Novas do concelho charneira

Associação fundada por pombalenses eméritos, com missão importante para o concelho e passado glorioso, abandonada pelos legítimos beneficiários e consumida até às entranhas por parasitas disfarçados de empreendedores, jaz moribunda.

9 de maio de 2017

Pedimos desculpa por esta interrupção


Se as eleições fossem no Facebook, não valia a pena a freguesia de Pombal ir a votos. O Pedro Pimpão já estava eleito desde ontem à noite, com  mais de 700 likes. Acredito que, mesmo não sendo virtual, a eleição está-lhe no papo. Conheço o Pedro desde pequeno, acompanhei-lhe o percurso entre a política e o futebol, e nos últimos anos delicio-me com o produto de marketing social em que se tornou. Não fosse tê-lo visto na Assembleia de Freguesia (ao tempo em que eu acreditei que isso servia para mudar alguma coisa), e ia jurar que o mundo é perfeito, Pombal é azul e rosa, sarapintado de florzinhas em cada colectividade de periferia. Não é, mas ele acredita nisso. E isso é bom. Faz-me crer que a minha filha ainda vai ter uma escola com um recreio a sério, que vá para além do pátio de cimento e duas balizas, qual "reformatório do século XIX", como dizia noutros tempos o director do Agrupamento de Escolas de Pombal. Que a partir de Outubro a política da Junta de Pombal para com os mais novos irá para além de um festival da canção;  que nessa senda de terem "uma atenção muito especial" - como fica claro na carta de intenções da candidatura - a Junta se preocupe com os parques infantis, com a qualidade dos equipamentos; que as AEC's sejam mesmo de enriquecimento e não de encher um plano de horas (há exemplos no país muito interessantes, mas disso ele saberá, ao cabo destes anos como deputado da nação). Depois há os mais velhos - como o meu filho, que se fez homem sem ter visto a luz do parque verde - que precisam tanto de ser envolvidos na comunidade. E há os idosos, tantos, tão sozinhos, da Cumieira ao Alto dos Crespos, da Ranha ao Travasso - que se houve coisa que eu descobri nas últimas eleições foi o atraso em que se vive a 1 km da cidade, por exemplo.
Pedro, é sugestões que queres? Anota estas. Como as eleições estão decididas, não sei se vale a pena fazê-las chegar ao Aníbal Cardona, à Sílvia João ou ao Eduardo Carrasqueira, que arriscam contigo uma luta de David e Golias. Mas há uma coisa que sei: posso dedicar-me à futurologia. Aqui no Farpas previ esta candidatura em Fevereiro passado. Não nos enganemos: Diogo não o quer com ele, e esta é a única forma que Pedro Pimpão tem de continuar a ser deputado em Lisboa, enquanto prepara o futuro em Pombal.